Em meio a críticas recentes ao gramado, Fonte Nova terá quatro shows e três jogos do Bahia em 56 dias
Maior praça esportiva da Bahia, a Arena Fonte Nova abriga os jogos do Esporte Clube Bahia e também oferece a estrutura necessária para shows e eventos de grande porte em Salvador.
A utilização do estádio como arena multiuso faz com que o calendário seja dividido entre partidas de futebol e apresentações de artistas nacionais e internacionais. Em 2026, a Fonte Nova já recebeu cinco eventos musicais, enquanto outros sete estão anunciados até dezembro.
Dentro de campo, o Bahia disputou 21 partidas no estádio até a data de publicação desta matéria. Foram 20 compromissos oficiais e o amistoso contra o Montevideo City Torque, realizado em 4 de julho. Restam oito jogos do Tricolor como mandante na temporada, todos pelo Campeonato Brasileiro.
A divisão do calendário ganha relevância diante das críticas recorrentes do técnico Rogério Ceni à qualidade do gramado. Entre agosto e setembro, a Fonte Nova tem quatro shows programados em um intervalo de 56 dias, período no qual o Bahia pode realizar três partidas no estádio.
CINCO SHOWS JÁ FORAM REALIZADOS EM 2026
O primeiro evento musical do ano foi o Pranchão, realizado em 10 de janeiro, com Durval Lelys, Xanddy Harmonia, Araketu e Filhos de Jorge. Como o evento não foi no gramado, no dia seguinte, o Bahia estreou no Campeonato Baiano contra o Jequié, na própria Fonte Nova.

Foto: Luís Vasconcelos/Bahia Notícias
Depois, o estádio recebeu duas apresentações em março. O Sunset Gospel foi realizado no dia 14, mas também não afetou o gramado, pois foi realizado na praça sul do estádio.
Em 28 de março, Marisa Monte apresentou a turnê “Phonica”, acompanhada por banda e orquestra, o palco ficou na praça sul e a pista foi montada no gramado (veja abaixo). Quatro dias depois, em 1º de abril, o Bahia enfrentou o Athletico-PR pelo Brasileirão.

Foto: Divulgação.
O Guns N’ Roses se apresentou em 15 de abril, com abertura dos Raimundos. A partida seguinte na Fonte Nova ocorreu sete dias depois, em 22 de abril, quando o Bahia recebeu o Remo pela Copa do Brasil.
O quinto evento foi o show de Djavan, em 23 de maio. A apresentação ficou entre duas partidas do Bahia: seis dias após o empate com o Grêmio, em 17 de maio, e sete dias antes da vitória sobre o Botafogo, no dia 30. A pista de ambos os eventos foi montada no gramado.

Desta forma, os intervalos entre os eventos já realizados e as partidas seguintes foram:
- Pranchão para Bahia x Jequié: um dia;
- Sunset Gospel para Bahia x Red Bull Bragantino: quatro dias;
- Marisa Monte para Bahia x Athletico-PR: quatro dias;
- Guns N’ Roses para Bahia x Remo: sete dias;
- Djavan para Bahia x Botafogo: sete dias.
BAHIA JÁ DISPUTOU 21 PARTIDAS NA FONTE EM 2026
Os jogos do time profissional masculino do Bahia realizados no estádio estão distribuídos da seguinte forma:
- Campeonato Baiano: sete jogos — Jequié, Galícia, Barcelona de Ilhéus, Porto, Jacuipense, Juazeirense e Vitória;
- Campeonato Brasileiro: 11 jogos — Fluminense, Vitória, Red Bull Bragantino, Athletico-PR, Palmeiras, Santos, Cruzeiro, Grêmio, Botafogo, Chapecoense e Corinthians;
- Libertadores: um jogo — O’Higgins;
- Copa do Brasil: um jogo — Remo;
- Amistoso internacional: um jogo — Montevideo City Torque.
O total chega a 21 partidas, sendo 20 oficiais e uma amistosa. A relação pode ser conferida nas fichas técnicas publicadas pelo Bahia.

Foto: Maurícia da Matta / Bahia Notícias.
QUATRO SHOWS EM DOIS MESES
A próxima sequência de eventos começa no dia 1º de agosto, com o show do Kid Abelha. O Bahia havia atuado na Fonte Nova seis dias antes, no empate com o Corinthians, e voltará ao estádio em 9 de agosto, contra o Vasco. A diferença entre o show e a partida será de oito dias.

