Segunda, 14 de Janeiro de 2019 - 12:52

Boletim 4x4: Fechado o cerco para proteger dunas de Jauá

por Alexandre Reis


Caminhão flagrado retirando ilegalmente areia das dunas de Jauá

A Prefeitura de Camaçari anunciou que vai intensificar, a partir desta segunda (14), a fiscalização para proteger as dunas de Jauá. O principal alvo da operação são os caçambeiros que retiram criminosamente areia das dunas com objetivos comerciais, além daqueles que despejam ilegalmente entulho nessa que é uma Área de Proteção Ambiental (APA). 
 
Os jipeiros e a turma que costuma brincar de quadriciclo na região não são alvos primordiais, embora a Prefeitura também tenha definido que, a partir desta segunda (14), vai fechar o acesso à areia das dunas na Via Parque (pista que contorna o pedágio da Linha Verde), após os condomínios. Esse fechamento será com a colocação de “gelo baiano”. Também haverá barreiras no acesso direto às dunas através da pista que liga a Via Parque e o bairro do Alto da Bela Vista, sem prejudicar a circulação dos moradores e o caminho até a praia. 

“Essas barreiras visam impedir o acesso de caminhões para a retirada criminosa de areia e depósito de lixo e entulho. Recebemos várias queixas dos moradores tanto da Via Parque quanto do Alto da Bela Vista sobre isso. Não recebemos queixas sobre outro tipo de crime ambiental”, esclareceu o subprefeito da Orla de Camaçari, Oswaldo Marcolino Filho. 
 
Fiscalização - Ele explicou que as operações de fiscalização serão intensificadas esta semana, com o apoio da área de policiamento ambiental da PM. O foco, frisou, são os caçambeiros. “Na semana passada, apreendemos um caminhão em plena luz do dia roubando areia das dunas. Agora, vamos intensificar as operações, inclusive à noite”, salientou, acrescentando que não está prevista a implantação de uma base fixa de policiamento ambiental. 
 

Equipe da Prefeitura de Camaçari em vistoria às dunas de Jauá na semana passada

“A gente já sabe os pontos específicos onde as caçambas encostam para jogar lixo e entulho, como é o caso da ligação entre a Via Parque e o Alto da Bela Vista, e também para retirar areia. Por isso vamos agir com rigor contra eles, como nunca foi feito antes. Essa é uma queixa antiga e que nunca foi combatida como vamos fazer agora”, completou Oswaldo. 
 
Sobre a questão dos veículos e da turma que pratica off road, o subprefeito afirmou que está aberto ao diálogo e que pode se reunir com os clubes para detalhar a situação. “Podemos tentar encontrar uma fórmula que garanta a preservação das dunas, e desde que respeitando o meio ambiente, para avaliar a possibilidade de viabilizarmos oficialmente práticas esportivas na região. Como já disse, o foco de nossa fiscalização são os caçambeiros”. 


Descarte irrregular de lixo e entulho é outro problema ambiental que acontece na região

Caçambeiros são o alvo de futuras operações
 
Assim que assumiu o cargo de subprefeito da Orla de Camaçari, há cerca de uma semana, Oswaldo Marcolino Filho foi logo procurado por entidades ligadas aos moradores da Via Parque e do Alto da Bela Vista para tratar da questão dos caçambeiros. “Eles me procuraram para denunciar que há muitos anos convivem com dezenas de caçambas fazendo retirada ilegal de areia das dunas, sendo a área reconhecida como APA, e, portanto, sem autorização para essa exploração, que acontece de dia e à noite”. 
 
Outra questão é o descarte irregular e indiscriminado de entulho, lixo e até animais de grande porte mortos, oferecendo prejuízos até à saúde dos moradores. Tudo isso às margens das vias de acesso à praia e demais localidades de Jauá. 

“Logo no primeiro dia de trabalho como subprefeito, fiz uma visita técnica de avaliação e planejamento, acompanhado de outros órgãos da Prefeitura de Camaçari. Enquanto estávamos fazendo essa avaliação do estrago provocado pelos caçambeiros e discutindo medidas de ação, fomos informados de que uma caçamba estava naquele momento fazendo retirada de areia em uma das dunas da região, com a ajuda de alguns jovens, alguns aparentando serem menor de idade. O caçambeiro foi preso em flagrante e está respondendo por crime ambiental”, contou. 
 
O subprefeito explicou que, além das operações de fiscalização e da implantação de barreiras formadas com “gelo baiano” para dificultar o acesso dos caçambeiros às dunas, outras medidas serão adotadas, a exemplo da instalação de equipamentos limitadores de altura em vias da região e sinalização informando sobre as proibições. 


Entidades de moradores pedem providências


Entidades ambientalistas pediram apoio dos poderes públicos contra descarte irregular de lixo
 
Associações comunitárias e entidades ambientais da região das dunas de Jauá há tempos pedem providências sobre os crimes praticados pelos caçambeiros. Em nota conjunta, a SOS Dunas e a Associação de Moradores da Rua Aquarius e Vila Parque de Jauá (AVP) cobram da Prefeitura que de fato haja uma atuação mais intensa para inibir esse tipo de crime ambiental. 
 
“Jauá vive no meio do lixo há anos. Entristece e ao mesmo revolta ver as maravilhosas dunas deste lugar degradadas e esquecidas. Além do descarte de lixo, assistimos ao roubo diário de suas areias. O governo do Estado e a Prefeitura agem como se nada tivessem a ver com isso, quando todos sabemos que é obrigação deles recolher o lixo, fiscalizar e punir o descarte irregular e impedir o saque das areias, levadas embora por caçambeiros”, diz a nota.
 
Segundo essas entidades, quem acessa a Via Parque para contornar o pedágio esbarra com lixo e sujeira por todas as partes. Elas ressaltam que a pior concentração de lixo está no desvio Via Parque/Bela Vista. “Ali, o lixo está em primeiro plano, emoldurado pelas areias das dunas”.


Parque que ainda não saiu do papel 
 

 
As dunas de Jauá estão inseridas em uma Área de Proteção Ambiental (APA Joanes-Ipitanga) e integram o chamado Parque Natural Municipal das Dunas de Abrantes e Jauá. Entretanto, apesar de existir no papel desde 1977, instituído pelo Decreto-Lei nº 116/77, o parque, com seus 1.200 hectares (ou 12 milhões de metros quadrados), nunca foi implantado de fato. Para os ambientalistas, isso acabou favorecendo a exploração ilegal de areia e jogada de lixo e entulho na área. 

As dunas são caracterizadas pela vegetação de restinga que, no passado não muito distante, podia ser vista em quase toda orla atlântica de Salvador. A vegetação está adaptada a suportar altas temperaturas, salinidade e baixa disponibilidade de nutrientes no solo, mas apesar da aparente robustez, é um ecossistema considerado bastante vulnerável à ação humana.
 
 
 

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