Turbilhão Feminino: Tire sua "cultura" de campo, das arquibancadas e do futebol
Começo esse texto de forma bem objetiva: Futebol e política andam lado a lado e a "cultura" não é cultura.
Assistimos os jogos da Copa do Mundo no Catar, pela primeira vez na história um país do Oriente Médio é sede da maior competição de seleções do mundo, mas para além do que acontece dentro de campo outros debates tomaram conta da "mesa do bar" e nas redes sociais (com muito mais ênfase).
No código penal do Catar a homossexualidade é punida com até 8 anos de prisão, no Irã mulheres são proibidas até de assistirem jogos dentro do estádio.
Muitos brasileiros em suas redes sociais classificam o supracitado como "cultura" para justificar a barbárie. Porém a verdade que cultura tem outro significado, de acordo com o site "Brasil escola": Cultura é um termo com sentido amplo que pode indicar tanto a produção artística quanto o modo de vida, o conjunto de saberes, a religião e outras expressões de um povo.
O jogador estadunidense Tyler Adams, em uma entrevista respondeu um jornalista iraniano:
“Peço desculpas pela minha pronúncia errada do nome do seu país. Dito isso, há discriminação aonde quer que você vá. Uma das coisas que aprendi, especialmente morando fora do país nos últimos anos e tendo que me encaixar em diferentes culturas, é que nos Estados Unidos continuamos progredindo a cada dia”.
“Cresci numa família branca com, obviamente, uma herança e antecedentes afro-americanos. Tive um pouco de culturas diferentes e foi fácil para mim assimilar isso. Nem todos têm essa facilidade e a habilidade de fazer isso. Obviamente, leva mais tempo para entender. Por meio da educação, acho que isso é superimportante – como você acabou de fazer, ao me educar sobre a pronúncia correta do nome do seu país. É um processo. O mais importante é que você sempre veja progresso”.
Por falar em Estados Unidos, as jogadoras da principal liga de basquete feminino (WNBA) reclamam da pouca visibilidade para o esporte, como declara a presidente do sindicato da classe, Nneka Ogwumike: “Eu não gosto de onde ela está em relação à quantidade de jogadoras e ao número de times. Nós queremos ver crescimento”.
Poderíamos usar o espaço para citar exemplos no mundo todo sobre perseguições a pessoas, atletas e modalidades, para mostrar aos nossos leitores que não é cultura que está criando um ambiente hostil para a prática ou entretenimento através do esporte.
Ainda que a FIFA, outros organizadores de eventos esportivos, grandes empresas, bilionários se vanglorie no avanço tecnológico e espalhando aos continentes que o mundo está ficando mais justo, enquanto a desumanidade for tratada como "cultura", não tem como falar de justiça.
O Turbilhão Feminino reforça seu posicionamento contra qualquer tipo de preconceito que possa existir e usaremos nosso espaço para deixar bem claro que: Amamos o esporte, odiamos o preconceito (seja ele velado ou não).
