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Arena Fonte Nova; Cadê a Itaipava?

Por Maurício Naiberg

Arena Fonte Nova; Cadê a Itaipava?
Se tem uma coisa que não muda para nós, baianos, é a tradição. Somos um povo que cultivamos nossas ideias quando elas nos fazem bem e isso está inteiramente ligado ao meio esportivo. Gostamos de relembrar coisas boas do passado e torcemos para que elas permaneçam em nossas memórias por um longo tempo. 
 
Entendo perfeitamente que o futebol é um comércio. Não existe mais amor. Infelizmente – para mim, que amo – se tornou um esporte sem graça. Tudo nele se resume a dinheiro, deixando as tradições de lado. O que realmente é tradicional e importante está ficando de lado para o grande público. 
 
Coloquei essas palavras acima por um simples motivo: para perguntar a vocês se conhecem alguma Itaipava Arena Fonte Nova. Porque eu, amigos, nunca ouvi falar. Para mim – e acredito que para todos vocês também – a Arena Fonte Nova continua sendo Fonte Nova. No máximo colocaremos uma 'Arena' à frente do nome. 
 
Acompanhei os noticiários sobre a venda do naming rights (direitos sobre o nome do estádio) para a citada cervejaria. Até entendo o lado dela, que quer investir pesado no esporte antes da Copa do Mundo de 2014, mas é complicado, simplesmente, colocar de lado nossa tradição, por uma imposição financeira. 
 
Talvez muita gente não conheça – também passei a conhecer após esse processo com a Fonte – esse tipo de negociação. Essa venda dos naming rights se iniciou na década de 80 nos Estados Unidos. A ideia era criar ainda mais receitas para estabelecimentos comerciais, como as próprias arenas de esportes, teatros e centro culturais.
 
Aqui na Bahia, a Itaipava resolveu comprar esse direito por R$ 100 milhões (R$ 10 milhões por ano até 2023). De fato, um grande valor, mas financeiro, não cultural. Observei durante as últimas semanas e ninguém – ninguém mesmo, seja torcedor ou colegas da imprensa – chamou a Fonte Nova de Itaipava Arena Fonte Nova.
 
O ex-presidente do Corinthians, Andrés Sanches, deu a seguinte declaração a um jornalista no último dia 12: “Se você der um cheque de R$ 400 milhões, será o seu nome”. Isso é um desrespeito com a história do futebol brasileiro. Não concordo e espero que o mesmo que ocorreu aqui, aconteça em outras praças. 
 
Para se ter uma ideia, Douglas Costa, diretor de mercado da Petrópolis, em entrevista à Época Negócios, confirmou a dificuldade em colocar o nome da empresa na Fonte. “É óbvio que a tendência é falar Fonte Nova. A assinatura de um naming como este é um desafio porque o próprio nome tem uma tradição forte”. 
 
E para completar, os grandes veículos de comunicação também não aderiram ao nome Itaipava Arena Fonte Nova. Não sei, sinceramente, se por conta de estarem “presos” a empresas concorrentes ou por, simplesmente, não gostarem da nomenclatura – duas hipóteses perfeitamente compreensíveis. 
 
Mas se até o governo estadual não tem utilizado Itaipava Arena Fonte Nova, por que chamaríamos nosso estádio deste jeito? Olhem o que estou falando nesta propaganda abaixo e tirem suas conclusões:
 

Amigos, tradição é tradição e isso não se muda de nenhuma forma.