GOLPES DOLORIDOS
Há verdades que doem muito e passam a ser golpes que duram de cicatrizar, como é o caso atual da realidade do Bahia, dita pelo conselheiro e benemérito Paulo Maracajá Pereira em entrevista à Transamérica FM neste início de semana.
Os problemas todos já sabiam, inclusive já tive a oportunidade de alertar em crônicas que alguns tricolores históricos ou fanáticos se apressaram em contestar. Mas, agora, quem confirma tudo é uma das maiores autoridades do bicampeão brasileiro. Seus adversários o chamam de eminência parda – e tem os mais vorazes que o qualificam de grande mal do clube, porque, sem ser legalmente o presidente, fica mandando de fora, como quem determina tudo e fica esperando o circo pegar fogo. Eu discordo radicalmente desses conceitos.
Discordo porque ninguém poderá jamais tirar de Maracajá o mérito de ter sido o maior de todos os dirigentes baianos, o que mais conquistou títulos e o que mais contribuiu para o Bahia ter a projeção que alcançou. Até admito que, se eleito presidente, PM vai ter que se reciclar, passando a oferecer os requisitos de um dirigente moderno para uma gestão condizente com os tempos atuais. Mas que ele continua merecendo respeito e que nenhum outro o supera em desvelo e luta pelo tricolor, isso não tenho a menor dúvida.
Mas o que está doendo na alma da torcida é que, em sua entrevista, Maracajá foi claro, objetivo e contundente ao dizer que, sem a Fonte Nova, quando as coisas já se encaminhavam apertadas, agora é que o negócio complicou de vez, porque antes, como aconteceu na terceira divisão, o clube arrecadava uma média de R$ 250 mil mensais com a receita de estádio, que ainda é a sua maior fonte de rendas. Agora, com a tragédia da Fonte Nova e o seu conseqüente fechamento, essa parcela caiu para a insignificante soma de R$ 7 mil.
O drama é que há tricolores que insistem em se iludir com afirmações delirantes de que o Bahia, porque tem a capacidade de colocar 40 mil torcedores de média em uma Série C, tem o mesmo poder financeiro do Barcelona, do Real Madrid e do Arsenal, nem se falando mais em clubes como Grêmio, Inter, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Corinthians que, além de inegável apelo popular, situam-se em mercados de muito maior poder aquisitivo e de muito mais tradição participativa da torcida. Porque a participação de uma torcida não se delimita em presença nos estádios, tem que ser avaliada pela força econômica, pela cultura associativa e pelo leque de produtos que realmente ela tenha condições de adquirir. E isso não acontece infelizmente com o futebol baiano.
Sei que a permanência da atual diretoria (com PM colaborando intensamente) é uma questão de honra, mas se conselho valesse há algum tempo que venho sugerindo uma pausa para meditação. Se há pessoas que se julgam capazes de colocar o Bahia na vanguarda mundial do futebol, por que não se afastar e dar uma chance a esses extraordinários idealizadores?
Acho até que, se realmente o sucesso almejado foi atingido com a facilidade que alguns acenam, será até motivo para um grande exemplo à maioria dos clubes brasileiros. O que não posso entender é que, diante de tanta pobreza e tantas carências, alguns inconseqüentes teimem em exigir contratações de craques, com salários de R$60 a 70 mil, empréstimos caríssimos e luvas elevadas, quando o clube – e aí tem que ser louvada e enaltecida a influência de Paulo Maracajá -, ainda sobrevive fazendo empréstimos bancários para pagar salários e despesas operacionais inadiáveis.
É o mesmo que o cara que mora de aluguel andar tomando dinheiro emprestado para não ser despejado do imóvel. Se o Bahia fosse uma dessas empresas comuns, onde a razão sobrepuja a paixão tão latente em clubes de futebol, já estava operando em fase pré-falimentar. Ou até fechado as portas para analisar o montante de seu passivo.
No caso que se explicita, ainda resiste graças à imensa tradição que tem e o esforço de gente como o próprio Paulo Maracajá que, criticado, caluniado e ofendido, ainda insiste em segurar pelas pontas dos dedos o náufrago que se afunda a cada mês que passa.
