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PATO, ANANIAS E ITABUNA

Quarta-feira de muito futebol, mas como ganhei uma folga na jornada da Transamérica FM, fiquei tarde e noite diante da tv, controle remoto na mão, mesmo sabendo que esse é um procedimento desaconselhado pelos geriatras, que entendem que os que estão com o atestado de validade vencendo tem mais é que se movimentar bastante para não se entrevar com mais rapidez.  
De certo modo, só fiquei meio estressado quando os bons companheiros Sílvio Mendes e Raimundo Varella tiveram que encher uma lingüiça danada, enquanto esperavam o bendito sinal do jogo do Bahia, em Camaçari, que só deu ar da graça no segundo tempo. Em minha casa, em dia de jogos que não estou trabalhando, até parece hospício. Televisão girando em todos os canais – e nesta rodada a Record, a Bandeirantes e a Globo estiveram em atividade – o rádio ligado na Transamérica, de vez em quando, também, procurando ouvir a opinião de amigos de outras emissoras. Diria até que esta deve ser uma loucura de tudo que é locutor, repórter, comentarista, jornalista esportivo. Uma saudável loucura!
Confesso que ganhei muito com esse meu malabarismo. Durante a tarde, de olho na Globo, o amistoso comemorativo dos 50 anos do primeiro caneco mundial, entre Brasil e Suécia, em Londres, de chato e pachorrento, acabou mostrando que realmente o menino Pato é um artista. À noite chegou, torcendo com Sílvio e Varella para o sinal da Itapoan-Record entrar logo, vi, em apenas um tempo de jogo, outro menino, o Ananias, mostrar que realmente ganhou uma posição no atual time do Bahia. Fico muito feliz quando vejo jovens atletas, ainda na flor da idade, com tanto talento. Sem ter medo de desafios, derrubando a velho e venenoso conceito de que camisa de time grande ou de Seleção pesa, essas coisas de gente morrinha e desajustada, de gente mal resolvida, que nunca jogou bola e não consegue entender que o craque só espera uma oportunidade para explodir sua arte.
Guardada as devidas proporções, Pato e Ananias foram os astros da quarta-feira. O da Seleção e do Milan jogando diante de 60 mil torcedores, em Londres, com mais um bilhão de telespectadores testemunhando sua belíssima estréia; O do Bahia só teve 700 fiéis torcedores e os efeitos da mídia de uma televisão local. Alexandre, o Pato, entrou faltando trinta minutos para o jogo acabar. E o transformou em três ou quatro lances, sendo que no mais agudo, infernizou a vida do goleiro, ficou com a bola fora da área, na lateral, e sem ângulo, fez um gol antológico. Tudo muito rápido, só mesmo quem é predestinado para se tornar ídolo constrói uma jogada tão genial. Ananias, o do rabo de cavalo, pequenino, franzino, deixa a impressão de uma grande fragilidade superada pela movimentação, pela consciência, pelo talento. Arma, desarma, corre pra direita, vai pela esquerda, entra pelo meio, resolve chutar uma bola como aquela que acabou em um dos mais bonitos gols deste campeonato.
E ditas essas coisas, parece-me que o Bahia se encaminha para o seu 45º título estadual, apesar das grandes dificuldades da falta de um campo próprio, nômade e sem recursos financeiros, o que valoriza ainda mais a sua brilhante campanha. Paulo Comelli encontrou, de forma mágica, o jeito simples e eficiente de um time jogar. Ganhou do Atlético por 4x1 e poderia ter dobrado o placar. Os dois Vitórias, já classificados, ganharam fora de casa: o de Conquista, de virada contra o Colo-Colo, 3x2, e o da capital, diante do Ipitanga, também 3x2, só que chegou a colocar 2x0, deixou empatar, para conseguir um golzinho já nos acréscimos.
Ah, sim, parabéns ao Itabuna, que ficou com a quarta vaga. Ganhou do Fluminense, por 2x1 e viu ruir as esperanças de Colo-Colo e Atlético. Ferreira é realmente um técnico predestinado. Esse time promete, está melhorando a cada jogo. Pêsames para o Juazeiro, que fez tanta coisa errada que conseguiu ser rebaixado em jogo contra o seu companheiro de má qualidade, o Poções.