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OPINIÃO: “Not Like Us”: escrita para Drake, mas que hoje parece caber no elenco do Bahia

Por Bia Jesus

OPINIÃO: “Not Like Us”: escrita para Drake, mas que hoje parece caber no elenco do Bahia
Foto: Gleidson Santana / Bahia Notícias

Uma das maiores diss tracks da história recente do hip-hop, Not Like Us, de Kendrick Lamar, virou fenômeno global ao escancarar o embate com Drake. Na canção, Kendrick se coloca como representante de uma cultura e de valores que, segundo ele, o rival não compartilha. “Eles não são como nós” é mais do que uma frase de efeito: é a ideia de pertencimento — ou da falta dele.

 

Ela foi escrita para Drake, mas, no calor da eliminação do Bahia na segunda fase preliminar da Libertadores, nos pênaltis, após ter o placar nas mãos, a sensação que fica para o torcedor é de que a música também serve como desabafo para o momento do elenco tricolor.

 

“Eles não são como nós.”
Os jogadores não sentem o que a arquibancada sente. Ao fim da partida, se frustram, mas vão para seus lares e “amanhã é outro dia”. O torcedor, não. O torcedor carrega a frustração para o dia seguinte, para a semana seguinte, para a próxima eliminação. A dor não termina no apito final. Ela continua ecoando na rotina de quem se envolve emocionalmente com o clube.

 


Torcida do Bahia comemora gol de Willian José. | Foto: Gleidson Santana / Bahia Notícias.

 

A batida da principal referência técnica do elenco em um pênalti decisivo pesa — e muito — para quem acompanha o Bahia de perto. “A audiência não é burra”, diz Kendrick na música. Poderia ser a imprensa dizendo o mesmo, mas, sobretudo, é a torcida que não aceita mais a normalização do erro em momentos decisivos. O torcedor vê, sente e entende quando falta concentração, quando falta entrega, quando falta respeito ao tamanho do momento.

 

Quando Kendrick canta “molde as histórias como quiser, eles não são tontos”, a frase parece dialogar diretamente com a arquibancada. O discurso de processo, de crescimento gradual e de amadurecimento do projeto tem prazo de validade. O Bahia, sim, sobe degrau por degrau — mas a pergunta que fica é: até quando esse crescimento será insuficiente para entrar, de fato, nas cabeças e decidir jogos grandes?

 


Everton Ribeiro após pênalti perdido. | Foto: Gleidson Santana / Bahia Notícias.

 

Mais de 60% dos jogadores que compõem o time titular do Bahia já estão no clube há pelo menos duas temporadas. São os mesmos que caíram diante do Flamengo na Copa do Brasil de 2024 sem dar um chute ao gol. Os mesmos que foram eliminados pelo Fluminense em 2025, também na Copa do Brasil, com o resultado nas mãos. Os mesmos que deixaram escapar uma classificação “encaminhada” na fase de grupos da Libertadores de 2025. O tempo passa, os contextos mudam, mas o desfecho se repete: frustração.

 

Ainda no espírito da música, em 2024, o objetivo do Bahia era classificar para a Libertadores. Em 2025, a meta seguiu sendo, essencialmente, a mesma: avançar. Como diria Kendrick, “avançando para 2026, vocês têm o mesmo objetivo”. O problema não é sonhar — é sonhar sempre o mesmo sonho e acordar, ano após ano, do mesmo jeito.

 

“É melhor vocês mudarem de postura.”
O recado da torcida ao elenco soa cada vez mais parecido com o aviso de Kendrick a Drake. Não se trata apenas de investimento, discurso ou projeto. Trata-se de atitude em campo. Porque, no fim das contas, para quem sofre na arquibancada, a sensação é clara: eles não são como nós.