Desempregado, volante critica o Bahia e fala sobre cirurgia: 'Tenho limitações até hoje'
Dois anos numericamente representam setecentos e trinta dias. Para um jogador o tempo parece nunca ter chegado ao fim. Aos 28 anos, o volante Thiago Carpini não se cansa de fazer uma pergunta que o rodeia durante todas as noites: Por que eu escolhi o Esporte Clube Bahia? Hoje, desempregado, o atleta sofre as consequências de uma cirurgia no braço esquerdo, jamais esquecida.
Em janeiro de 2009, quando foi contratado pelo Bahia por empréstimo, o jogador ainda pertencente ao Atlético Mineiro sofreu uma grave lesão no braço esquerdo durante um treinamento da pré-temporada. Até então estava quase tudo dentro dos conformes. Thiago Carpini passou um por uma intervenção cirúrgica pelas mãos do especialista Dr. Fábio Costa. Porém, segundo o médico, uma infecção bacteriana impediu que a recuperação do jogador fosse feita da maneira planejada pelo departamento médico. Era necessário naquele momento uma nova cirurgia. Essa, porém, só aconteceu seis meses depois.
- Eu fui pressionado para voltar a jogar bem antes do prazo. Fui sete partidas pelo Bahia ainda com o braço fraturado, sem a fratura estar consolidada, e com o punho imobilizado. Sofri com um descaso imensurável do clube. Me machuquei em janeiro e só operei a segunda vez quase no fim de julho. Perdi seis meses só esperando – revelou o jogador ao Bahia Notícias.
A segunda intervenção cirúrgica, segundo o Dr. Fábio Costa, foi indicada por ele. A indicação, entretanto, foi desmentida por Carpini. O jogador nega veementemente a declaração do médico e relatou o que sofreu no clube no período em que esteve no estaleiro.
- O Dr. Fábio Costa, na época, chegou a dizer que eu não precisava da segunda cirurgia. Eu, com ajuda de um médico que era vizinho, além do meu empresário Orlando da Hora, achei um especialista pesquisando pela internet. Eu treinei várias vezes e, depois, tinha que limpar um ponto da cirurgia que sempre sangrava. Fui muito pressionado pelo clube para voltar a jogar, sem falar nas vezes que tive a minha entrada proibida no Fazendão – desabafou.
Hoje, treinando a parte física em um clube de São Paulo, à espera da uma nova agremiação para atuar, o jogador admite que nunca mais foi o mesmo após deixar o Bahia. Para ele, que segue apaixonado pela torcida e Salvador, a escolha por se tornar um jogador do tricolor foi o grande erro da sua carreira de jogador.
- Eu até hoje não consigo por a palma da mão perto do rosto. Tenho muitas limitações no braço, que está visivelmente atrofiado. Depois do Bahia, infelizmente, não consegui ter sequência na minha carreira. Fui reprovado duas vezes em exames médicos e só consigo fazer contratos de riscos, com duração de três ou seis meses. Tinha propostas do Goiás, Coritiba, mas optei pelo Bahia pelo grande clube que é. Adoro Salvador, os torcedores, mas não tenho como definir o tratamento que recebi no Bahia. Foi uma grande decepção que me prejudica até hoje – contou ao Bahia Notícias.
Thiago Carpini, que citou o apoio recebido pelo zagueiro Alison e o goleiro Fernando, garante que o intuito de acionar o clube na justiça é uma forma de expor para todos a indignação com o tratamento recebido, e não só tirar dinheiro do Bahia. – Esse processo é apenas uma questão pessoal. Eu adoro o Bahia, continuo torcendo e não quero que volte para segunda divisão – finalizou.
