DIFÍCIL DE SE ENTENDER
Se há uma coisa complicada é torcedor de futebol. Difícil, muito difícil de ser entendido. Há uma boa quantidade de torcedores sensatos, coerentes, equilibrados. Que amam os seus times, mas que não perdem o raciocínio aprumado em boas ou más situações.
Nestes tempos atuais da comunicação radiofônica, os torcedores estão praticamente tendo a mesma oportunidade dos comentaristas. Tem deles que opinam todo dia e em todas as resenhas. As diferenças fundamentais são que eles não recebem salários e nem têm compromissos com a ética. Deitam e rolam, elogiam delirantemente ou criticam de forma pesada, não raras vezes, de forma desrespeitosa. Comentarista de formação e de carreira, não. Tem que ter ética, tem que ser coerente, senão não sobrevive sequer uma temporada. E graças a Deus eu tenho vários companheiros que o fazem com muita constância e competência. Porque ninguém é perfeito para não cometer os seus deslizes.
Para mostrar que nada tenho contra os torcedores-comentaristas, vou citar uma meia dúzia deles. Fred do Chame-Chame, Henrique de La Torre, China, Carlos de Brotas, Marcelo Prado, Ricardo Nogueira... muitos outros. Críticos, rubro-negros ou tricolores, mas conscientes, educados e construtores.
O grande mestre Dante Moreira Leite, em seu precioso “O Caráter Nacional Brasileiro”, patrocinado e divulgado pela Universidade de São Paulo, em 2003, resume esta questão, afirmando tratar-se de uma característica de nossa gente, a de se julgar no direito de fazer as mais pesadas críticas, mesmo que isso resulte em grandes problemas familiares e coletivos, já que são algozes que ignoram o sentimento das pessoas e os propósitos grupais. E como somos um país devotado ao futebol, aí reside uma constatação muito prática e latente desses ensinamentos do ilustre estudioso do comportamento humano.
Vou encurtar conversa para definir o assunto: foi só eu afirmar, em discussão com Zé Eduardo, o Bocão, que o Bahia tem todos os ingredientes e merecimentos para se tornar campeão, que é o melhor time do campeonato, que tem esquema sólido e competente até para levantar a taça antecipadamente e uns aloprados e raivosos telefonaram para dizer que eu estava fazendo ironia, secando o time deles, um caminhão de abobrinhas e nabos podres.
Aí é que se explicita o questionamento do professor Dante: difícil, muito difícil de entender. Se eu dissesse que o Vitória ainda tinha chances, que o Conquista tem tudo para se tornar campeão, por ser o futebol mais atraente e descompromissado da temporada, também um magote de torcedores ia dizer que eu estava tentando tirar o mérito tricolor que, ao longo desta competição, apenas repete o que o seu maior rival fez no ano passado. Disparado em tudo: competência em campo, time muito bem armado pelo seu treinador, uma campanha que, se fosse por pontos corridos, a festa já era coisa do passado. Lembro-me agora que, ao falar essas coisas sobre o Vitória, ano passado, os da Toca reclamaram que era um grande perigo e os do Fazendão bateram os pés e fizeram beicinho.
Então, repito o que disse, sem medo de errar ou de qualquer tipo de ameaça: se há um clube que já deve desempoeirar a prateleira para colocar a taça é o Bahia. E isso é bom, porque o tira de um terrível pesadelo de não levantar troféu há cinco anos.
O resto é negócio de torcedor XPTO, sigla de um brega de quinta categoria que existe na entrada de uma cidade sergipana, onde as ex-donzelas ficam fazendo a maior algazarra, disputando clientes na beira do asfalto.
Nestes tempos atuais da comunicação radiofônica, os torcedores estão praticamente tendo a mesma oportunidade dos comentaristas. Tem deles que opinam todo dia e em todas as resenhas. As diferenças fundamentais são que eles não recebem salários e nem têm compromissos com a ética. Deitam e rolam, elogiam delirantemente ou criticam de forma pesada, não raras vezes, de forma desrespeitosa. Comentarista de formação e de carreira, não. Tem que ter ética, tem que ser coerente, senão não sobrevive sequer uma temporada. E graças a Deus eu tenho vários companheiros que o fazem com muita constância e competência. Porque ninguém é perfeito para não cometer os seus deslizes.
Para mostrar que nada tenho contra os torcedores-comentaristas, vou citar uma meia dúzia deles. Fred do Chame-Chame, Henrique de La Torre, China, Carlos de Brotas, Marcelo Prado, Ricardo Nogueira... muitos outros. Críticos, rubro-negros ou tricolores, mas conscientes, educados e construtores.
O grande mestre Dante Moreira Leite, em seu precioso “O Caráter Nacional Brasileiro”, patrocinado e divulgado pela Universidade de São Paulo, em 2003, resume esta questão, afirmando tratar-se de uma característica de nossa gente, a de se julgar no direito de fazer as mais pesadas críticas, mesmo que isso resulte em grandes problemas familiares e coletivos, já que são algozes que ignoram o sentimento das pessoas e os propósitos grupais. E como somos um país devotado ao futebol, aí reside uma constatação muito prática e latente desses ensinamentos do ilustre estudioso do comportamento humano.
Vou encurtar conversa para definir o assunto: foi só eu afirmar, em discussão com Zé Eduardo, o Bocão, que o Bahia tem todos os ingredientes e merecimentos para se tornar campeão, que é o melhor time do campeonato, que tem esquema sólido e competente até para levantar a taça antecipadamente e uns aloprados e raivosos telefonaram para dizer que eu estava fazendo ironia, secando o time deles, um caminhão de abobrinhas e nabos podres.
Aí é que se explicita o questionamento do professor Dante: difícil, muito difícil de entender. Se eu dissesse que o Vitória ainda tinha chances, que o Conquista tem tudo para se tornar campeão, por ser o futebol mais atraente e descompromissado da temporada, também um magote de torcedores ia dizer que eu estava tentando tirar o mérito tricolor que, ao longo desta competição, apenas repete o que o seu maior rival fez no ano passado. Disparado em tudo: competência em campo, time muito bem armado pelo seu treinador, uma campanha que, se fosse por pontos corridos, a festa já era coisa do passado. Lembro-me agora que, ao falar essas coisas sobre o Vitória, ano passado, os da Toca reclamaram que era um grande perigo e os do Fazendão bateram os pés e fizeram beicinho.
Então, repito o que disse, sem medo de errar ou de qualquer tipo de ameaça: se há um clube que já deve desempoeirar a prateleira para colocar a taça é o Bahia. E isso é bom, porque o tira de um terrível pesadelo de não levantar troféu há cinco anos.
O resto é negócio de torcedor XPTO, sigla de um brega de quinta categoria que existe na entrada de uma cidade sergipana, onde as ex-donzelas ficam fazendo a maior algazarra, disputando clientes na beira do asfalto.