Então, o momento não é de questões, críticas desrespeitosas nem exercício de oposição odiosa, mas que todos se unam enquanto ainda há tempo para salvação.
Os problemas todos já sabiam, inclusive já tive a oportunidade de alertar em crônicas que alguns tricolores históricos ou fanáticos se apressaram em contestar. Mas, agora, quem confirma tudo é uma das maiores autoridades do bicampeão brasileiro. Seus adversários o chamam de eminência parda – e tem os mais vorazes que o qualificam de grande mal do clube, porque, sem ser legalmente o presidente, fica mandando de fora, como quem determina tudo e fica esperando o circo pegar fogo. Eu discordo radicalmente desses conceitos.
Discordo porque ninguém poderá jamais tirar de Maracajá o mérito de ter sido o maior de todos os dirigentes baianos, o que mais conquistou títulos e o que mais contribuiu para o Bahia ter a projeção que alcançou. Até admito que, se eleito presidente, PM vai ter que se reciclar, passando a oferecer os requisitos de um dirigente moderno para uma gestão condizente com os tempos atuais. Mas que ele continua merecendo respeito e que nenhum outro o supera em desvelo e luta pelo tricolor, isso não tenho a menor dúvida.
Mas o que está doendo na alma da torcida é que, em sua entrevista, Maracajá foi claro, objetivo e contundente ao dizer que, sem a Fonte Nova, quando as coisas já se encaminhavam apertadas, agora é que o negócio complicou de vez, porque antes, como aconteceu na terceira divisão, o clube arrecadava uma média de R$ 250 mil mensais com a receita de estádio, que ainda é a sua maior fonte de rendas. Agora, com a tragédia da Fonte Nova e o seu conseqüente fechamento, essa parcela caiu para a insignificante soma de R$ 7 mil.
O drama é que há tricolores que insistem em se iludir com afirmações delirantes de que o Bahia, porque tem a capacidade de colocar 40 mil torcedores de média em uma Série C, tem o mesmo poder financeiro do Barcelona, do Real Madrid e do Arsenal, nem se falando mais em clubes como Grêmio, Inter, São Paulo, Cruzeiro, Flamengo e Corinthians que, além de inegável apelo popular, situam-se em mercados de muito maior poder aquisitivo e de muito mais tradição participativa da torcida. Porque a participação de uma torcida não se delimita em presença nos estádios, tem que ser avaliada pela força econômica, pela cultura associativa e pelo leque de produtos que realmente ela tenha condições de adquirir. E isso não acontece infelizmente com o futebol baiano.
Sei que a permanência da atual diretoria (com PM colaborando intensamente) é uma questão de honra, mas se conselho valesse há algum tempo que venho sugerindo uma pausa para meditação. Se há pessoas que se julgam capazes de colocar o Bahia na vanguarda mundial do futebol, por que não se afastar e dar uma chance a esses extraordinários idealizadores?
Acho até que, se realmente o sucesso almejado foi atingido com a facilidade que alguns acenam, será até motivo para um grande exemplo à maioria dos clubes brasileiros. O que não posso entender é que, diante de tanta pobreza e tantas carências, alguns inconseqüentes teimem em exigir contratações de craques, com salários de R$60 a 70 mil, empréstimos caríssimos e luvas elevadas, quando o clube – e aí tem que ser louvada e enaltecida a influência de Paulo Maracajá -, ainda sobrevive fazendo empréstimos bancários para pagar salários e despesas operacionais inadiáveis.
É o mesmo que o cara que mora de aluguel andar tomando dinheiro emprestado para não ser despejado do imóvel. Se o Bahia fosse uma dessas empresas comuns, onde a razão sobrepuja a paixão tão latente em clubes de futebol, já estava operando em fase pré-falimentar. Ou até fechado as portas para analisar o montante de seu passivo.
No caso que se explicita, ainda resiste graças à imensa tradição que tem e o esforço de gente como o próprio Paulo Maracajá que, criticado, caluniado e ofendido, ainda insiste em segurar pelas pontas dos dedos o náufrago que se afunda a cada mês que passa.
Então, o momento não é de questões, críticas desrespeitosas nem exercício de oposição odiosa, mas que todos se unam enquanto ainda há tempo para salvação.