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Quantos mais?

Por Felipe Santana

Quantos mais?
Paulo Angioni deixou o Esporte Clube Bahia poucos minutos depois da histórica goleada para o Vitória por 7 x 3. Foram três anos de gestão e no momento da sua saída evitou a imprensa, emitindo, apenas, uma nota de adeus. O gerente André Araújo, contratado por indicação do antigo gestor, não precisava nem falar. Bateu em retirada sem alarde. O terceiro da lista foi o treinador Joel Santana, que não deveria nem ter vindo. Pegou uma barca furada e afundou! Depois deles mais quatorze se foram. Alguns, para mim, mandados embora injustamente.  Um deles, por exemplo, foi o jogador Paulo Rosales. Sacrificado pela má fase do time, o meia pagou o pato. Ryder seria outro. Mas, no caso do jovem atacante, o Bahia não tinha dinheiro para mantê-lo no Brasil. Fiorentina, clube que detém os direitos do atleta, não o liberaria mais uma vez a troco de nada. Pergunto, caro leitor, quantos mais profissionais passarão pelo Bahia sem deixar saudade? Quantos mais entrarão e serão demitidos após um fiasco? Quantos mais jogadores serão dispensados, não receberão a multa rescisória e voltarão para cobrar dinheiro do tricolor judicialmente? Quantos mais protestos, manifestações, gritos de repúdio e goleadas serão necessários para uma mudança imediata na estrutura do primeiro campeão brasileiro?  
 
Para ilustrar a decepção, senão o descrédito da torcida tricolor, peço licença pra dividir uma experiência amarga que vivi no último clássico. Na véspera do jogo, mais precisamente no sábado, liguei para três grandes amigos. O primeiro deles foi Ricardo, meu barbeiro. “Vai domingo?”. A Resposta dele foi rápida e me soou como surpresa: “Vou nada, pai. Com esse time não vou sair de casa”. Parei para refletir. O que fez um cara que comparecia em todos os jogos da Série C desistir do Bahia na elite, ainda mais em uma final de estadual? Ainda me questionando, liguei para o segundo: Heitor. “Velho, comprou seu ingresso do jogo?”. Mais uma resposta na lata. Disse que não confiava no time e preferia usar o tempo para estudar. Dei o último tiro. David, amigo de infância. “Seu gordo, você vai amanhã, né?”. Ele deu risada. Debochado, falou do péssimo momento da equipe e disse que optaria pelo sofá!
 
O que tem demais nas respostas de cada um deles? Alguns podem achar tudo normal, mas eu não! São três tricolores que estiveram presentes nos piores recentes momentos do clube. Se abriram mão de um time em plena decisão de campeonato é porque algo está errado. Quantos mais exemplos como estes adotaram a mesma postura? Não tem mais para onde correr. O garrafão de decepção e cansaço dos tricolores chegou ao limite, transbordou! Ninguém aguenta mais assistir aos jogos, passar raiva e nada poder fazer. Os meus amigos,assim como milhares de tricolores apaixonados, querem muito mais. Pelo menos eu acredito.
 
Sigo questionando: Quantos mais torcedores do Bahia se afastarão do estádio até que o clube seja aberto, democratizado? Quantos mais apaixonados serão feridos cada vez que o time entrar em campo? Quantos mais campeonatos eles serão obrigados a passar vergonha diante do maior rival? Quantos mais funcionários serão demitidos do clube por motivo de fofoca? Quantos mais jogadores terão influência na demissão de membros da comissão técnica? Quantos mais campeonatos os meninos da base jogarão sem padrões oficiais? Quantos mais profissionais do clube não terão direito a ingresso para ver o próprio ‘empregador’ jogar? Quantos mais ocuparão cargos no clube por amizade ou sem a formação adequada?

Perguntas como essas tomariam todo o espaço que temos aqui, disso não tenho dúvida. Mas, diante do momento vivido pelo Esporte Clube Bahia, prefiro encerrar o pequeno texto com apenas mais uma pergunta. O viés desta vez é diferente. QUANTOS MAIS DIAS O ATUAL PRESIDENTE DO BAHIA CONTINUARÁ CALADO, INERTE, SEM TOMAR UMA ATITUDE DIGNA DOS MILHÕES DE TORCEDORES QUE ELE ‘REPRESENTA’?