Sob críticas, técnico do Bahia não quer 'levar pressão para o campo' no clássico
Eliminado na primeira fase da fase da Copa do Brasil pelo River do Piauí, o Bahia vive um momento de contestação às vésperas do clássico Ba-Vi deste sábado (8), na Arena Fonte Nova, pela Copa do Nordeste. Apesar de reconhecer que a pressão sobe com o vexame, o técnico Roger Machado declarou nesta sexta-feira (7) que não quer sentir essa pressão e nem levar o sentimento para o gramado da Arena Fonte Nova.
"Pressão aumenta, mas a necessidade de resultados continua a mesma. O treinador que não vence gera instabilidade, a pressão aumenta. Se sentir pressionado é outra questão. O ambiente pressionando o trabalho é uma coisa. Agora o comandante, a liderança, os atletas, podem levar para campo ou não. Gostaria que a gente não levasse essa pressão para campo, assim como procuro não levar. Administro da melhor forma possível o evento, a eliminação, depois de muitas Copas do Brasil que o clube não saia de forma precoce. Saber que é algo que não deveria acontecer, mas pode acontecer, faz parte do contexto desportivo. O que temos que fazer é aprender lições. O ambiente vai pressionar pela eliminação. Assim como quando se faz coisas boas tem elogios, quando não se faz se é cobrado pelos resultados e a pressão do ambiente vai aumentar. Se sentir pressionado é uma opção que desejo não levar para a beira do campo para não transmitir para os atletas, para que eles tenham naturalidade para atuar da melhor forma", indicou.
O comandante apontou a necessidade de um bom resultado, independente do tabu de 12 jogos que o Esquadrão carrega sem perder para o seu maior rival. O último revés diante do Rubro-negro aconteceu no dia 27 de abril, no Barradão, justamente pelo Nordestão.
"Tabus foram construídos ao longo do tempo. Na minha vivência, como, além de desportiva, treinador. Passei por muitos clássicos. Já passei pelo Grenal, Corinthians x Palmeiras, Atlético-MG x Cruzeiro, Fluminense x Flamengo, Caju, Caxias e Juventude, e cada clássico conta sua história, seu elemento cultural envolvido, ligado intimamente a esse jogo. O que a gente deseja é ter esse triunfo frente ao nosso adversário tradicional e manter essa escrita. Não que ela nos force a entrar em campo e manter. Jogar com essa prerrogativa e pressionado por essa questão de aumentar ou de não perder o clássico, que já vem, se não me engano, há 12 jogos. Só vai jogar um peso desnecessário. Nós queremos um triunfo. Vamos respeitar muito nosso adversário. Que a disputa fique dentro de campo. Também sei que, em outros clássicos, muitas vezes o externo se sobrepôs ao que aconteceu dentro de campo. Como a gente tem esse espetáculo, nós temos a responsabilidade também com a segurança desse evento e fazer dele um grande jogo de campo. Que o triunfo seja conquistado pelo melhor, e que esse melhor possa ser a gente", indicou.
Roger voltou a lamentar o fracasso diante do River do Piauí e apontou a busca por "outra história" a partir dos próximos jogos.
"A eliminação vai ficar marcada, assim como outros eventos. Só que a gente pode construir outra história a partir de agora. Um insucesso, daqui a um tempo, esses insucessos traumáticos são acumulativos. Quando a gente vir esses insucessos lá na frente, vai ser lembrado que a gente foi eliminado precocemente da Copa do Brasil. Mas nada que conquistas futuras para suavizar ou tranquilizar este insucesso, como uma parte importante da construção daquele triunfo, daquela conquista, de uma conquista de Sul-Americana, Copa do Nordeste. Isso tudo tranquiliza, como um passo importante. Mas isso vai depender de como a gente vai reagir no momento seguinte à eliminação. Se a gente vai se fortalecer e mostrar que foi um, embora dolorido, um passo importante para essa retomada. Ou sucumbir de alguma forma e não conseguir reagir na competição", indicou.
