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OTIMISMO E PESSIMISMO

Confesso que fui movido por uma grande dose de otimismo para o Barradão, nesta quarta-feira, mesmo sabendo que o Vitória enfrentaria um sempre difícil adversário e que precisava ganhar por uma diferença de dois gols. Até questionei se não seria porque, algumas horas antes, havia lido um artigo do professor Daniel Cruz, sobre esse negócio de otimismo e pessimismo, em que ele começa citando a extraordinária sentença de Fraçois Guizo que afirma que “os pessimistas são meros espectadores, enquanto os otimistas são os que transformam o mundo”. 
Claro que o pessimista fica sempre à espreita do fracasso, enquanto o otimista leva, no fundo da alma, uma ponta de esperança, mesmo diante de inauditas batalhas. Porque os otimistas, em todos os seus gestos e ações, deixam exalar uma energia brilhante, suas personalidades são sempre alegres, felizes e leves. Os pessimistas, bem ao contrário, espargem sentimentos negativos e de tristezas.
O otimista também é um sonhador. Sem ele, jamais teríamos descoberto o jornal, a eletricidade, o rádio, a tv, a Internet. Os inventores, por definição, são pessoas que acreditam na realidade de algo que não podem ver. Procuram também concretizar seus sonhos à luz dos fatos constatados. Um pessimista não poderia ser um inventor, pois perdeu a capacidade de sonhar.
E foi justamente assim que encontrei vários amigos rubro-negros, do estacionamento até a cabine de rádio, todos alegres, de espíritos leves, otimistas e sonhadores. Afinal de contas, dois dias antes, no empate contra o Feirense, por 4x4, mesmo jogando com um time misto, o descontentamento era geral. Nem pataca, nem vintém, só descrédito.  Mas o amor de futebol tem um fenômeno impressionante: foi só o Vitória fazer algumas contratações de bom nível para reforçar o time e os quase 15.000 torcedores que foram ao jogo com o Paraná Clube parece que levaram uma expectativa otimista que estava guardada lá no fundo do baú, a sete chaves.
Na verdade, o Vitória melhorou consideravelmente. Não diria que foi o novo esquema tático do treinador, o Wagner Mancini, mas a lembrança que ele ressaltou aos seus rapazes que era preciso ter atitude. Antes, o nosso campeão era um time lento, burocrático, jogava com atalhos cheios de obstáculos, transpirando mormaço e arrogância; neste jogo, conquanto não tivesse sido brilhante, entrou com atitude: buscando o gol, lutando com garra e determinação. E mesmo quando a torcida caiu na real, após vibrar com o 2x1, lance a lance, mas o resultado não classificava o time, não vaiou, não protestou, nem deixou no ar do estádio aquele bafo de insatisfação e descrença, já habitual neste início de 2008. E até saiu jurando que o seu time agora entra definitivamente no páreo como um dos favoritos ao título estadual.
Eu acho que o Vitória tem alguns problemas estruturais – e o mais grave deles é a falta de equilíbrio técnico, tático e emocional. Sua defesa é bastante vulnerável, seus laterais não fazem o jogo fluir com firmeza e criatividade, havia jogadores que pareciam não entrar no jogo. Mas o grupo é bom, os que estão chegando são todos de boa qualidade e creio mesmo que, até o Brasileiro da Série A começar, o Wagner Mancini terá um bom tempo para detectar problemas e encontrar soluções.
Quanto à conquista do bi estadual, deve prevalecer mesmo esta luta entre otimismo e pessimismo. Buscar o ponto da estabilidade psicológica. Porque pelo menos Bahia e Vitória da Conquista ainda estão na frente da opinião popular e da imprensa.