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Hora de aplaudir

Por Cláudia Callado

Hora de aplaudir
Quando comecei a ser colunista não via a Seleção como um time, como algo que poderia dar certo ou se superar. E, admito, não era, no mundo futebolístico, o que mais despertava minha atenção. Mas agora, acho que não só para mim, as coisas estão diferentes. Depois de toda campanha da Copa das Confederações e, claro, o título, os bons jogadores convocados por Felipão, juntos, com todo o mérito do treinador, viraram uma equipe capaz de dar um olé naqueles que eram acostumados a “humilhar” os adversários. E como já reclamei e ponderei muito sobre a seleção, hoje vou apenas mostrar o lado bom das coisas. 
 
Mais do que nunca, acredito que Felipão acertou lá atrás na convocação. Sei que é muito fácil falar agora, mas não imagino Ronaldinho titular desse time. Vi um time dedicado, com garra e entrega, e não acho que estes sejam os principais adjetivos do meia do Atlético. Além disso, não sei se ele aceitaria tranquilamente um banco de reservas quase eterno, estilo Jadson. 
 
Na decisão, depois de quatro jogos, enquanto os jogadores neutralizavam a Espanha, os torcedores aplaudiam. Antes da final começar, já apostava no Brasil, mas, sinceramente, não do jeito que foi. A seleção marcou sob pressão, não deixou espaços e fez com que jogadores como Iniesta errassem passes (mesmo assim, sempre que vejo esse cara jogar repito mil vezes como ele é fantástico). Foi uma atuação beirando a perfeição, com belos gols (e inusitados também), com David Luiz fazendo milagre, com Oscar mostrando que um bom passe e uma boa visão de jogo fazem toda diferença, com Fred provando que é mais do que essencial, com Neymar deixando claro para seus futuros colegas de Barcelona que todo esforço para contratá-lo valeu a pena. 
 
Felipão, além de ter formado um time, formou mais uma “Família Scolari”. Nossos técnicos, às vezes, precisam ser mais motivadores do que técnicos e isso ele sabe fazer como poucos. Esse sentimento de irmandade parece inspirar os jogadores em busca do objetivo. Isso reflete, por exemplo, nas atuações de Neymar. Ele nunca rendeu com Mano Menezes o que rendeu com a “família”. Hoje, o atacante, sem tanta pressão para resolver as partidas, tem sido muito mais generoso e tem pensado mais no coletivo. Acaba que, querendo ou não, ele resolve com seus quatro golaços em cinco jogos. 
 
E, só para finalizar, além do futebol apresentado pela seleção, foi lindo ver o comportamento dos torcedores. Eu ainda sou uma romântica que acha que a torcida é coisa mais linda do futebol e qualquer coisa do tipo me emociona. Até mesmo o menos patriota se emocionaria com o hino cantado em todos os estádios. Ouvir Neymar ser ovacionado era algo que nunca imaginaria tempos atrás. No final das contas, dentro de campo, deu tudo certo na Copa das Confederações. O que me faz pensar: “imagina na Copa”.