Melancolia
Num desses dias, um torcedor me abordou na rua para dizer que o nosso futebol estava envolto em uma melancolia de causar dó. Nada de novo, tudo no mesmo marasmo.
Como achei interessante a qualificação dada às ações de Bahia e Vitória, que praticamente continuaram sem contratar qualquer jogador de expressão – e que ainda não fizeram qualquer transação de vulto, meditei sobre a expressão “melancolia” e realmente concluí ser muito verdadeira e pertinente.
Melancolia é o mesmo que abatimento, desânimo, esmorecimento, languidez, prostração, tristeza. Coisa de gente pobre, que não tem dinheiro nem iniciativa para fazer algo novo acontecer.
Aliás, tenho uns dois coleguinhas que ficam retados quando falo que o nosso futebol é pobre e quem é pobre tem que se limitar com calça de brim e camisa de algodão. Rico e gente próspera vestem casimira inglesa e seda chinesa.
Vocês já leram sobre os rankings atualizados do futebol brasileiro? Quem recebe mais e quem recebe menos dinheiro da TV? Quais as cotas de publicidades em camisas e quais as iniciativas dos principais clubes em alavancar recursos?
Corinthians, Flamengo, Fluminense, Santos, Inter, Grêmio, Cruzeiro, Atlético/MG... orçamentos superiores a R$ 150 milhões só no futebol profissional. Vitória e Bahia, na faixa de R$ 60 milhões!
Dá uma grande angústia. Pior de tudo é que existem torcedores (e cronistas também), que divagam em histórias de boitatá. Que seu clube é porreta, que pode e deve contratar jogadores caros. Que não se importam se deverem os olhos da cara, porque querem é time competitivo, que possa ganhar títulos...
O único jeito compreensível é conseguir parceiros que queiram investir no futebol. Antes disso, tem que se aperfeiçoar no cuidado de formar times à base de bons jogadores regionais e da prata da casa. Foi assim que o Bahia chegou ao título de 1988, foi assim que o Vitória decidiu o campeonato de 1993.
De outra forma, é dar socos em pregos afiados ou pontas de facas.
