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Perspectivas

Por Éder Ferrari

Perspectivas
Hoje, dia 3 de janeiro, uma quinta-feira, se iniciou mais uma temporada para o Bahia. O primeiro esboço do elenco de 2013 foi apresentado no Fazendão para os exames médicos da pré-temporada. Em meus últimos artigos, bati na tecla de ser preciso uma renovação ampla. Pelo menos para mim. As razões já foram explicadas e não acho produtivo seguir nessa batida. Não vai acontecer. Seja por conceito ou simplesmente pela falta de mercado para alguns jogadores que não deram certo. Muita gente sem mérito para tal permanecerá. Os casos mais pesados são os de Kléberson, Zé Roberto e Cláudio Pitbull. Salários altos, rendimento muito abaixo e multas rescisórias gordas. Será que algum desavisado tentou contratá-los? É torcer para, um ano mais velhos e cansados, recuperem alguma coisa do antigo brilho. Se apenas um dos três conseguir render, o tricolor já sairá no “lucro”. Nem meu eterno otimismo consegue me convencer a acreditar nisso.
 
Para um momento inicial, creio que a manutenção da base poderá surtir efeito. Afinal, com exceção de Lucas Fonseca (atuava por Danny Morais estar machucado) e Jones (revezou com Zé Roberto na reta final do Brasileiro), o Bahia manteve todos os titulares de Jorginho em 2012. Caso o treinador não veja em alguns dos garotos que subiram das divisões de base potencial imediato para ser titular, ou chegue alguém de responsa depois dos treinos iniciados, à escalação dos primeiros jogos deverá ser: Marcelo Lomba; Neto, Danny Morais, Titi e Jussandro; Fahel, Diones e Hélder; Gabriel e Zé Roberto; Souza. Basicamente a mesma que escapou do rebaixamento com as calças na mão. Ah, no caso de Souza, tem de ver se está completamente recuperado da lesão que teve no final de novembro. Como os adversários do momento inicial são bem fracos, a tendência será de o tricolor levar vantagem até pelo entrosamento. No entanto, não deve haver ilusões. O problema é a sequência do ano. 
 
Marcelo Guimarães Filho e Paulo Angioni disseram que fariam apenas contratações pontuais para o início da temporada. Até o momento em que escrevo essas linhas foram anunciados três. O zagueiro Brinner, o goleiro Douglas e o atacante Thuram. Só conhecia o primeiro e é um jogador razoável. Mais ou menos no mesmo nível de Danny Morais, cada um com a característica particular. Os outros dois não conheço. No caso do arqueiro, até acho interessante pelo fato de ter emprestado Renan para pegar experiência no Campeonato Carioca. Fora Lomba e Omar, os outros são verdes demais! Já Thuram, parece ter sido mais uma perda de tempo. As referências são péssimas! O elenco já tem Ítalo Melo, Ryder e Mateus. Pra que mais um garoto, ainda sendo por empréstimo? Rafael foi para os Estados Unidos. Os outros atacantes são Cláudio Pitbull, que sofreu uma contusão grave e deve demorar muito a voltar, e Souza. Está na cara ser preciso soluções e não complemento. 
 
Me preocupa o meio de campo. Será que Hélder vai manter o nível do segundo turno do Brasileiro? Diones e Fahel são aquilo mesmo. Anderson Melo e Anderson Talisca terão chances? Torço por pelo menos um deles conseguir ser útil esse ano, que é de transição. A torcida precisa ter paciência e cobrar com coerência. Na armação, Jorginho precisa encaixar o posicionamento de Gabriel. Não pode desperdiçá-lo em prol do esquema tático, como nos últimos jogos da Série A. As outras opções são Zé Roberto, Magno, Jéferson e Kléberson. De fato, a situação é bem preocupante. Todos eles, cada um com o motivo próprio, tiveram um 2012 no máximo razoável. Para ser bonzinho! Não consigo visualizar em nenhum deles um nome para ser titular. A diretoria não pode apostar em tantos jogadores que deram errado. Em uma conta rápida, utilizando o pensamento pequeno da diretoria, o Bahia precisa trazer um volante para disputar posição com Fahel, um zagueiro, um meia e pelo menos dois atacantes. Um de beirada e um centroavante. E que esses nomes sejam, de fato, “contratações pontuais” e não para ficarem encostados. Vamos esperar o desenrolar dos fatos para ter uma real noção do que os tricolores devem esperar para 2013. Por enquanto, parecem pensar apenas no tiro curto. Que os garotos se firmem e Ávine volte em bom nível. 
 
No estúdio da rádio Excelsior, em novembro de 2008, participei de uma mesa redonda no programa Nação Tricolor, entrevistando o então candidato a presidência do Bahia, Marcelo Guimarães Filho. Ao meu lado na sabatina estavam o titular do programa, Dito Lopes, e os conceituados jornalistas Marcelo Sant'Ana (Correio) e Nelson Barros Neto (na época no A Tarde e hoje na Folha). Um dos assuntos mais batidos foi à mudança no estatuto e a consequente abertura do Esporte Clube Bahia aos sócios com direito a voto em eleições diretas. MGF foi claro na época. “É uma prioridade e vamos fazer o quanto antes”. Depois disso, fiz inúmeras entrevistas abordando esse ponto e a promessa continuava. Nisso já se passaram 2009, 2010, 2011 e 2012. Agora chegamos a 2013 e o “compromisso” da longínqua campanha segue em aberto. Será que um dia a “prioridade” sairá do papel? Espero que, quando esse dia chegar, os dirigentes estejam preparados para usar essa ferramenta de maneira agregadora e não como um embate meramente político. O marketing precisa ter ações e projetos. Não basta dizer que vai imitar o Inter. O Bahia tem outra realidade e é preciso ter atitude e competência. Que nessa virada de ano, o juramento por essas mudanças não continue como àqueles por regime.