ADEUS, FANATISMO
Meus quase 45 anos de crônica esportiva registraram um fato inusitado neste último domingo, em Feira de Santana: o Bahia ganhou do sempre abusado Ipitanga, por 2x1, manteve a liderança do campeonato e os 1.450 torcedores protestaram firmemente no final do jogo, pedindo melhores jogadores.
Estranho foi ouvir o competente e sempre muito realista, Paulo Comelli, depois de haver gesticulado bem acima do habitual, durante todo o jogo, afirmar que o time venceu e convenceu, contrariando suas afirmações do intervalo, quando até parecia nem querer falar com a imprensa. Só entendo pelo fato de ter havido certo mal estar no Fazendão, quando ele falou, depois da eliminação prematura na Copa do Brasil para o inexpressivo Icasa/CE, que o time não inspirava confiança tanto para a conquista do título baiano, mesmo sendo o líder, mais ainda para as disputas do Brasileiro da Série B.
O que se viu, durante toda a partida contra o Ipitanga, foi um Bahia oscilante. Poucos momentos de bom futebol, a maioria do tempo de atuação preocupante, acuado pelo time laranja, que só não conseguiu um melhor resultado porque o goleiro Darci andou fazendo boas defesas, no finzinho então, operando um verdadeiro milagre. .
Não questiono a melhor performance tricolor em relação ao ano passado, quando sequer liderou o campeonato em algumas rodadas, Até achando que continua sendo o maior favorito ao título de 2008. Mas não é uma equipe confiável para a sua mais importante competição da temporada, que é a segunda divisão, onde buscará o direito de voltar à elite nacional.
O time tem quatro jogadores de nível – Alysson, Rogério, Fausto e Elias -, alguns que até alternam uma grande dose de incompetência com poucos momentos de ludicez e brilho e o restante comprovadamente de má qualidade.
E tanto isso é verdade que a fiel torcida, antes irredutível em sua paixão desenfreada, já admitiu que, ou melhora ou não vai alcançar os objetivos de voltar à primeira divisão.