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Executivo do Bahia relembra processo para viabilizar CT e avisa: 'Obras não vão parar'
Foto: Paulo Victor Nadal / Bahia Notícias

Hoje diretor executivo do Bahia, Pedro Henriques viveu intensamente o processo que levou o Bahia a enfim inaugurar o CT Evaristo de Macedo no último dia 11 de janeiro. Entre 2015 e 2017, como vice-presidente, o gestor participou de todo o imbróglio jurídico para recuperar o Fazendão e as chaves da Cidade Tricolor. Na sequência, Henriques voltou ao clube na gestão de Guilherme Bellintani para assumir o atual cargo e cuidar de toda a requalificação do espaço, que estava deteriorado em virtude da sua não utilização.

 

Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias, o dirigente relembrou todo o processo com a Construtora OAS, que usou os dois centros de treinamento como garantia de uma dívida com uma financeira, e a decisão de usar a área de Dias D'Ávila como o novo espaço dos atletas do clube.

 

"Tem todo o imbróglio da Cidade Tricolor que é anterior à gestão passada. Ainda na época de [Fernando] Schimidt foi feito um acordo com a OAS para que o clube voltasse a ter os dois patrimônios, só que nesse período estourou a Operação Lava Jato. Um dos primeiros contratos do clube em que me debrucei foi desse acordo e Vitor Ferraz, na época diretor jurídico, também esteve muito ativo. A minha preocupação era a capacidade da OAS cumprir o contrato diante do escândalo. Ouvimos sobre a possibilidade de recuperação judicial e na época conversamos com advogados, conselheiros e fizemos uma comissão para tratar do tema, e resolvemos que era importante fazer uma ação para preservar a Cidade Tricolor, o Fazendão e o terreno do Jardim das Margaridas. A gente entrou com uma ação cautelar, pedindo uma série de medidas, inclusive bloquear as matrículas dos imóveis. No decorrer da gestão, tentamos uma aproximação tanto com a OAS como com a Planner, que era a financeira que tinha a alienação fiduciária. O acordo foi viabilizado quando sentamos com os outros bancos que tinham o nosso patrimônio como garantia para chegar em um termo. Isso aconteceu lá em 2017, o Bahia efetuou o pagamento em cerca de R$ 6,5 milhões e uma quantidade considerável de Transcons. Acabou a gestão em 2017, começou a gestão de Guilherme e Vitor, e era preciso fazer uma escolha de como lidar com os patrimônios. Diante da grandeza e do potencial da Cidade Tricolor, entendemos que era importante fazer a migração", disse.


"Foi um dos pontos que Guilherme me abordou quando me convidou para voltar. O pessoal acha que no Bahia tem pouco trabalho, mas acho que tem pouco dirigente para muito trabalho. Há uma série de obrigações estratégicas e institucionais. Dentro desse contexto, ele me passou e começamos a trabalhar nisso. As primeiras demandas foram os campos e os prédios. Precisava fazer uma reforma muito grande e os orçamentos estavam variáveis. O que a gente fez? Contratou uma empresa para definir o escopo da obra. Foi feita uma planilha global para que as empresas fizessem propostas específicas de acordo com a definição", explicou.

 

 

Foto: Felipe Oliveira / Divulgação / EC Bahia

 

Com o desafio do investimento, feito com recursos próprios, Henriques admitiu que o clube teve dificuldades para encaminhar toda a reconstrução do CT. Hoje, com a Cidade Tricolor em funcionamento, o dirigente garante que as obras vão continuar para melhorar ainda mais a estrutura. Mais alojamentos, campos e um sistema de energia solar estão entre os planos da diretoria.

 

"Iniciamos em 2019, mas numa velocidade mais lenta do que a gente gostaria. Começamos a tocar a obra e o desafio passou a ser mobiliar e equipar. Conversamos com as melhores fornecedoras de aparelhos de academia, com a ajuda dos nossos preparadores físicos. Construímos uma academia que não estava no projeto para a base. Tinham dois auditórios no prédio e fizemos uma sala de fisioterapia, departamento médico e academia. Entendemos que isso foi importante para a base. Esse foi o grosso em termo estrutural. Houveram outros detalhes de paisagismo, obras de arte, que dão um visual diferente, além da comunicação visual. É muita coisa! Originalmente pensávamos em junho, mas entendemos que mudar no meio da temporada seria ruim. O CT não vai ficar 100% pronto porque as obras não vão parar. Estamos na segunda fase. Agora mesmo estava em uma reunião para instalação da energia solar. É um investimento grande, mas que se paga", relatou o gestor.

