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Ingredientes

Por Éder Ferrari

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Na entrevista coletiva pós-jogo, Caio Júnior afirmou que não se surpreendeu com a maneira de jogar do Bahia, por que havia assistido as últimas três partidas e o posicionamento foi o mesmo. Discordo. O esquema tático realmente foi o mesmo, mas o sistema de jogo não. Diferente de Fahel, Feijão não ficou colado nos zagueiros, o que tirou o espaço de articulação rubro-negra na intermediária. Cajá e Camacho sumiram. Basicamente defensivos nos últimos duelos, Madson e Raul foram bem mais ativos ofensivamente. Com Hélder, mesmo fazendo algumas presepadas, a equipe ganhou miseravelmente um organizador. Não toca só de lado como Diones e Fabrício Lusa. 
 
O equilíbrio pregado por muitos no jogo não foi tanto assim. Estrategicamente, o Bahia foi muito superior e impôs o estilo. Conseguiu anular o estilo veloz do Vitória, principalmente de Nino e Maxi e deu botes certeiros para vencer a partida, porém desperdiçou as, pelo menos, seis oportunidades de marcar. O rubro-negro, basicamente, se limitou aos cruzamentos na área. Algumas poucas vezes, conseguiu triangulações pelos lados e armaram boas jogadas, mas a zaga foi superior na antecipação. Foram duas grandes chances. A primeira em um contra-ataque na etapa inicial. Rafael Miranda tocou mal para Feijão. Escudero ganhou a bola e lançou Maxi, que deixou Titi no chão e chutou rasteiro. O gol só não saiu, por que Lucas Fonseca chegou abafando e tirou o espaço do argentino. A outra foi no início do segundo tempo. Escudero fez o que quis com Rafael Miranda e por pouco não faz um golaço em chute colocado.
 
Insisto que a maioria dos brasileiros não entende a função do lateral. Da maneira que o Bahia joga, é fundamental o posicionamento defensivo e o apoio só na boa. Madson esteve em ótimo dia. Ganhou na velocidade, no mano a mano e, quando o Vitória conseguiu triangular em cima dele, se recuperou e cortou a bola dentro da área. Em duas oportunidades, saiu uns quatro metros atrás e fez a cobertura de Lucas Fonseca de maneira perfeita. É claro que os erros nos cruzamentos irritam e precisam ser treinados com urgência, contudo em todo o resto foi muito bem. Com as ultrapassagens que faz, se conseguir acertar o pé será decisivo. Madson já melhorou muito no tempo de bola defensivo, nas jogadas aéreas. Raul chegou menos à linha de fundo, mas também foi muito bem na defesa, principalmente no segundo tempo. 
 
Feijão é um caso a parte. Que ele tinha capacidade para ser o dono da posição nunca tive dúvidas. Questionava apenas a maturidade, se já estava pronto para ser titular do profissional, mas já tinha comprovado que isso não seria problema. Sempre que entrou no decorrer das partidas, se mostrou muito tranquilo. Inclusive no BaVi do 7x3. Qualquer duvida sobre isso foi sanada. Em um clássico cercado de pressão sobre o Bahia, Feijão colocou o paletó e a gravata e foi preciso no posicionamento. Foi um carrapato na marcação e, apesar de uns passes errados, deu outra conotação a saída de bola e ainda deu bons lançamentos. A superioridade sobre Fahel é gritante! Sem o menor medo de ser precipitado, Feijão não pode mais deixar o time. E digo mais. Pelo carisma, entrega e origem, tem tudo para ser um ídolo. A torcida precisa ter paciência e apoiar o guri. Vai longe!
 
Talisca finalmente voltou a jogar bem, mas segue não rendendo o que pode. Jogar quase como um atacante pela direita, sem tantas responsabilidades defensivas, tem o tornado displicente e relaxado na recomposição. Essa postura que me deixa com receio de colocá-lo para fazer a função hoje feita por Rafael Miranda. Posição em que Talisca atuou a maior parte do tempo na base. Sinceramente, hoje, não o vejo com dinâmica para jogar por ali. Talvez com a mesma liberdade dada a Hélder ele consiga, mas o sistema de marcação precisaria mudar. Não acredito que Cristóvão o modifique. Nem durante os jogos ele tem mudado, quanto mais desde o início. Com o material humano limitado que tem é difícil, realmente, que arrisque novo esquema, com risco de perder a “liga” conseguida.  
 
Fernandão e Wallyson tendem a formar uma boa dupla. É claro que faltou entrosamento e pernas, principalmente ao segundo, todavia as jogadas foram criadas. Ficaram no quase. Um chute mais fraco, um toque mais rápido e os gols teriam saído. Os dois não estiveram em uma tarde artilheira, mas produziram bem, abriram espaços e ajudaram defensivamente. Também sentiram a falta de aproximação do meio de campo. Fernandão perdeu a melhor chance e ainda chegou atrasado por pouco em três lances. Um, no último minuto, não conseguiu cabecear. Taticamente rendeu, mas no ofício principal esteve em péssimo dia. É caso, guardadas as devidas proporções pelas posições jogadas, parecido com o de Madson. Não importa o rendimento tático. Se não fizer gol, o resto é esquecido. Precisa voltar a colocar o pé na forma. O esquema do Bahia depende muito da inspiração do centroavante.