No dia 22 de agosto, Luan Santana apresenta o projeto “Registro Histórico”. O jogo seguinte do Bahia como mandante será contra o Internacional, com data-base entre 29 e 31 de agosto. Portanto, o intervalo será de sete a nove dias.
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Foto: Divulgação
A janela mais curta poderá ocorrer em setembro. O Maroon 5 se apresenta no dia 10, enquanto Bahia x Remo tem data-base entre os dias 12 e 14. A diferença será de dois a quatro dias. Caso a CBF marque o jogo para 12 de setembro, haverá aproximadamente 48 horas entre o show e a partida.

No dia 26 de setembro, Xande de Pilares e o Grupo Revelação apresentam o projeto “Tava Escrito”. O jogo anterior do Bahia na arena será contra o Remo, entre 12 e 14 de setembro, enquanto o compromisso seguinte será diante do Mirassol, entre 10 e 12 de outubro.

A relação dessa sequência será:
- 1º de agosto: Kid Abelha;
- 9 de agosto: Bahia x Vasco;
- 22 de agosto: Luan Santana;
- 29, 30 ou 31 de agosto: Bahia x Internacional;
- 10 de setembro: Maroon 5;
- 12, 13 ou 14 de setembro: Bahia x Remo;
- 26 de setembro: Xande de Pilares e Grupo Revelação.
Serão, portanto, quatro shows e três partidas do Bahia na Fonte Nova entre 1º de agosto e 26 de setembro.
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Foto: Maurícia da Matta / Bahia Notícias.
CALENDÁRIO ATÉ O FINAL DO ANO
Depois dessa sequência, o Bahia ainda receberá Mirassol, Flamengo e São Paulo em outubro. Em novembro, Liniker se apresenta no dia 7, enquanto o jogo contra o Coritiba tem data-base entre os dias 21 e 23.
O projeto Dominguinho, formado por João Gomes, Jota.pê e Mestrinho, está anunciado para 28 de novembro. O evento possui venda de ingressos, mas ainda não aparece na agenda oficial da Arena Fonte Nova.
Caso a apresentação seja mantida no estádio, ocorrerá entre os jogos contra Coritiba e Atlético-MG. O intervalo será de cinco a sete dias depois da partida contra o time paranaense e de apenas quatro dias antes do confronto com a equipe mineira, previsto inicialmente para 2 de dezembro.
O último show anunciado para 2026 é “O Maior Encontro do Samba”, em 19 de dezembro, com Alcione, Zeca Pagodinho e Jorge Aragão, participação de Martinho da Vila e abertura de Arlindinho. A apresentação ocorrerá 17 dias depois do último mando previsto do Bahia na temporada.
Os oito jogos restantes do Tricolor na Fonte Nova são:
- 9 de agosto: Bahia x Vasco;
- 29, 30 ou 31 de agosto: Bahia x Internacional;
- 12, 13 ou 14 de setembro: Bahia x Remo;
- 10, 11 ou 12 de outubro: Bahia x Mirassol;
- 17, 18 ou 19 de outubro: Bahia x Flamengo;
- 28 ou 29 de outubro: Bahia x São Paulo;
- 21, 22 ou 23 de novembro: Bahia x Coritiba;
- 2 de dezembro: Bahia x Atlético-MG.
O Bahia encerrará o ano com 29 partidas na Fonte Nova: 28 oficiais e uma amistosa.