 

Sem se aprofundar, Henriques rebateu o ex-presidente Marcelo Guimarães Filho, que comemorou a inauguração do CT nas redes sociais (relembre aqui).Ele lembrou que o mandatário destituído em 2013 deixou o clube sem os centros de treinamento e com uma grande dívida.

 

"Tenho me envolvido cada vez menos na política do clube. Mas como uma pessoa que torce e acompanha o Bahia, acho engraçado. Na gestão dele, o Bahia não tinha Cidade Tricolor, Fazendão... Tinha sim um endividamento de quase R$ 200 milhões. Quem tem boca fala o que quer, né?", indicou.

 

Com a Cidade Tricolor pronta, o clube se prepara para vender o Fazendão. Um edital já foi publicado e o clube já recebeu propostas, de acordo com Henriques. Vale lembrar que o processo também passará pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral de Sócios. 

 

"A gente fez uma avaliação com um profissional e é um valor dentro da realidade do mercado. Recebemos algumas propostas, mas não acredito que seja uma proposta que vá entrar muito dinheiro à vista no Bahia. Essas operações não são assim. Digamos que seja de R$ 15 milhões a R$ 25 milhões. Querendo ou não, pode vir um aporte mensal que nos ajude nessas execuções de projeto e nas demais atribuições".

 


Confira outros pontos da entrevista: 

PERMANÊNCIA DE BELLINTANI

"Guilherme é um grande gestor e a sociedade baiana tem ele como uma referência de empreendedor de sucesso. É natural que seja cotado. Felizmente ele desejou permanecer. Dá uma estabilidade importante para a democracia e tenho certeza que ele levou isso em consideração. O Bahia vem em uma crescente. Houveram mudanças estruturais para essa política do Bahia, com estatuto reformado e modernizado, credibilidade saneada e o caminho pavimentado para que ele pudesse fazer investimentos mais ousados, essa agressividade no marketing. Acho que ele deve focar na gestão que ele tem, assim como qualquer um que venha a dirigir o clube".

 

PILARES PARA SALTO NO ORÇAMENTO

"A estruturação e a credibilidade. Sem isso, seria uma bola de neve em endividamento. O fundamental também foi a receita com torcedores. Sócios, ingressos, loja, Arena Fonte Nova... Se somar tudo, chega perto da TV. Estamos trazendo o torcedor para perto do clube e isso é mérito da democracia. É uma base de saída muito importante. Na venda de atletas, o clube tem conseguido fazer bons negócios. Para mim, o próximo grande desafio, além de melhores performances, é dar um salto de qualidade na base. Vendemos Jean, Juninho Capixaba, Becão, Brumado... Essas vendas fazem a máquina girar. A gente queria que os jogadores da base jogassem sempre no profissional, mas podem ser que tenhamos jogadores que sirvam para vender para outros centros. Isso faz a máquina girar, ainda mais com a valorização de outras moedas".

 

EXPECTATIVA PARA 2020

"Tem que ser melhor que o ano passado. Gostaria de ver o clube levantar um título além do Baiano e o mais factível é a Copa do Nordeste. É uma competição que a torcida gosta, que tem apelo e que tem um retorno financeiro melhor que o estadual e nos coloca nas oitavas da Copa do Brasil. Queremos uma campanha boa na Sul-Americana e na Copa do Brasil. Claro que todo mundo quer ser campeão, mas sabemos da dificuldade. O mínimo é ser melhor que no ano passado. E no Brasileiro não acho que seja razoável não terminar na primeira página. Estando na primeira página, olhando uma vaga na Libertadores ou na pré. Demos uma vacilada no ano passado. Essa é uma das coisas que a democracia também proporcionou: a frustração era quando era rebaixado, perdia Ba-Vi, que tem tempo que não perdemos... Hoje nossa frustração é não ir para a Libertadores, perder de virada para o Flamengo...".

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