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CAMPEÃO ANTECIPADO

Por Edson Almeida
 Repito o que eu já disse desde que o campeonato começou a desenhar o seu perfil: Bahia campeão, Conquista vice. E tudo se encaminha para uma decisão antecipada, na penúltima rodada, nos jogos Itabuna x Bahia e Conquista x Vitória. Não creio que o tricolor perca mais um ponto sequer e, quando a última rodada chegar, já pode fazer a festa das faixas.
 É bem provável que alguns companheiros, mais previdentes e com ótimas intenções, ainda estejam creditando fogo ao Conquista ou até mesmo uma possibilidade de reação do Vitória. Mas o que se pode dizer de concreto é que o Bahia, neste domingo de goleada de 4x1 em pleno Barradão, mostrou-se consciente de seus propósitos e altivo de suas intenções.
 Valendo-me da expressão mais usual do momento, na verdade o que se viu foi um Bahia robustecido por um excelente e bem treinado plano técnico-tático, fluindo em todos os seus setores, de defesa tão sólida e um meio-campo tão criativo, que nem precisou de seus atacantes para chegar sempre com muita agudez, construir inúmeras oportunidades de gols e estabelecer, já no primeiro tempo, um placar tão confortável que lhe proporcionou voltar do vestiário com o gosto e o cheiro de triunfo espargindo por todos os poros. O Vitória, ao contrário, explicitou um forte acúmulo de imprecisões táticas, de escalações equivocadas, e o que foi mais lastimável, de uma fragilidade técnica muito latente de seus jogadores. Suas laterais foram corredores expressos, seu meio-campo repousou unicamente na experiência de Ramon Menezes e seu ataque, sem Rodrigão, foi tão incipiente que causou pena e compaixão.
 Ficou mais uma vez bem definido que, enquanto Paulo Comelli tem um esquema armado, cujo desempenho mostra a sua voz de comando, jogo a jogo, minuto a minuto, o Vitória, que já era desnorteado com Oswaldo Alvarez, tornou-se muito mais debilitado com o novo treinador, Wagner Mancini, que parece aquele passageiro que acorda fora de hora, chega à estação atrasado, e ainda entra no trem ou no ônibus que vai para outro destino. Completamente fora de órbita.
 Uma constatação, porém, fala mais alto do que todas essas premissas: antecipado ou na última rodada, o Bahia campeão será apenas uma grande justiça ao time que se preparou melhor, que tem os melhores jogadores, que apresenta o esquema mais firme e competitivo da temporada. No jogo deste domingo, foram tão flagrantes todos esses predicados (Bahia) e todas essas deficiências (Vitória), que a goleada de 4x1 pareceu, quando o árbitro encerrou a partida, um resultado de duplo sentido: expressivo por se tratar de um clássico, magro, magérrimo mesmo, pelo desenvolvimento da partida. Além de Ávine, Rogério, Alysson, Fausto e Elias voltaram a ser ótimos. Houve momentos, até mesmo quando o Bahia relaxou no jogo, que a impressão era de um desses jogos em que um time grande enfrenta um adversário sem qualidade e impõe todas as normas, todos os caminhos, todas as regras. Sem qualquer medo de errar.
 Há outra coisa, também, que o clássico serviu para confirmar: que o tricolor precisa de poucos retoques para fazer uma bela Segunda Divisão e o rubro-negro, nosso único representante na Série A, necessita de muitos acertos para não ter que retornar para a divisão de origem. Precisa provar que os laterais que não podem jogar o Estadual são realmente eficientes, que os novos reforços vêm dar uma mexida substancial em uma equipe que até merece respeito no papel, mas que em campo tem sido cheia de buracos e desacertos. Sei que alguns críticos começam a me questionar sobre o aspecto de não revelar o Conquista como grande candidato ao título, mas a resposta é simples: o jogo do time do interior é, talvez, o mais bonito e envolvente, mas o do Bahia é o mais prático, o mais competitivo, e, sobretudo, o mais qualificado no aspecto de maior número de melhores atletas e de maior experiência.
 Portanto, o campeonato já tem as cores de um Bahia campeão e um Conquista vice. O Vitória ganha a taça da lição de que errou muito nas contratações e no método de preparação.