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'Foi Deus': Após 10 anos, Arturzinho repete discurso de milagre contra o Fast

Por Ulisses Gama

'Foi Deus': Após 10 anos, Arturzinho repete discurso de milagre contra o Fast
Arturzinho está sem clube no momento | Foto: Acervo Pessoal

Quando o árbitro Rogério Pereira da Costa apitou pela última vez e encerrou a partida entre Bahia e Fast, no dia 7 de outubro de 2007, a antiga Fonte Nova se misturou entre felicidade e alívio. Ali, o Esquadrão de Aço venceu por 1 a 0 e garantiu a classificação para o octogonal final da Série C com um gol do atacante Charles, marcado aos 50 minutos do segundo tempo. Comandante da equipe, Arturzinho se ajoelhou, agradeceu aos céus e, aos berros, disse aos seus jogadores: "Não foi treinador, nem jogador. Foi Deus quem quis". 

 

Dez anos após o milagre contra o time amazonense, o treinador, garante que o resultado positivo e marcado pela emoção teve uma ajuda divina. 

 

"Se alguém tinha dúvida que tinha um ser superior, foi confirmado naquele dia. Além de dependermos de um resultado improvável no jogo do ABC com o Rio Branco, fizemos o gol aos 50 do segundo tempo e eles tiveram mais oportunidades. A cobrança que existia na época era muito grande. Agradeço a Deus até hoje e fui na Igreja do Bonfim. Se não fosse a ajuda divina, nós não teríamos conseguido", disse, em entrevista ao Bahia Notícias

 

Conhecido como "Rei Artur" enquanto atleta, Arturzinho não pôde ajudar dentro de campo, mas foi o responsável por colocar o reserva Charles em campo. "O Charles treinava bem, jogava poucos minutos, mas tinha qualidade. Tínhamos o artilheiro que era o Nonato e ele não estava bem. Nao sei se tirei ele e coloquei o Moré, mas tentei todas as alternativas. Poucas pessoas sabem, mas momentos antes do gol, quando acabou o jogo no Acre, o Dudu Fontes me falou: 'Cara, faltam três minutos, não tem mais jeito, não'. Falei para ele que tinha certeza que íamos no classificar. Estava em transe. Alguma coisa me passou isso. Se eu falei é porque papai do céu me iluminou, me transmitiu", explicou.

 

Reserva, Charles foi o responsável pelo gol milagroso | Foto: Correio*

 

Em um jogo marcado pela má produção ofensiva e os sustos vindos do Fast, o ápice veio no fim, quando o lateral Carlos Alberto cruzou rasteiro e o camisa 18, que ganhou o apelido de "anjo 50", colocou a bola para dentro para a alegria dos 8.927 pagantes que estiveram presentes. "Lembro que abracei todo mundo. Tem uma fotografia em algum jornal. Eu me ajoelhei pra agradecer e fiquei ali ajoelhado. Alguns fotógrafos tiraram essa foto, que rodou o Brasil inteiro. Quem vê essa foto isolada depois fala: 'Pô, esse treinador é doido'. Mas eles mal sabem o que significava aquela oração. Reuni todos os jogadores, fizemos a roda e agradecemos. Não foi tática, não foi técnica, foi Deus quem quis. Ali ficou provado que iríamos subir", pontuou o treinador, que decretou: o Bahia seguiu vivo também pela força de sua torcida.

Arturzinho se ajoelhou para comemorar | Foto: Reprodução / Blog Futebol Bahiano

 

"Se você souber o que aconteceu, você desacredita do nosso acesso. Salário atrasado, dificuldades a concentração... Nós tínhamos que ajudar os funcionários. Se era ruim pra gente, imagina para os funcionários? Era muito difícil. Se nós não ajudássemos, eles não iriam ao clube. O Bahia naquela época só vivia do seu torcedor, que talvez seja o mais fanático no país. O Bahia sobreviveu pela sua torcida", finalizou. 

 

Depois da heróica classificação para a fase final, o Bahia garantiu o acesso à Série B com o segundo lugar, tendo seis triunfos, seis empates e apenas duas derrotas, totalizando 24 pontos.

 

A ESCALAÇÃO DO BAHIA CONTRA O FAST: Márcio Angonese, Carlos Alberto, Alisson, Eduardo e Adilson; Marcone, Émerson Cris, Danilo Gomes (Charles) e Cléber (Inho Baiano); Moré e Nonato (Amauri) Técnico: Arturzinho.

 

Relembre o gol marcado por Charles: