Noite dos erros
Estou oficialmente gozando do período de férias. Obrigatoriamente, neste período, estaria afastado das atividades do site. Infelizmente, eu não resisti. O que aconteceu na partida entre Bahia e Santa Cruz, dentro e fora de campo, jamais pode se repetir no restante da temporada. Estou me referindo a duas ‘pessoas’: Marquinhos Santos e Arena Fonte Nova.
O segundo, quando cheguei ao estádio por volta das 21h, horário próximo ao início do jogo, fiquei surpreso com duas imensas filas: Ladeira da Fonte das Pedras e Dique do Tororó. A partida começou, Bahia abriu o placar e tinha gente do lado de fora. Motivo? Sistema da venda de ingressos caiu, e não foi a primeira vez. Na comercialização para o jogo contra o Fluminense, último de 2013, aconteceu a mesma coisa. Nesta quarta-feira, ao saber do problema, o Bahia pediu que os portões fossem abertos, com a partida já em andamento. Pedido negado. Torcedor, coitado, ficou horas na fila, perdeu tempo e não assistiu ao time do coração.
Quanto ao treinador, o assunto é mais delicado. Antes da bola rolar cometeu dois erros. É incompreensível no início do ano, sem tempo para treinar, um técnico escalar Rafinha e Rhayner, sem a presença de um centroavante. Branquinho centralizado, como falso camisa 9, não deu certo. E não vai dar porque ele não tem características e estrutura física para isso. Inúmeros cruzamentos chegaram à área do Santa Cruz, sem sucesso. O gol, por exemplo, foi após a defesa do Santa Cruz cortar um cruzamento. Sem falar na superioridade dos zagueiros pernambucanos nas jogadas aéreas, que foram muitas pelo tamanho dos atacantes do Bahia, e na liberdade para sair jogando. Isso também culpa da marcação recuada do tricolor baiano.
A segunda falha está no setor de criação. Qual motivo para tirar Anderson Talisca e colocar Fahel desde o início do jogo? A equipe, com o atleta da base, poderia muito bem atuar na formação que ele utilizou com três volantes: 4-3-1-2. Na segunda etapa, quando Talisca já estava em campo, Marquinhos fez o que deveria ter sido feito antes da bola rolar. Centralizou Fahel (que para mim não pode mais ser titular), colocou Diego Felipe na direita e Talisca na esquerda. Isso só aconteceu porque Madson foi substituído, obrigando Marquinhos a improvisar Rafael Miranda. Estava, naquele instante, consertando uma das falhas.
E não é que ele conseguiu desfazer o acerto e deixar o time ainda pior? Rafinha, cansado, saiu. E o treinador, com a vantagem do placar, decidiu colocar o jovem Anderson Melo, mesmo quando tinha outras três opções para o ataque: Rafael, Zé Roberto e Ítalo Melo. Minha queixa não está no jogador, mas na opção tática.
Entrada de Melo, naquele momento, seria mais um erro. E foi isso que ele fez. Ao tirar o atacante, incorretamente, botou o volante. Ou seja, além de recuar a equipe, Marquinhos Santos fez mais ‘duas modificações’ em uma única decisão. Alterou o posicionamento de Diego Felipe, o colocando para esquerda. Pegou Anderson Talisca e o adiantou, posição que ele já mostrou não render tão bem em 2013.
Somatório de erros que resultou no empate do Santa Cruz. Mais que isso: Bahia sem criatividade, preocupado em marcar atrás da linha do meio de campo, sem qualquer poderio ofensivo. Que a história desta noite, dentro e fora de campo, jamais se repita.
