Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Holofote
Você está em:
/
/
Coluna

Coluna

Moral de jegue

Por Éder Ferrari

Moral de jegue
Era mais uma quinta-feira comum. Acordo 6h30 e me preparo para sair ao trabalho. Arrumado, banho e café tomados sigo o rumo. Porém, ao abrir a garagem, um susto! Na porta de casa, um carro aberto e, dois metros à frente, um homem aponta uma arma para minha vizinha e toma de assalto o automóvel dela. O ladrão deixou um roubado e levou outro. Tudo isso às 7h30. Uns 40 minutos depois a polícia chegou ao local. Parto para a labuta. Chegando lá, não tenho como estacionar o carro na garagem da empresa. É que estão asfaltando a rua. Até aí tudo bem. O problema é que, apesar de antes da reforma o piso ser de terra, o asfaltamento já dura quase quatro meses! E olhe que, se muito, são uns 90 metros de cumprimento por uns seis de largura. No Japão deixariam pronto na hora do almoço!
 
Os engarrafamentos diários só não são maiores que a enrolação para finalizar o metrô de Salvador. Equipamento esse que não mudará quase nada no dia a dia de quem necessita de transporte público. O resto das linhas prometidas deve sair junto com a formatura do filho de meu filho, que não tenho nem ideia de quando terei. Tomara que logo. Quando acontecem menos de 20 assassinatos em Salvador e região metropolitana em um final de semana, é motivo de comemoração. Uma guerra civil sem ideologia de liberdade ou grandes territórios. Buracos; sinaleiras sem funcionar; motoristas mal educados; taxistas que só fazem a rota conveniente a eles; buzus decrépitos e sempre com risco de assalto; Polícia truculenta e despreparada; se chover alaga tudo e tem desmoronamentos; ruas sujas e com cheiro de urina; banheiros públicos não existem... E ainda tem muito ponto e vírgula a ser utilizado. O gringo que resolva ter algum problema médico. Boa sorte no HGE ou postos de saúde! Ainda bem que o turista não precisa de escola...
 
Seleções com problemas de campo de treinamento. Isso é surreal! Os aeroportos não estão preparados para qualquer demanda um pouco acima do normal diário. Isso é um problema nacional. Em terras baianas, temos hotéis caros, praias desorganizadas, sujas e sem barracas. Casas de shows? Pelourinho? Ribeira? Itapuã? Boa sorte! Boates? Atendimento em restaurantes? Você que não aceite de boa e pague os 10%! Só com jeitinho e muito conhecimento para se virar, mas é essa a ideia de grande polo turístico? De retorno do investimento dos governos municipal, estadual e federal? Como disse o jornalista Xico Sá, enquanto o país não estiver preparado para servir os próprios brasileiros, não teremos condições de abrigar grandes eventos mundiais sem passar vergonha. Salvador não é o fim do mundo. Com tudo isso, continua linda e chamativa, mas é interesseira. Suga as energias e pouco dá em troca.  
 
Fui pela primeira vez para a reinaugurada Fonte Nova no BaVi dos 7x3. Achei lindona, mas não deixei de ver os problemas. Primeiro a óbvia elitização. Desde que o senhor Ricardo Teixeira resolveu, na canetada, proibir bebidas alcoólicas nos estádios em competições da CBF, se deu início a esse processo estúpido. O estatuto do torcedor abraçou a ideia. Na Arena ITAIPAVA Fonte Nova, cerveja, só sem álcool. Tudo isso para, supostamente, evitar a violência das torcidas organizadas. Não é nem tapar o sol com a peneira. É como culpar a natureza pela poluição. Entretanto, a lei do país não serve para a FIFA. Na Copa das Confederações e na Copa do Mundo, a cerveja, com preço de boate de luxo (R$ 9 e R$ 12 a latinha), está liberada. Moral de jegue! 
 
O espaço entre as cadeiras é completamente diminuto. Me lembrou da época da antiga Fonte quando, em dia de lotação, andar pelas arquibancadas era ter o “licença aí” e o “foi mau” na ponta da língua. Sofisticou e acanhou. Viciado que sou no Twitter, tentei utilizar o 3G do celular para ficar ligado nas atualizações da rede social. Quem disse? Sinal péssimo! Inexistente! Nada de internet! 4G? Onde? E não era culpa apenas da minha operadora (desgraçada!). Todas as outras tinham o mesmo problema. Para quem prometeu “uai fai” livre para tudo mundo, o negócio está bem atrasado! O que os visitantes acharão disso? Na Alemanha, durante a Copa de 2006, até os trens tinham internet grátis e veloz. Em DOIS MIL E SEIS!
 
 Quando o Brasil venceu a disputa para sediar a Copa do Mundo, não vou mentir, achei massa! Sou apaixonado por futebol e a Copa do Mundo sempre foi uma cereja no bolo. Desde 1994 que assisto a todos os jogos da competição. Todos! Achava e ainda acho ter sido necessária a reforma e/ou reestruturação de alguns estádios, mas não da forma devastadora que foi. Saquearam os cofres públicos! Talvez por ingenuidade, na época acreditei nesse negócio de legado. Na verdade, no fundo (lá ele), meu entusiasmo era o de ver os grandes jogos no quintal de casa. Liso que sou, viajar a outro país é utopia. O tempo passou, a consciência aumentou e a raiva também. Me pergunto como políticos e empreiteiros conseguem dormir. Parar na sinaleira com o carrão, comprado através de alguma maracutaia no nosso suado dinheirinho tomado com impostos absurdos, e olhar meninos de rua pedindo esmola e achar não ser da conta deles. Não estamos prontos para receber (lá ele de novo) o mundo, mas somos brasileiros e não desistimos nunca! É a eterna moral de jegue!