Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Hall

Travelling

Davidson pelo Mundo: Explorar o turista ou cultivar o turismo?

Por Davidson Botelho

Davidson pelo Mundo: Explorar o turista ou cultivar o turismo?
Foto: Divulgação

O verão brasileiro de 2026 começou com um roteiro indigesto. Praias cheias, sol forte, mar convidativo e uma sequência de denúncias sobre cobranças abusivas, preços extorsivos e tentativas explícitas de “passar a mão” no bolso de quem só queria descansar ou viver novas experiências positivas. Cadeiras cobradas como se fossem suítes de luxo, bebidas a preços de aeroporto e serviços básicos tratados como artigos premium, isso quando ainda não havia agressões morais e físicas.

 

Esse fenômeno revela uma miopia perigosa: a de quem acredita que turismo é sinônimo de explorar o turista. Em muitos destinos, especialmente os que vivem picos intensos na alta temporada, consolidou-se uma lógica distorcida: “agora é a hora de fazer a gordura do ano”. A ideia é simples e equivocada. Já que fora do verão o movimento cai, é preciso compensar cobrando o máximo possível de quem aparece. O problema é que essa conta raramente fecha.

 

O turismo, diferente de uma extração mineral, não funciona à base de retirar tudo o que se pode enquanto a jazida está aberta. Turismo é um negócio de recorrência, reputação e memória. O visitante não leva só uma foto ou uma lembrança, ele leva uma narrativa, uma experiência. E, na era das redes sociais, essa narrativa viaja mais rápido que qualquer avião.

 

Um turista que se sente explorado não volta. Mais grave ainda, ele avisa, reclama em grupos, escreve avaliações negativas, conta sua experiência em vídeos e posts. Em pouco tempo, o destino passa a carregar um rótulo invisível, porém poderoso: “lá é bonito, mas você é tratado como trouxa”.

 

Essa é a diferença entre explorar o turista e cultivar o turismo. Quem explora pensa no caixa de hoje; quem cultiva pensa no fluxo de amanhã, no ano que vem, na próxima década.

 

Destinos turísticos saudáveis são aqueles que entendem que preço justo, serviço honesto e hospitalidade não são gentilezas, são estratégias econômicas. Cidades como Lisboa, Barcelona e até pequenos vilarejos europeus aprenderam isso cedo: é melhor ganhar menos por pessoa e mais por volume do que enriquecer em uma temporada e definhar nas seguintes. É compreensível o aumento de preços devido ao aumento da demanda, isso é a lei do livre comércio de produtos e serviços, mas não pode passar da linha tênue que leva ao abismo da exploração.

 

No Brasil, muitas praias correm o risco de cometer um suicídio comercial lento. O turista nacional já começa a comparar destinos não só pela beleza, mas pelo custo-benefício e pelo respeito. Quando percebe que seu dinheiro rende mais e é melhor tratado em outro lugar, ele muda de rota, inclusive indo gastar seu suado dinheiro no exterior.

 

No fim das contas, a pergunta que cada barraqueiro, comerciante, hoteleiro e gestor público deveria se fazer é simples: quero sugar este turista agora ou quero que ele volte com amigos, família e boas histórias?

 

Porque turismo de verdade não se faz com exploração, se faz com confiança e experiências!

 

Boa Viagem!