Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Coluna

Coluna

NÚMEROS, LETRAS E RESULTADOS

No meu tempo de menino (ih, Já faz tempo!), os números não tinham tanta importância como hoje. Números sempre foram números, desde que os orientais inventaram esse negócio de contar, mas não eram utilizados com tanta diversidade. Assunto muito polêmico, uns historiadores dizem que foram os orientais (árabes, indianos, chineses...), mas há quem coloque em dúvida essas afirmações, pois quando Colombo e seus amigos chegaram à América, já encontraram os nativos, também vindo de culturas milenares, com muita noção numeral. Conta uma lenda que em certa tribo asteca macho que era macho tinha 10 mulheres e 100 filhos, contados e multiplicados nas pontas dos dedos.
Antes, os homens primitivos não tinham necessidade de contar, pois o que necessitavam para a sua sobrevivência era retirado da própria natureza. A necessidade de contar começou com o desenvolvimento das atividades humanas, quando o homem foi deixando de ser pescador e coletor de alimentos para fixar-se no solo. Aí começou a plantar, produzir frutas e cereais, construir casas e fortificações, domesticar animais, obtendo lã e leite, usando, mesmo que de forma primitiva, até mesmo inconsciente, uma numerologia que acabou nesta tal de Matemática.
E semelhante é a história da Ortografia, que é a parte da gramática normativa que ensina a escrever as palavras de uma língua, definindo o sentimento humano. Mas, voltando aos números, nos meus anos de criança, há 50 anos, mesmo sendo um aluno aplicado, eu só me importava mesmo para utilizá-los na hora de contar as moedas economizadas da mesada paterna, colocando-as em um cofrinho de porco feito de barro. Menino fazer poupança em banco era coisa inimaginável.
De uns tempos pra cá, os números passaram a se confundir com as letras. Seguramente a linguagem universal mais prática, mais acessível, mais explicativa. O sujeito abre o jornal ou acessa a Internet e está lá, tudo em números, a cotação da moeda, a temperatura de tudo que é lugar, o percentual de preferência ou desaprovação de eleitores, as possibilidades de cada pessoa ou objeto em todas as atividades humanas. Tudo é número. E o mais fascinante é esse negócio de projetar vitórias e derrotas, sucessos e fracassos, através dos números. Isso é porreta, quase infalível. Vez por outra é que dá errado, então é um bafafá retado e tem especialista que até perde o emprego ou cai em descrédito.
Para não encompridar essa conversa, o que quero dizer é que o futebol também tem se valido quase que invariavelmente dos números. E o nosso grande Vitória vai ter que se virar, nesta quarta, enfrentando o Paraná Clube, pela Copa do Brasil, e no quadrangular decisivo do Estadual, contra os rivais caseiros Bahia, Vitória da Conquista e Itabuna, para superar a triste realidade numérico-estatística que lhe acompanha neste momento.
No estadual, já mostrei, neste início de semana, que foi o pior no confronto dos quatro, muito pior do que a sua oscilante campanha para chegar em terceiro; e na Copa do Brasil, seu histórico é uma trágica comédia contra o Paraná. Em 1992 foi a uma decisão de Brasileiro da Série B, perdeu em Curitiba (2x1) e na Fonte Nova (1x0) e na Copa do Brasil, em 1996, empatou em Salvador (0x0) e perdeu lá (1x0), mesmo resultado do primeiro jogo desta nova guerra contra o tricolor paranaense, que só não leva vantagem em Brasileiros da Série A: 13 jogos, cinco vitórias para cada um, três empates. O que pretendo dizer com tudo isso é que só há um jeito para o campeão baiano desfazer o tal enredo dos números: lutar, lutar, lutar. Verter suor em forma de sangue, como pedia o saudoso Gentil Cardoso aos seus soldados da bola.
Porque os números, que surgiram como mecanismos da Matemática para descrever quantidade ou medida, nestes tempos modernos estão sendo instrumento de alívio ou traumas psicológicos, definindo o bom ou o mau comportamento humano.