BAHIA FAVORITO, VITÓRIA ZEBRA
Por Edson Almeida
O confronto entre os quatro finalistas mostra uma situação inusitada nos últimos anos: o Bahia, que tem decepcionado há quase uma década, chega como inquestionável favorito e o Vitória, detentor de indiscutível hegemonia, aparece como zebra. Porque as campanhas dos times, se a gente faz um campeonato particular entre os quatro na fase de classificação, encontra o tricolor como líder absoluto e o Vitória lanterna, de forma até muito desoladora para a sua torcida.
Feita esta análise, após o triunfo do Vitória da Conquista sobre o Itabuna (3x1) no último jogo que restava entre os finalistas, o comparativo ficou assim: em primeiro, disparado, o Bahia, 14 pontos, 4 vitórias, 2 empates, 8 gols a favor, 3 contra, saldo de 5, aproveitamento de 77,7%; em segundo, o Vitória da Conquista, 8 pontos, 2 vitória, 2 empates, 2 derrotas, 10 gols pró, 9 contra, saldo de 1, índice de 44,4%; em terceiro, o Itabuna, 6 pontos ganhos, 1 vitória, 3 empates, 2 derrotas, 6 gols pró, 12 contra, saldo negativo de 6, aproveitamento de 33,3; e no último, de forma até constrangedora, o Vitória da capital, com apenas 4 pontos, fruto de 1 vitória, 1 empate, 4 derrotas, 10 gols marcados, 9 sofridos, saldo de 1 gol, 22,2%.
Para tirar qualquer dúvida sobre esta análise, é bom recordar os resultados entre os quatro finalistas: Itabuna 1x1 Vitória da Conquista; Vitória da Conquista 2x1 Vitória; Itabuna 1x1 Bahia; Vitória da Conquista 1x2 Bahia; Vitória 0x2 Bahia; Itabuna 2x1 Vitória; Vitória 6x0 Itabuna; Bahia 1x0 Vitória; Bahia 2x1 Vitória da Conquista; Bahia 0x0 Itabuna, Vitória 2x2 Vitória da Conquista e Vitória da Conquista 3x1 Itabuna.
Volto a dizer que entendo o futebol como uma das atividades mais dinâmicas, sujeita a alterações e surpresas a cada rodada, a cada disputa, a cada momento. Mas, mesmo assim, o mínimo de lógica que pode apresentar, converge para a afirmação de que o Bahia se encaminha na busca de mais um título e sua reabilitação dentro deste Século, o Vitória da Conquista aparece como segunda maior opção, o Itabuna um pretendente que precisa ser mais ambicioso nos jogos fora de casa e o atual campeão e nosso único representante na primeira divisão nacional, o Vitória, terá que superar sua omissão técnica para ganhar a crença de poder voltar a levantar a taça.
Entre os dois mais poderosos, há verdades que foram escritas sem qualquer tipo de dúvida ao longo desta fase classificatória: o Bahia, diante das dificuldades de lhe falarem recursos e até um estádio para abrigar os seus jogos, tendo que vaguear entre Camaçari e Feira de Santana, acertou na contratação de um técnico competente, Paulo Comelli, que incutiu na cabeça dos jogadores um esquema equilibrado, de procura incessante do triunfo, que sempre impôs estilo e competência contra todos os adversários; o Vitória, mandando seus jogos em uma bela praça esportiva de sua propriedade, o Barradão, tendo investido múltiplas vezes que o rival, mantido um técnico que muito contribuiu para a sua volta à divisão de elite, o Oswaldo Alvarez, mas que emperrou diante da primeira tentativa e não conseguiu dar cara a um esquema tático, rodada sobre rodada. Por isso mesmo teve que ir buscar o Wagner Mancini para comandar o time nesta reta final e decisiva.
Pode até ser tudo muito diferente, mas o que se vislumbra é o Comelli tem agora a tarefa de manter o ritmo de seu apreciável trabalho e Mancini, ainda pisando em terreno duvidoso, recuperar a forma ousada de jogar, que fez do Vitória o maior vencedor dos últimos campeonatos. E essa é uma missão muito difícil, porque é a mesma coisa que alguma pessoa tentar encontrar objetos que outros perderam. Sem a noção de tempo e de espaço. Só na intuição e na sorte para acertar.
O título de 2008 tem, também, outros aspectos que não podem ser desprezados: aos clubes do interior, a chance de ganhar os 12 pontos que vão disputar em casa e arrancar alguma coisa fora de seus domínios; à dupla Ba-Vi a necessidade de somar pontos no interior e ganhar os dois clássicos, que voltam a ser o diferencial para ambos.
A rodada de abertura desta decisão, com o tricolor jogando em Vitória da Conquista e o rubro-negro em Itabuna, poderá confirmar ou mudar essa expectativa. Porque, antes de a bola rolar novamente, qualquer pessoa sensata entende que dos dois grandes, Bahia é favorito, Vitória zebra.