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Primeiras impressões

Por Éder Ferrari

Primeiras impressões
Esse momento não é só de transição de diretoria no Bahia. Também é de os torcedores saberem lidar com as primeiras impressões dos novos comandantes. É saber andar sob aquela linha tênue que separa o antigo do novo. Para a imprensa, talvez, seja ainda mais importante ter bons olhos para separar e analisar. Não pode baixar os olhos e nem cobrar algo fora do alcance. O bom senso deve sempre permear os questionamentos. Existem legados destrutivos e erros atualizados por isso. Também os novos equívocos.
 
Vejo muita precipitação em algumas cobranças. Uns cobram contratos revistos como se fossem unilaterais. Outros exigem contratações fora da realidade e, principalmente, do momento da temporada. Querem demissões indiscriminadas, sem pensar em competência ou encargos trabalhistas para o clube. É preciso analisar todos os pontos e, aos demitidos, negociar acordos que não sangrem ainda mais as contas. E me parece isso que está sendo feito por Reub Celestino. Não estou defendendo a equipe de Fernando Schimdt (até por que têm grandes advogados para tal) e sim sendo justo para analisar o antes e o depois. A situação merece urgência, mas principalmente cuidado. 
 
 Tudo se resume a uma única palavra: dinheiro. Principalmente a falta dele! Como não é segredo a ninguém a secura dos cofres do clube, fica ainda mais difícil resolver tudo da noite para o dia. O outro lado dos contratos antecipou verbas e não tem motivos emergenciais para mudá-los. Assinaram acordos compensadores e pagaram adiantado. Por qual motivo vão querer mudar isso facilmente, correndo risco de não ter o mesmo retorno que têm/teriam? Rever contrato não significa que terá êxito imediato. Quando se envolve muito dinheiro e variáveis de negociação, um novo acordo exige cuidado e tempo. Rasgar contrato é rasgar planejamento.
 
Quem poderia liberar jogador sem custos, acabou barrado pelos treinadores. Oswaldo Oliveira (Botafogo), Dunga (Inter), Muricy Ramalho (São Paulo), Cuca (Atlético-MG) e Marcelo Oliveira (Cruzeiro) fecharam as portas dos elencos. Não liberam ninguém! “Ah, então pega alguém na Série B”. É mais fácil falar do que conseguir. Nenhum clube vai liberar um cara de destaque sem contrapartida financeira. E a nova diretoria ainda não conseguiu nem colocar os salários em dia. Impossível imaginar conseguir, por exemplo, R$ 1,5 milhão para tirar Assisinho do Fortaleza. Talvez esteja faltando criatividade na busca, mas eu não tenho grandes expectativas sobre reforços, mesmo sabendo da necessidade e urgência. 
 
Diretamente sobre nomes, me intriga a participação de Sidônio Palmeira na nova diretoria. Não tenho nada pessoal e acho que tem todo o direito de trabalhar onde quiser, mas queria saber se ele está apenas ajudando “em um momento de emergência”, ou se, de fato, toma decisões. Criaram um cargo (da boca para fora) que não existia, para justificar a presença tão ativa de Sidônio nas deliberações. E, publicamente, ele toma a frente para falar pelo Bahia como se a palavra final fosse dele. Toda a ajuda é bem vinda (e ele foi fundamental para todo esse processo acontecer), mas que seja apenas isso ou que oficialize o cargo com salário e carga horária. Até por que, a meu ver, quem deve ser assessor especial da presidência, é o co-presidente, Valton Pessoa. Ele, Fernando Schimidt e os gerentes dos departamentos, são suficientes para tomarem as decisões do dia a dia. Para todo o resto, além deles, existe o Conselho Deliberativo.  
 
Outro nome que, alertado pelo aspira Felipe Santana, chama atenção é o do economista e psicólogo Miguel Kertzman. Busquei informações sobre ele e o máximo que soube do trabalho no futebol, é que foi indicado pelo banco Opportunity para fazer parte da diretoria em 2004. Não fez nada que deixe muitas lembranças. Basicamente, foi à única informação que consegui sobre ele no FUTEBOL. Repito, para ficar bem claro. Ainda preciso saber qual será a função verdadeira que irá exercer na divisão de base. Se será algo burocrático ou se fará algo mais direto na captação e formação dos garotos. Acho um departamento extremamente importante para ser entregue por amizade e não experiência, estudo, conhecimento e competência para tal. Espero estar enganado. 
 
Cristóvão
 
Arrisco dizer que a partida contra o Botafogo foi uma das três melhores do Bahia na temporada. É fato que não foi um feito muito difícil, mas o tricolor precisava de uma atuação dessas para recuperar a confiança perdida. E muito disso passou pelas escolhas técnicas e táticas de Cristóvão Borges. A primeira foi o posicionamento avançado. A marcação feita na frente tirou os espaços do Botafogo e, em consequência, abriu campo para os contra-ataques em velocidade com William Barbio e Marquinhos Gabriel. Foram várias chances criadas no primeiro tempo. O gol sofrido em falha de Marcelo Lomba, que se recuperou com sobras no segundo tempo, foi um pecado.
 
Cristóvão conseguiu recuperar a postura dos melhores momentos do Bahia no Brasileiro. Teve um momento de desencaixe, no início do segundo tempo, pelo time ter sido surpreendido pela saída de Seedorf. A forma de marcação teve de mudar completamente, já que Hyuri tem características completamente diferentes. Assim que ela encaixou e o tricolor retomou o domínio do jogo, Cristóvão fez uma mudança surpreendente e decisiva: Wallyson no lugar de Madson, que voltou bem do período de proteção. Várias oportunidades foram criadas e, finalmente, veio o empate com Fernandão. Destaque para o lançamento de Hélder para o Wallyson. Por sinal, Hélder, com esse lance, compensou à tarde ruim com a bola nos pés. Errou demais! Na marcação foi bem.
 
A virada veio em um gol impedido de Obina, mas Lucas Fonseca foi puxado descaradamente no lance. Uma infração anula a outra? Pode isso, Arnaldo? O fundamental desse triunfo foi mostrar a Cristóvão que, por mais que o elenco seja ruim, existem alternativas para variar o sistema (não confundir com esquema) de um jogo para o outro e durante com substituições mais inventivas. A briga contra o rebaixamento segue dura, contudo com um alento de confiança para o restante da temporada.