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SÓ RESTA TORCER

Começo essas linhas ainda meio abalado com a lista de convocados por Dunga para a Copa do Mundo. Mesmo consciente de que surpresas seriam um milagre, ainda torcia para o treinador quebrar sua coerência com cara de fidelidade radical. Fiquei só na vontade. A coletiva do ex-capitão pós-convocação foi muito bonita, mas não me convenceu. Comprometimento não é desculpa. Qualquer jogador meia boca tem isso nesse caso. Seleção Brasileira valoriza demais amigo.


Aliás, não existe explicação que me faça entender Doni, Gilberto, Josué, Kléberson, Júlio Baptista e Grafite. Outros eu não teria levado (coloquei meus escolhidos em minha última coluna) como Gomes, Elano e Nilmar, mas esses eu entendo a chamada. Vou explicar meus motivos sobre os que eu excluiria. O goleiro, que nunca foi grande coisa, passa por uma fase terrível e vem comendo banco de Júlio Sérgio – também brasileiro - na Roma. Falar em injustiça é pouco para consolar Victor, Diego Alves, Fábio e Bruno, superiores em tudo tecnicamente ao queridinho. Alivia o fato dele só entrar em campo na África do Sul por uma bruxa muito grande.


Sobre Gilberto, ele não atua na lateral esquerda há muito tempo e, quando o fazia, nunca fez nada demais. Se experiência e falta de opção são os motivos, era melhor levar Roberto Carlos. Josué nunca me convenceu mesmo quando estava no auge em sua época de São Paulo. Hoje em dia, não consegue se destacar no meeiro Campeonato Alemão. Kléberson é reserva do Flamengo. Não precisa falar mais nada, né? Hernanes tinha de fazer mais o que no São Paulo para estar na lista? Chego agora ao ponto que mais me entristeceu - espero que ele queime minha língua como fez na Copa América. Nem vou levar em conta seu momento na Roma, onde fica feliz quando joga os 20 minutos finais. Mesmo se fosse titular e estivesse em grande forma, vejo na frente de Júlio Baptista pelo menos cinco jogadores: Ronaldinho Gaúcho, Paulo Henrique Ganso, Diego, Alex (Fenerbahçe) e Alex (Spartak de Moscou). Para finalizar, Grafite. O atacante jogou 27 minutos do último amistoso e foi o suficiente. Isso garante alguma coisa? Não seria melhor apostar em Neymar, para ficar só no mais badalado? Cadê a tão propalada coerência? Entendo a ausência de Adriano, que praticamente pediu pra ficar de fora com suas indisciplinas, mas, como me falou um amigo, “era melhor ter chamado um hidrocor logo!”


Mas essa revolta inicial vai passar se os resultados saírem. Vou torcer muito, como sempre torci, e espero não voltar aqui choramingando a ausência deste ou daquele jogador. Dunga, mais pragmático do que o significado da palavra, se apega aos resultados e tem sua razão nisso. Desconfiado como é, vai com seus chapas até o final. Os títulos da Copa América, da Copa das Confederações e a liderança nas Eliminatórias falam por ele. Agora, só me resta torcer para que os titulares – principalmente Kaká e Luis Fabiano – não se machuquem e cheguem em junho voando baixo. Que Daniel Alves consiga superar Elano e Ramires e ganhe a vaga. Assim, temos condições reais de ganharmos o hexa. Apesar de algumas aberrações no grupo, o time titular é muito forte e tem tudo para fazer uma grande Copa. Só nos resta torcer.