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Justiça manda quatro integrantes da Bamor a júri popular por atentado ao ônibus do Bahia ocorrido em 2022

Por Bia Jesus

Justiça manda quatro integrantes da Bamor a júri popular por atentado ao ônibus do Bahia ocorrido em 2022
Foto: Divulgação / Internet / Maurícia da Matta/Bahia Notícias

Quatro integrantes da torcida organizada Bamor serão submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri pelo ataque com artefatos explosivos ao ônibus do Bahia, ocorrido em fevereiro de 2022. A decisão foi proferida pelo 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri de Salvador.

 

Os réus são acusados de tentativa de homicídio qualificado pelo emprego de meio do qual poderia resultar perigo comum. O atentado aconteceu no dia 24 de fevereiro de 2022, quando a delegação tricolor seguia para a Arena Fonte Nova.

 

De acordo com a denúncia apresentada pelo Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), os quatro acusados, acompanhados de outros três indivíduos que não foram identificados, deslocaram-se em dois veículos até as imediações da Avenida Bonocô e aguardaram a passagem do ônibus do Esquadrão.

 

Quando o veículo passou pelo local, artefatos explosivos foram arremessados contra o ônibus. As explosões perfuraram a lateral e atingiram os então jogadores do Bahia, Danilo Fernandes e Matheus Bahia.

 

Segundo a acusação, dois dos denunciados teriam sido responsáveis por lançar os explosivos, enquanto outros dois conduziram os veículos utilizados durante a ação e na fuga.

 

Danilo Fernandes sofreu ferimentos no rosto e nas pernas e precisou passar por cirurgia no olho esquerdo por causa dos estilhaços de vidro. Matheus Bahia teve ferimentos nos braços, rosto e pernas.

 

Um terceiro veículo que transitava pela mesma via também foi atingido. Um dos explosivos entrou no automóvel e explodiu em seu interior.

 

JUSTIÇA VÊ INDÍCIOS SUFICIENTES PARA JÚRI
Para decidir pela pronúncia dos quatro réus, a Justiça considerou o conjunto de elementos reunidos durante o processo, entre eles imagens submetidas a perícia, laudos de lesões corporais, exames realizados nos veículos e análises químicas.

 

Um dos laudos encontrou vestígios de pólvora em um dos automóveis apontados como utilizados pelos acusados. Também foram considerados os relatos das vítimas, depoimentos de testemunhas e os interrogatórios dos próprios réus.

 

Na sentença de pronúncia, proferida no último dia 15 de setembro, a juíza Gelzi Maria de Almeida Souza Matos apontou elementos que, nesta fase do processo, indicam uma possível atuação conjunta dos acusados.

 

“Os elementos acima mencionados, em tese, revelam convergência quanto à atuação conjunta dos acusados para que o veículo fosse atingido, com divisão de tarefas entre os arremessadores dos artefatos explosivos e os condutores dos veículos de apoio e fuga”, afirmou a magistrada.

 

A juíza também mencionou a utilização dos explosivos contra um veículo que transportava diversas pessoas como fundamento para a existência de indícios de dolo eventual.

 

“[…] ao arremessarem substâncias explosivas em direção a um veículo cujo combustível é inflamável, transportando várias pessoas, assumiram voluntariamente o risco da produção do resultado morte, que era previsível e factível, e que não se consumou por circunstâncias alheias às vontades dos acusados, evidenciando a presença de indícios do dolo eventual descrito na denúncia, com a demonstração de justa causa para a pronúncia”, detalhou.

 

A decisão de pronúncia não representa condenação dos acusados. Nesta etapa, cabe ao juízo verificar se existem provas da ocorrência do crime e indícios suficientes de autoria para que o caso seja analisado pelo Tribunal do Júri.

 

O mérito será julgado posteriormente pelo Conselho de Sentença, formado por sete jurados.

 

Cabe recurso da decisão. A data do julgamento somente poderá ser marcada após o trânsito em julgado da sentença de pronúncia, quando forem esgotadas as possibilidades de recurso. Os quatro réus respondem ao processo em liberdade.

 

RELEMBRE O OCORRIDO
O atentado aconteceu na noite de 24 de fevereiro de 2022, quando o ônibus do Bahia transportava jogadores e membros da comissão técnica para a Arena Fonte Nova, onde o Tricolor enfrentaria o Sampaio Corrêa pela Copa do Nordeste.

 

Nas proximidades da Avenida Bonocô, o veículo foi atingido por rojões e artefatos explosivos. Danilo Fernandes foi o jogador mais atingido. O então goleiro sofreu cortes provocados pelos estilhaços e precisou receber atendimento hospitalar, além de passar por procedimento cirúrgico no olho. O lateral Matheus Bahia também sofreu ferimentos.

 

As investigações da Polícia Civil utilizaram imagens de câmeras de segurança e depoimentos para identificar quatro suspeitos ligados à Bamor. Posteriormente, eles foram denunciados pelo Ministério Público por tentativa de homicídio.

 

Em abril de 2022, após o atentado, a Bamor chegou a ser suspensa dos estádios por seis meses por descumprimento de Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público e a Polícia Militar.

 

Dois anos após o episódio, o Bahia Notícias mostrou que os quatro acusados ainda respondiam ao processo em liberdade e que não havia data para julgamento.