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O CERTO E O ERRADO

O campeonato baiano está como a história da família que tem dois filhos, um bem mais amparado, com todas as mordomias possíveis, outro com o essencial, e olhe lá, até lhe faltam as coisas. Só que o de maior apoio faz tudo errado e o desprotegido, com esforço e aplicação, vai ultrapassando obstáculo a obstáculo e chegando sempre na frente. Esquecendo-se a Copa do Brasil, que o tricolor já fez o seu fiasco, esta é a imagem, rodada após rodada neste turno de classificação, entre os dois maiores filhos da Federação, Bahia e Vitória.
Quando a temporada começou, todas as fichas eram apostadas no Vitória. Subira para a primeira divisão, com um time de muito melhor qualidade, manteve o seu treinador e uma política bem mais clara e elogiável: contratações de maior vulto, salários em dia, uma estrutura inquestionavelmente melhor, um estádio de ótimo nível para mandar os seus jogos.
Ao contrário, o Bahia com sérias dificuldades financeiras, sem estádio diante da tragédia da Fonte Nova, carente de crédito, porque o seu maior feito na temporada que passou foi conquistar, às duras penas, o acesso à segunda divisão. Mas o maior de todos os golpes foi mesmo a perda da Fonte Nova, onde ultimamente batia todos os recordes de público, para se tornar uma entidade nômade, sem código postal fixo.
Resultado: pelo menos no Estadual, o Bahia tem feito bonito, liderando praticamente durante toda a fase classificatória, encaminhando-se para levar todas as vantagens para o turno decisivo, ganhando os dois clássicos contra o rubro-negro, não tomando conhecimento da outra melhor equipe até agora, o Vitória da Conquista, com um treinador, o Paulo Comelli, que tem dado uma fisionomia tática ao time de indiscutível qualidade. Enquanto isso, o Vitória é desequilibrado, perde muito para times pequenos, seu técnico, Oswaldo Alvarez, não consegue dar cara a um padrão de jogo, passadas dezessete rodadas do campeonato.
Os resultados de ontem dos dois maiores times, foram um exemplo marcante desta situação. O Vitória, que estreou a sua vigésima contratação do ano – Ramon Menezes -, foi humilhado em sua própria casa, diante do lanterna Poções, perdendo por 2x1, e o que é mais lastimável, com o fraco adversário jogando com um a menos desde os últimos minutos do primeiro tempo. O Bahia, não, enfrentou o intermediário e sempre perigoso Camaçari, lá no estádio do Pólo, mas nem tomou conhecimento, ganhando por 4x1, perdendo pênalti, uma dezena de boas oportunidades, impondo o ritmo que todo time grande tem que impor. Não fosse a fraca atuação dos atacantes escalados na saída do jogo – Charles e Didi – e a extraordinária noite do goleiro local, Flávio, o placar teria sido dobrado.
De tudo, fica a seguinte impressão nesta quinta-feira: vai ser um colorido de camisas tricolores na Grande Salvador e uma pressão quase insustentável na Toca, sendo bem provável que a noite comece com a notícia de que o Vitória mudou de treinador.
Olhem só o que vem por aí: enquanto o líder Bahia enfrenta o Itabuna, em Feira de Santana, seu atual habitat, sendo favorito com todas as letras, o terceiro colocado Vitória vai a Alagoinhas pegar o serelepe Atlético.
E para piorar as coisas, no meio desta crise técnica, vai ter que viajar quarta-feira até Curitiba, para pegar o sempre difícil Paraná, pela Copa do Brasil...