ERRAR É HUMANO, PERSISTIR NO ERRO É...
A coisa mais chata que existe é escutar ou falar: “eu não avisei?”. Pois bem, venho batendo nessa tecla nesse espaço e no Nação Tricolor desde o início do ano: Renato Gaúcho não treina a equipe. Sem nenhum trabalho de preparação, simplesmente muda todo o sistema – ainda longe de um padrão ideal – antes e durante os jogos. Na maioria das vezes leva pela individualidade dos jogadores. Bahia de Feira, Atlético-GO, Camaçari, Vitória e, por último, o Icasa, foram uns do que se aproveitaram de dias ruins dos principais boleiros tricolores.
E ele não pode reclamar de tempo. O Bahia teve seis intervalos semanais desde as semifinais do Campeonato Baiano. Só agora as partidas ficaram com curto intervalo de uma para a outra. Com exceção do duelo contra o Vila Nova – por enquanto, sério candidato ao rebaixamento – o tricolor foi mal em todos os jogos, apesar da invencibilidade e liderança. Domingo (30), no Nação, com os companheiros Dito Lopes, Thiago Mastroianni e Juliana Guimarães, em meio a euforia da torcida pelo triunfo contra o Sport e a primeira posição isolada, a opinião era unânime: o time de Renato Gaúcho venceu mais pela fragilidade pernambucana, do que por méritos próprios.
Tenho assistido a quase todos os jogos da Série B e já vi os 20 clubes em campo. Também pesquisei os elencos e planejamentos. Sinceramente, em minha opinião, o Bahia tem o melhor elenco e tudo pra subir com tranquilidade, mas precisa de muitos ajustes. A começar pela teimosia do treinador em quatro casos: a paixão pelos rachões, a manjada e improdutiva jogada de escanteio (aquela do famigerado toquinho de lado), a falta de treinamentos técnicos, táticos e de variações e, para finalizar, a repetição da escalação fracassada com os três volantes. Marcone, Leandro e Bruno Silva não podem, de jeito nenhum, iniciarem uma partida juntos. Até por que, Renato mantém a mesma postura com eles, da que utiliza com três meias ou dois atacantes. A liberdade dos laterais não aumenta com o trio. Ai, não tem como, concordam?
Para completar, ainda existe a birra com o garoto Maurício. Assim como Gaúcho, achei que faltou comprometimento do jogador no momento de sua viagem para França às vésperas de um confronto decisivo pela Copa do Brasil. O Bahia precisava da qualidade do meia. Não custava adiar o embarque em dois dias. Porém, ele não viajou escondido. O clube liberou. Ainda assim, também achei coerente não utilizá-lo nas finais do Campeonato Baiano em sua volta. Agora, esse castigo já passou dos limites e virou um rancor inexplicável. Contra o Icasa, Maurício teria sido muito útil. Ele e Vander têm um futuro grande pela frente no futebol, se coisas bobas como essa não intervirem na cabeça das promessas.
Agora, Renato tem do que reclamar. As opções de ataque atuais não têm nível para vestir a camisa tricolor. Sobra vontade a Itacaré, mas lhe falta todo o resto. Posso estar sendo precipitado, mas Aleilson me lembra muito Abimael e Amauri. Algo mais a dizer? Cacá tem chamado minha atenção nos treinamentos, mas, como diria o mestre Didi, “treino é treino, jogo é jogo”. Resta esperar por Jael em agosto e pela volta da boa fase de Rodrigo Grahl, que caiu de produção após a novelinha com o Ceará. Um atacante para “brigar” com Jael e Grahl precisa ser contratado com urgência.