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Aos 82 anos, artista baiano transforma barro em revestimentos inspirados na cultura nordestina

Por Redação

Aos 82 anos, artista baiano transforma barro em revestimentos inspirados na cultura nordestina
Foto: @ricardolabastier

A estética da xilogravura, tradicionalmente associada aos folhetos da literatura de cordel, ganha uma nova interpretação no trabalho do artista plástico baiano Joelito Modesto dos Reis. Aos 82 anos, ele produz revestimentos e azulejos artesanais em barro que trazem, em relevo, imagens inspiradas na cultura e na paisagem do Nordeste. As peças são desenvolvidas pela Cerâmica Reis, projeto criado em 2017 em Vitória da Conquista, no sudoeste da Bahia. As informações são da plataforma Nordestesse.

 

Diferente dos azulejos industriais, as peças são feitas manualmente e carregam características únicas de textura, forma e tonalidade. O barro utilizado na produção é retirado de uma jazida localizada na fazenda da família, o que permite controlar a origem da matéria-prima e manter um processo artesanal desde o início.

 


   

Foto: Reprodução/Instagram Reis Ateliê de Cerâmica

 

A produção dos revestimentos começa com o desenho criado por Joelito. A partir dessa ilustração, é feita uma matriz de gesso que funciona como molde para os azulejos. Cada forma é preenchida manualmente com barro e depois passa pelo processo de secagem antes de seguir para a queima no forno.

 

O calor intenso faz com que o material adquira resistência e revele as tonalidades naturais da argila. Para preservar essas variações de cor, a Cerâmica Reis não utiliza pigmentos artificiais. Assim, cada peça apresenta nuances próprias que surgem durante a queima.

 

Outro aspecto que marca o processo produtivo é a escolha do combustível utilizado no forno. A queima é feita com madeira de demolição, alternativa que busca reduzir o impacto ambiental e aproveitar materiais que seriam descartados.

 

As matrizes de gesso usadas na produção também têm um tempo limitado de uso. Devido ao desgaste provocado pela alta temperatura do forno, elas precisam ser refeitas periodicamente, geralmente a cada poucos meses, garantindo a qualidade do relevo nas peças.

 

O resultado são revestimentos cerâmicos que funcionam tanto como elementos decorativos quanto como soluções arquitetônicas. Os azulejos podem ser utilizados individualmente, como quadros, ou aplicados em conjunto para compor painéis e revestir paredes inteiras.

 


Foto: Reprodução/Instagram Reis Ateliê de Cerâmica

 

Nos relevos criados por Joelito aparecem elementos que remetem à identidade nordestina. A fauna, a flora e manifestações culturais da região surgem representadas em imagens de pássaros, flores, árvores e cenas do cotidiano do interior.

 

Grande parte dessas referências vem das memórias do artista, que nasceu em Morro do Chapéu, na Chapada Diamantina. A paisagem da região e a cultura popular influenciam diretamente os desenhos que servem de base para os revestimentos.

 

Hoje, a produção da Cerâmica Reis é realizada por uma pequena equipe familiar responsável pelas etapas de fabricação e logística. O trabalho também ganhou visibilidade nas redes sociais, especialmente na página @ceramicareis, onde são apresentados os revestimentos e o processo artesanal por trás das peças.

 

Ao transformar o barro em revestimentos artísticos, Joelito dos Reis une arte e arquitetura em um mesmo objeto. O resultado são azulejos que, além de decorar ambientes, carregam traços da cultura nordestina e da tradição artesanal brasileira.

 

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