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FUTURO CAMPEÃO

Depois do segundo triunfo consecutivo sobre o seu maior rival, quebrando um velho tabu de uma dezena de anos, o Bahia se assemelha com o Vitória do ano passado, favorito indiscutível a conquistar o título.  Verdadeiro futuro campeão.
Neste clássico de Feira de Santana, nem foi preciso o tricolor exercer um domínio absoluto, mas, de novo, teve a frieza necessária para não desperdiçar uma de suas boas chances, levando o jogo durante todo o segundo tempo pelo comportamento de uma defesa muito bem armada e de jogadores eficientes e atentos aos contragolpes como meio de neutralizar um domínio rubro-negro que acabou, afinal, sendo estéril.
É voz corrente que o Vitória começa a encontrar a formação mais adequada para o seu grupo de 2008, mas ainda está longe de ameaçar a superioridade de um Bahia que consegue, ainda no começo da segunda fase do turno classificatório, colocar oito importantes pontos de diferença.
Na verdade, o grande adversário do Bahia está sendo o Vitória da Conquista que, ao pé da letra, cumpre a campanha mais eficiente de todos, já que tem 28 pontos em 13 jogos disputados (71,8% de aproveitamento), contra 30 pontos do tricolor, em 14 jogos (71,4%). E como o time do Sudoeste realiza o seu jogo pendente nesta quarta-feira, em Juazeiro, se vencer assume a liderança em números absolutos.
Já o Vitória corre até o risco de sair do G-4, pois recebe o sempre temível Colo-Colo, no Barradão e é jogo de seis pontos, pois o time da Toca tem 22 pontos, em quarto lugar e os ilheenses estão com 21, na cola. Há ainda a ameaça do Ipitanga, também com 21 pontos, jogando contra o Feirense, em seu campo de Madre de Deus. Empate no Barradão, vitória do Ipitanga, o time laranja assume o quarto ou terceiro lugar, já que atualmente os pretendentes às vagas são Bahia (30 pontos), Vitória da Conquista (28), Atlético (23), Vitória (22), Colo-Colo e Ipitanga (21). O Atlético, terceiro colocado, vai a Feira pegar o Fluminense.
De todos, o Bahia está com pinta de campeão, o Vitória da Conquista grata surpresa e seu maior perseguidor, o Atlético não pode ser desprezado e o Vitória tem ainda que encaixar algumas peças para poder chegar à fase final em condições de brigar pelo bicampeonato. Os outros dois – Colo-Colo e Ipitanga -, podem até se classificar, mas não podem vacilar mais em seus próprios domínios.
Sobre o Bahia, repito um conceito já expresso desde as cinco primeiras rodadas do campeonato: seu técnico, Paulo Comelli, tem o controle do time durante cada jogo e em qualquer situação, e mesmo nos momentos de maior aperto, determina um esquema simples, do fechamento da defesa, de rapidez no meio-campo, de busca do gol em contra-ataques que exploram mais os laterais e o atacante Pantico, que muitos falam em não possuir uma técnica brilhante, mas que é incansável, batalhador e, porque não dizer, eficiente e predestinado, pois de seu inaudito esforço têm saído as mais contundentes jogadas do líder. E a continuar assim, vai acabar dobrando os seus críticos mais contumazes e se tornar um dos ídolos tricolores da temporada. Além disso, o time do Fazendão tem três jogadores brilhantes e que seguram a marimba lá atrás: o apoiador Fausto, preciso no desarme e consciente nos passes, e os zagueiros Alyson e Rogério, firmes e tranqüilos na construção de jogadas.
O Vitória, 13 rodadas já realizadas, ainda não tem time definido. Sua defesa tem setores vulneráveis, seu meio-campo é inconseqüente e seu ataque não tem um ponto de referência como aconteceu, ano passado, em que Índio foi destaque no Estadual e Joãozinho se encarregou em desequilibrar no Brasileiro da Série B. Nem o fato de ter o ataque mais positivo (24x22 Bahia), tranqüiliza a sua torcida, pois esta situação foi conseguida através de três goleadas contra os frágeis Poções, Juazeiro e Itabuna.
A única coisa que parece coerente no atual campeão, que será o nosso único representante na divisão de elite, é o fato de os dirigentes ainda não mostrarem o desespero de mandar o técnico e todo mundo embora, reconhecendo que houve falhas no planejamento, com a contratação de um monte de jogadores, a maioria deles precisando entrar em forma. Mas essas afirmações são muito efêmeras, pois, de repente, tiram o tapete de Oswaldo Alvarez.
Esta próxima quarta-feira é muito importante, tanto para o campeonato estadual, em que todas as atenções estão voltadas para os jogos Vitória x Colo-Colo, Juazeiro x Vitória da Conquista e Ipitanga x Feirense, como, também, para a estréia do Bahia na Copa do Brasil, na distante e árida Juazeiro do Norte, contra o Icasa, campeão do primeiro turno cearense, quando todos torcemos para que o tricolor confirme a sua boa fase.