No Bar FC, diretor do Estrela de Março critica clubes por preferirem "contratação aleatória" ao invés da base
Convidado do episódio #317 do BAR FC, exibido nesta terça-feira (21), Éder Ferrari, Diretor de Futebol do Estrela de Março, analisou os problemas na formação das categorias de base no futebol brasileiro, destacando a falta de espaço para jovens nos elencos profissionais e os impactos do uso excessivo de celulares e apostas no desenvolvimento dos atletas.
O Estrela de Março atua na captação, formação e desenvolvimento de jovens talentos, com foco em aprimorar as valências técnicas e táticas dos jogadores para inseri-los de forma estruturada no mercado nacional e internacional.
Durante entrevista concedida aos apresentadores Pedro Sento Sé e Thiago Tolentino, Ferrari afirmou que o déficit cognitivo e a falta de concentração dos jovens jogadores estão diretamente ligados ao tempo excessivo gasto em frente às telas, o que prejudica o raciocínio rápido e a tomada de decisão dentro de campo.
"Alguma das principais causas que eu enxergo hoje com relação ao cognitivo é porque os meninos, hoje, não trabalham nem o corpo, nem a mente. Você ficar no celular de manhã, de tarde e de noite jogando Free Fire, não trabalha seu cognitivo para o dia a dia, para a sua tomada de decisão no campo. [...] O principal, na minha opinião, é realmente a questão cognitiva que é tirada tudo por isso aqui, pelo celular. Porque os meninos passam o tempo todo no tigrinho, em rede social e, infelizmente, nas bets", afirmou.
O diretor também criticou o modelo de gestão de clubes como Bahia e Vitória, argumentando que as equipes frequentemente priorizam a contratação de atletas medianos para compor elenco em vez de dar oportunidades reais aos talentos formados em casa. Ele usou como contraponto positivo o trabalho realizado pelo Palmeiras, que concede autonomia à base e utiliza os jovens no time principal.
"Um dos grandes defeitos do futebol brasileiro é que a torcida, a imprensa, ela gosta mais de contratação do que do jogo. Então, pro gestor, é muito mais fácil você contratar um cara aleatório [...] que vai vir aqui pra completar e talvez jogue poucos minutos do que dar oportunidade pro menino da base. Existe um bloqueio na formação, que é a falta de espaço pra você jogar no profissional", explicou.
Na sequência, Ferrari destacou que a pressão por resultados imediatos nas categorias de base e a busca excessiva por jogadores com força física (biotipo) em detrimento da qualidade técnica acabam atrapalhando a evolução natural dos garotos, gerando atletas profissionais cheios de deficiências.
"O cara tá preocupado em ganhar o próximo jogo, não tá preocupado em formar. [...] Ou muda esse conceito de que tem que ganhar o próximo jogo de qualquer jeito, porque o trabalho não presta, ou então a gente vai continuar formando jogadores cheios de deficiência, com muito talento, mas que na hora do vamos ver, vão de alguma forma ou de outra falhar, porque faltou trabalho lá atrás", completou.
Assista o programa na íntegra abaixo:
BAHIA NOTÍCIAS E BAR FC
O portal Bahia Notícias e o canal esportivo BAR FC firmaram uma parceria para o compartilhamento de conteúdos durante as transmissões realizadas de segunda a sexta-feira, a partir das 11h38.
O BAR FC tem como proposta apresentar diariamente análises, debates, opiniões e resenhas sobre o futebol brasileiro, com atenção especial aos principais jogos da rodada, polêmicas, bastidores e outros assuntos que movimentam o mundo da bola.
O projeto também conta com entrevistas, correspondentes de outros estados e interação ao vivo com os internautas. O programa é apresentado por Cáscio Cardoso e Pedro Sento Sé, que passaram a contar com a participação do jornalista esportivo Thiago Tolentino, responsável por levar conteúdos exclusivos do Bahia Notícias para os debates.
O projeto é patrocinado por marcas como Nuv, Boteco do França, Buonna Pizza, Saideira Express, Prússia Bier, Berna Barbearia, Casa Esportiva e Casa de Apostas.
