Superestimação

Antes do jogo contra o ABC começar, a resposta consensual era de que “time de primeira divisão tem que entrar para arrebentar, afinal o ABC é um rival de divisão inferior”. Em campo, o Bahia jogou bola de gude e foi inteiramente dominado pelos potiguares, como já havia sido contra o Ceará. Levou uma solene goleada de 3x0, sem dó nem piedade, depois de já haver perdido, no meio de semana, de 2x1, aqui também, para o Ceará.
É bom ver agora ser quase uma unanimidade que Jorginho não deveria ter feito o rodízio, não por haver enfraquecido o time, nem pela tentativa de fazer experiências, mas porque a sua intenção, diante das explicações que sempre deu, foi que era imperioso poupar os jogadores mais importantes, para evitar que os adversários os tirassem de campo nos próximos jogos.
Enganosa superestimação, como se o Tricolor já tivesse um time de indiscutível eficiência, craques da primeira constelação nacional, um favoritismo de quem tudo pode fazer quando bem entender...
Acho até que, se houver humildade entre os jogadores e dirigentes, estes dois tristes, mas inquestionáveis resultados, são providenciais, à medida que haja a conscientização de que ainda é preciso encontrar uma formação ideal e respeitar os adversários regionais.
Hoje, o Bahia tem um time fraco, há jogadores que já estão defasados e conceitos que não podem mais ser mantidos, sob pena de emperrar um clube de fantástica torcida, muitas vezes enredada pela premissa de uma grandeza que só pode ser contada pela história de gloriosas conquistas, que já se encontram na curva de um tempo muito distante.
Outra coisa: não é justo que se critique o Bahia como instituição, a culpa tem que ser creditada aos dirigentes que ainda não atentaram para o processo de dilapidação da imagem de clube vencedor e que inspirava respeito entre os adversários nordestinos.
