Após mortes e violência no Ba-Vi, PM-BA pune Bamor e Os Imbatíveis por seis meses
A Polícia Militar da Bahia (PM-BA) aplicou uma punição de seis meses às torcidas organizadas Bamor, ligada ao Bahia, e Os Imbatíveis, do Vitória, após os episódios de violência registrados antes do Ba-Vi do último dia 23 de agosto, em Salvador. A sanção começa a valer nesta quinta-feira (3).
Durante o período, as duas organizadas ficam impedidas de comparecer a eventos esportivos utilizando qualquer elemento que permita a identificação das torcidas.
A restrição vale para partidas realizadas na Bahia e também para eventos estaduais, regionais, nacionais ou internacionais.
Na prática, ficam proibidos faixas, cartazes, bandeiras, camisas e outros materiais de identificação das organizadas, além da utilização de instrumentos musicais nos eventos esportivos.
A decisão foi formalizada nesta quarta-feira (2), na sede do Batalhão Especializado de Policiamento de Eventos (BEPE), em Salvador.
Segundo a Polícia Militar, a punição também leva em consideração outros episódios graves relacionados às torcidas organizadas, incluindo confrontos, vandalismo, agressões físicas, uso de artefatos explosivos e porte de armas.
A medida tem como base a Lei Geral do Esporte, os Termos de Ajustamento de Conduta (TACs) firmados pelas duas torcidas com o Ministério Público da Bahia (MP-BA) e instrumentos de prevenção à violência em eventos esportivos.
Participaram da formalização a promotora de Justiça Telma Leal de Oliveira, do MP-BA; o comandante do BEPE, tenente-coronel Flávio; o presidente da Bamor, Luciano Venâncio; e o presidente de Os Imbatíveis, Gabriel Oliveira.
A punição não impede que torcedores frequentem os estádios individualmente nem interfere na realização das partidas. A restrição é direcionada às torcidas organizadas e aos elementos utilizados para identificá-las durante os eventos.
RELEMBRE OS EPISÓDIOS ANTES DO BA-VI
Duas mortes foram registradas horas antes do clássico entre Vitória e Bahia, disputado no dia 23 de agosto, no Barradão. Seis pessoas também foram presas durante uma confusão envolvendo integrantes de torcidas organizadas.
Uma das vítimas foi o segurança José Alexandre Souza Borges, integrante da Bamor, morto a facadas durante uma briga generalizada na Via Regional, importante ligação de Salvador com a BR-324 e localizada nas proximidades do Barradão.
O confronto envolveu membros da Torcida Uniformizada Os Imbatíveis (TUI) e da Bamor.
Outra morte registrada naquele domingo foi a de Lucas dos Reis Bonfim, de 19 anos, baleado no bairro de Castelo Branco. A Polícia Civil confirmou o óbito no dia seguinte, mas informou que, até o momento, não existem elementos que relacionem o caso à confusão entre as torcidas organizadas.
Além dos confrontos, diferentes episódios de vandalismo foram registrados na cidade.
Segundo a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob), um ônibus do transporte coletivo foi atingido por um rojão, deixando o motorista ferido.
Na Estação Pirajá, um grupo associado a uma torcida organizada empurrou um ônibus da frota de apoio que estava no terminal e danificou uma das portas.
Em Pernambués, um coletivo da linha 1249, que liga Jardim Santo Inácio ao BRT Hiper, teve uma janela e um exaustor destruídos. Não houve feridos. Já em Canabrava, pessoas ligadas a uma torcida organizada do Vitória vandalizaram uma oficina de veículos, danificando automóveis e o portão do estabelecimento.
