Que final é essa?
Tecnicamente, o Vitória tem mais time. A característica dos jogadores é ofensiva. O que, mesmo sem um sistema de jogo azeitado, leva a equipe automaticamente ao ataque. Essa é a principal diferença a favor do rubro-negro na decisão do Campeonato Baiano de 2013. Existe recurso técnico. Do outro lado, os boleiros tricolores são naturalmente defensivos. Mesmo quando usaram esquemas mais ousados, o estilo de jogar dos laterais e homens de meio de campo, travava o desenvolvimento de ataque. E com Joel Santana, o Bahia assumiu sem constrangimentos a armadura de jogar para não perder. São três zagueiros, dois laterais de apoio limitado, dois volantes/volantes, um volante como meia e dois atacantes: um de beirada e um centroavante. Isso, caso Zé Roberto e Fernandão sejam liberados para o duelo, o que parece ser certeza, principalmente com relação ao segundo.
Nos dois clássicos realizados até aqui no ano, o Vitória usou a velocidade dos laterais e o posicionamento e estado de graça de Maxi para vencer. Conheço muitos rubro-negros que não aguentam mais ver Nino e Mansur em campo. Realmente, deixam a desejar na parte técnica e no fundamento do cruzamento. E isso chama atenção dos torcedores, porém a rapidez, as ultrapassagens e o dom de irritar os adversários, fizeram o time andar nos BaVi`s. Foram às válvulas de escape para um meio de campo técnico, que buscou triangulações pelos lados com Escudero e Maxi. Esse último aproveitou o buraco entre os volantes, os laterais e os zagueiros tricolores. Como já havia dito por aqui, utilizando termos do futsal, o sistema defensivo do Bahia não teve rodízio. Quando alguém deixava o setor, lá estava o primo de Messi para aproveitar o espaço.
Com a fragilidade defensiva dos laterais e a ineficiência dos volantes em fechar os espaços na intermediária, Joel, como quase sempre fez, partiu para o congestionamento. Puxou Toró para ser o terceiro zagueiro e agrupou a defesa. Pablo e Magal não viraram alas, apesar de chegar até a subirem juntos em determinados momentos. Isso ocorreu no primeiro tempo do segundo BaVi, mas pareceu mais ser circunstância do que movimentação do sistema. É um 5.3.2, com os laterais apoiando como se fosse o 4.4.2. Para encarar o estilo rubro-negro, dentro da realidade técnica dos jogadores escalados, é uma boa escolha do treinador tricolor, contudo a vantagem dos resultados iguais é do Vitória. De que maneira o Bahia vai buscar os gols para reverter à prerrogativa? Ainda mais que variações e triangulações estão longe de ser realidade?
Com essa provável postura, vejo o peso decisivo cair quase todo nas costas de Anderson Talisca. Diones, o fantasminha camarada, fica de um lado para o outro, mas, efetivamente, não se conta com ele ofensivamente. Fosse Joel um pouco mais ousado, sem fugir tanto dos próprios conceitos, colocaria Rosales nessa vaga. Poderia até manter Talisca mais avançado, já que o poder de fogo (lá ele) do garoto é maior. O time teria mais recursos e opções para reter e girar a bola. Um pouco mais à frente, caso Zé Roberto não jogue, o “Papai” deveria optar por Ryder. Rápido, agressivo, joga para o time e que já provou não se esconder. Hoje, sem dúvidas, o vejo em melhores condições que Adriano ou Marquinhos, que deverá ser o escolhido. E ainda pode sofrer faltas próximas a área rubro-negra. Não duvidem, assim como em 2012, essa será a maior arma tricolor para buscar o Bicampeonato.
Nino e Mansur são dúvidas para a final. Caso o primeiro não jogue, o Vitória perde muito. Danilo Tarracha eu ainda não conheço. Seja quem for dificilmente terá as mesmas facilidades dos 5x1 e dos 2x1 e Maxi também não encontrará tantos espaços livres. Essa primeira partida corre sério risco de ser um jogo travado, com muito bate rebate na intermediária. Duvido que Caio Júnior busque algo diferente dos outros clássicos. Vai esperar o Bahia no início e tentar explorar as falhas já apontadas. O tricolor deve ir para o abafa, no estilo Joel. A escalação do Bahia deve ser: Marcelo Lomba; Demerson, Titi e Toró; Pablo, Fahel, Diones, Talisca e Magal; Zé Roberto (Marquinhos) e Fernandão. Já o Vitória vai de Deola; Nino (Cáceres), Victor Ramos, Fabrício e Mansur (Tarracha); Michel, Luís Alberto (Neto Coruja), Renato Cajá, Escudero e Maxi; Dinei. Pelo futebol apresentado até aqui e a vantagem dos dois empates, o favoritismo está na Toca do Leão. Entretanto, existe possibilidade real de o troféu parar no Fazendão. Mesmo não esperando muito tecnicamente, torço que seja pelo menos emocionante. Os torcedores precisam disso!