Foto: Divulgação/Fonte Nova.
GRAMADO FOI COMPLETAMENTE TROCADO APÓS CRÍTICAS EM 2025
O gramado atualmente utilizado na Fonte Nova foi instalado em outubro de 2025. A troca completa ocorreu depois das críticas registradas nos jogos do Bahia contra Palmeiras e Flamengo.
A discussão ganhou força após o triunfo tricolor por 1 a 0 sobre o Palmeiras, em 28 de setembro. Durante o primeiro tempo, o clube paulista precisou substituir Lucas Evangelista e Piquerez, que deixaram a partida com problemas físicos.
Na entrevista coletiva, Abel Ferreira atribuiu as lesões às condições do campo e classificou a situação como incompatível com o futebol profissional.
“Estamos a falar de futebol de alto nível, futebol profissional, e isto deveria ser inadmissível”, declarou o treinador. Abel também afirmou que o pé dos jogadores ficava preso no gramado e chamou atenção para a utilização de tinta na superfície.
Rogério Ceni contestou a tentativa de relacionar as lesões e a derrota do Palmeiras diretamente ao gramado, mas concordou que o campo não apresentava a condição ideal. Segundo ele, o piso prejudicava principalmente o Bahia, que buscava iniciar a construção das jogadas desde a defesa.
“Não é o ideal? Concordo, tenho que concordar. Precisa melhorar, mas lesão muscular na conta do gramado já é demais”, afirmou Ceni. O treinador também disse que o estado do campo atrapalhava mais o modelo do Bahia do que o estilo de ligação direta utilizado pelo Palmeiras.
As condições do gramado também foram registradas na súmula pelo árbitro Anderson Daronco. O documento informou que o campo “não apresentava boas condições para a prática do futebol, estando em estado regular”.
Daronco acrescentou que havia grande quantidade de tinta verde em praticamente toda a superfície, utilizada para cobrir imperfeições.
Antes da partida, a administração da Fonte Nova havia informado que o gramado passaria por uma intervenção de manutenção. Segundo o comunicado, a atividade alterou temporariamente a coloração da cobertura vegetal, mas os índices de tração, compactação, resistência e umidade permaneciam dentro dos padrões de conformidade.
A discussão continuou na partida seguinte do Bahia como mandante, contra o Flamengo, em 5 de outubro. Jogadores da equipe carioca e Rogério Ceni voltaram a pedir melhorias no campo. No dia seguinte, a administração da Arena anunciou a troca completa do gramado.
Foram utilizados 586 rolos da grama Bermuda Celebration, mesma espécie presente no estádio desde 2013. O novo piso estreou em 19 de outubro, na partida entre Bahia e Grêmio, pela 29ª rodada do Campeonato Brasileiro. O plantio foi concluído em outubro de 2025.

Foto: Letícia Martins / EC Bahia.
NOVAS CRÍTICAS EM 2026
Apesar da substituição realizada no final da temporada anterior, Rogério Ceni voltou a reclamar do campo já em fevereiro de 2026. Depois do empate por 1 a 1 com o Fluminense, o treinador relacionou a quantidade de erros de passe do Bahia às condições do piso e questionou os procedimentos adotados depois das partidas.
“Acham que é no horário comercial que se cuida de gramado. Gramado não se cuida em horário comercial”, afirmou Ceni. O treinador também disse que não havia funcionários trabalhando no campo após o encerramento do jogo.
A crítica voltou a ser feita em julho. Após 35 dias sem partidas do Bahia no estádio, o Tricolor venceu o Montevideo City Torque por 4 a 1. Depois do amistoso, Ceni foi mais direto ao avaliar o piso.
“Esse gramado pode ficar parado 20 dias, um mês, que continua a mesma merda”, declarou em entrevista à TVE. A fala foi registrada após o amistoso.
Na partida mais recente do Bahia na Arena, contra o Corinthians, em 26 de julho, o treinador voltou ao assunto. Ceni afirmou que a qualidade do campo interfere no modelo de jogo adotado pelo Tricolor, baseado na construção desde a defesa e na tentativa de controle da posse de bola.
“Se tivéssemos um gramado melhor, teríamos melhores condições. Se tivéssemos gramados como na Copa do Mundo, erraríamos menos passes”, disse.
O treinador tricolor acumula inúmeras críticas ao gramado da Fonte Nova ao longo de pouco mais de quase três anos à frente do Bahia. Relembre as mais fortes:
- 13 de julho de 2024 — após Bahia 1 x 2 Cuiabá: Ceni afirmou que o campo “não tem a mínima condição” e sugeriu até a adoção de gramado sintético.
Leia a coletiva - 31 de julho de 2024 — após Botafogo 1 x 1 Bahia: disse que a velocidade dos passes era prejudicada na Fonte Nova e que não seria possível ver o Bahia jogar bem no estádio da mesma forma que jogou no Nilton Santos enquanto o gramado permanecesse naquele estado.
Leia a coletiva - 28 de setembro de 2025 — após Bahia 1 x 0 Palmeiras: reconheceu que o campo não estava em condição ideal e afirmou que o problema prejudicava mais o Bahia, embora tenha contestado Abel Ferreira sobre as lesões.
Leia a coletiva - 5 de fevereiro de 2026 — após Bahia 1 x 1 Fluminense: Ceni classificou o gramado como “complicadinho”, criticou a ausência de manutenção após a partida e afirmou que a situação iria piorar.
Leia a coletiva
MANUTENÇÃO REALIZADA
Após as críticas feitas em julho, a administração da Fonte Nova informou que o gramado passa por um cronograma anual de manutenção preventiva, planejado em conjunto com o Comitê de Gramado.
Segundo a concessionária, a pausa do calendário durante a Copa do Mundo foi utilizada para realizar descompactação do solo, aeração semanal, correção de nivelamento, adubação e manejo fitossanitário.
A Arena explicou ainda que o replantio pontual da área norte, mais afetada pelo sombreamento, precisou ser reprogramado para o período entre 5 e 10 de julho por causa da inclusão dos jogos contra o Montevideo City Torque e a Chapecoense. As informações constam em comunicado oficial publicado pela Fonte Nova.
EMPRESA RESPONSÁVEL PELO GRAMADO É A MESMA DO MARACANÃ E DE OUTROS ESTÁDIOS DO BRASIL
Outro aspecto amplia o debate sobre a qualidade do campo da Fonte Nova. A Greenleaf, responsável pela manutenção do gramado da Arena, também presta serviços no Maracanã e nos campos utilizados pelo Bahia no CT Evaristo de Macedo. A própria empresa informa que trabalha na Fonte Nova desde a Copa do Mundo de 2014, no Maracanã desde 1990 e inclui o Bahia entre os clubes atendidos. Os gramados do centro de treinamento tricolor, porém, são considerados de boa qualidade e não recebem as mesmas críticas direcionadas ao estádio.
O Maracanã também já foi utilizado por Rogério Ceni como referência positiva. Depois da vitória do Bahia sobre o Cruzeiro, em junho de 2024, o treinador comparou diretamente os dois campos.
"O gramado do Maracanã está dez vezes melhor que esse aqui", declarou Ceni.

