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Arena e o torceDOR

Por Felipe Santana

Arena e o torceDOR
A coluna terá um tempo de validade muito curto, é verdade, em virtude do tema escolhido. Só que os meus sentimentos, dentre eles a indignação, falaram mais alto. O que aconteceu jamais pode ser repetido. Chega de cerimônia e vamos direto ao assunto, Felipe. Aliás, ao drama enfrentado por torcedores do Bahia, no dia 5 de dezembro de 2013. Meu pai, entusiasmado com resultado contra o Cruzeiro, resolveu ir ao estádio. Atitude inédita neste ano. A procura estava intensa, mas acreditei que conseguiria um bilhete para ele. Consegui. Mas, até sair do guichê da Arena Fonte Nova, vivenciei algo que até para descrever é difícil.
 
Uma cota de 3 mil ingressos promocionais seria comercializada a partir das 8h, além dos outros setores mais caros. Cheguei por volta das 9h40, na Ladeira da Fonte das Pedras, e me deparei com uma longa fila. Bote grande nisso. O sentimento dos tricolores era um só: minha última chance de assistir ao jogo contra o Fluminense no qual o time carioca pode ser rebaixado. E, sem dúvida, esse é o pensamento de todos que estarão na arquibancada. A fila comum estava em direção ao Dique Tororó, usei a expressão ‘sem fim’ no Twitter ao postar uma foto. 
 
Eram apenas três homens responsáveis por organizar a venda que, por sinal, estava desorganizada. Muita gritaria, demora na hora de retirar o bilhete e gente imprensada nas grades. Alguns estavam lá desde às 6h da manhã. Sorte dos três que os policiais militares presentes resolveram abraçar a causa. Ajudaram a organizar as filas, cobraram agilidade na venda e minimizaram o caos. São, se não estou enganado, dez guichês. Somente seis estavam abertos. Por quê? Só Arena Fonte Nova é capaz de responder. Um para sócios, outro para idosos, enquanto o restante foi destinado para os torcedores comuns.
 
Entrei na fila destinada para os sócios que, para minha sorte, era a menor. Isso não significou muita coisa. A demora era para todos. Deu pena dos idosos. Prioridade que não valeu de nada. Tomaram chuva, não conseguiam ter informações necessárias, ficaram em pé durante muito tempo e lá sabe Deus se conseguiram garantir presença no jogo de domingo. 
 
O que falar dos cambistas? É impressionante a capacidade desses cidadãos em querer enganar, atrapalhar e lesar os demais. Uma senhora, com a criança no colo, conseguiu comprar. Pouco depois, de roupa trocada, tentou fazer o mesmo. Ninguém deixou passar. Ao ser retirada pelo PM, encontrou um cara. O mesmo, não satisfeito, pediu para dois senhores na fila comprar ingressos para ele. Até quando eles terão espaço na sociedade? Será preciso que a população tome providências? Espero que não.
 
A manhã continuou angustiante. O sistema da venda de ingressos caiu mais de três vezes neste período. Os três rapazes, que depois ganharam reforço de uma pessoa da Arena, eram alvos de xingamentos, reclamações e só poderiam responder de uma forma: pedindo paciência. O tempo passava e as filas continuaram longas. Os policiais mais uma vez entraram em cena e conseguiram, de uma maneira nada carinhosa, ordenar a fila comum. Parabéns porque, sem usar a violência, mas impondo respeito, resolveram.
 
Eu, após uma hora e meia, sai com o bilhete do coroa na mão. Feliz e ao mesmo tempo preocupado. Me perguntei várias vezes: Até quando os torcedores terão que ser tratados desta forma? Não me venham falar que deixaram para cima da hora. Um pouco mais de atenção, organização, disciplina e qualidade não vai matar ninguém...