Foto: Site da Greenleaf.
A comparação mostra que a presença da mesma prestadora não resulta necessariamente em condições idênticas. Em resposta às críticas, a Greenleaf explicou que o Maracanã possui gramado híbrido, com fibras sintéticas costuradas na zona das raízes da grama natural. A Fonte Nova, por sua vez, utiliza exclusivamente a Bermuda Celebration natural. Segundo a empresa, as diferenças entre solo, espécie, estrutura e comportamento das superfícies impedem uma comparação técnica direta. A Greenleaf também é responsável pelo gramado de Pituaçu, do Barradão, e dos Centros de Treinamentos de Bahia e Vitória.

FIFA visita Fonte Nova pensando na Copa do Mundo. | Foto: Bia Jesus / Bahia Notícias.
GRAMADO HÍBRIDO NA COPA FEMININA
A Fonte Nova passará por nova intervenção para receber a Copa do Mundo Feminina de 2027. A mudança, porém, não corresponde necessariamente a uma troca completa realizada pela FIFA.
A pedido da entidade, o estádio deverá adotar um gramado híbrido, com fibras sintéticas costuradas na grama natural. É o modelo utilizado, por exemplo, no Maracanã e na Neo Química Arena. A exigência busca aumentar a resistência e a estabilidade do piso.
As adequações deverão estar concluídas até 10 de junho de 2027, quando a Arena será entregue para uso exclusivo da Fifa. Os preparativos foram detalhados pela administração da Arena.
Além do gramado híbrido, a Fonte Nova deverá recolocar as cadeiras no setor norte inferior. A capacidade prevista para o Mundial é de 48.260 espectadores.
GRUPO CITY TEM INTERESSE NA CONCESSÃO
O debate sobre a operação da Fonte Nova também envolve o futuro administrativo do estádio. A praça esportiva pertence ao Governo da Bahia e é administrada pela Fonte Nova Negócios e Participações por meio de uma parceria público-privada.
O contrato atual termina em 31 de março de 2028. O Grupo City, controlador da SAF do Bahia, possui o interesse em participar da futura gestão e realizar investimentos no equipamento.
Em fevereiro de 2026, durante o lançamento da pedra fundamental do CFA Bahia, o governador Jerônimo Rodrigues confirmou a existência de conversas e defendeu que Estado, concessionária e Grupo City discutam uma solução após o encerramento da PPP vigente.
O próprio Governo da Bahia informou publicamente que apresentou ao conglomerado uma proposta para que a empresa avalie a gestão da Arena. Jerônimo afirmou que o projeto poderia manter tanto os jogos do Bahia quanto a utilização da Fonte Nova como praça de eventos.
Uma eventual mudança, no entanto, depende do encerramento do contrato atual e dos procedimentos jurídicos e administrativos aplicáveis a um bem público, incluindo a realização de processo licitatório. Até o momento, não há definição de que o Grupo City será o próximo gestor do estádio.
