Modo debug ativado. Para desativar, remova o parâmetro nvgoDebug da URL.

Usamos cookies para personalizar e melhorar sua experiência em nosso site e aprimorar a oferta de anúncios para você. Visite nossa Política de Cookies para saber mais. Ao clicar em "aceitar" você concorda com o uso que fazemos dos cookies

Marca Bahia Notícias Hall
Você está em:
/
/
Social

Notícia

Salvador recebe lançamento do livro “Mulheres de Pedra”, de Alexandre Augusto, sobre trabalhadoras da Chapada Diamantina

Por Redação

Salvador recebe lançamento do livro “Mulheres de Pedra”, de Alexandre Augusto, sobre trabalhadoras da Chapada Diamantina
Foto: Divulgação

No interior da Bahia, longe dos grandes centros e das estatísticas oficiais, mulheres passam o dia quebrando rochas sob sol intenso para transformar pedra bruta em paralelepípedos. Cada unidade produzida rende apenas R$ 0,15. A realidade dessas trabalhadoras é retratada no livro “Mulheres de Pedra”, do fotógrafo e jornalista Alexandre Augusto, que será lançado nesta quinta-feira (12), em Salvador.

 

O evento acontece na Rua Dr. Chrysippo de Aguiar, 8 (3º andar), no bairro da Vitória e está previsto para iniciar às 19h. 

 

A obra reúne 58 fotografias feitas em pedreiras da Chapada Diamantina e mostra o cotidiano de mulheres que exercem uma das atividades mais pesadas do país. O livro, publicado pela Editora Noir, evidencia não apenas o esforço físico envolvido na produção dos paralelepípedos, mas também a resistência e a dignidade de quem depende desse trabalho para sustentar a família.

 

Tradicionalmente associado aos homens, o ofício nas pedreiras também é desempenhado por mães, filhas e netas que mantêm a produção ativa. Após horas quebrando pedra, muitas delas ainda enfrentam uma segunda jornada em casa, cuidando da alimentação, da limpeza e dos filhos.

 

O livro também chama atenção para questões estruturais como informalidade, desigualdade de gênero e invisibilidade social. Em muitas famílias, o trabalho nas pedreiras atravessa gerações. Algumas das mulheres retratadas começaram ainda jovens, seguindo o mesmo caminho das próprias mães.

 

Apesar da dureza do cotidiano, a atividade permitiu pequenas conquistas para algumas famílias, como ampliar a casa, comprar uma geladeira ou adquirir uma motocicleta. Avanços modestos que, segundo o autor, foram construídos ao longo de anos de esforço físico intenso.

 

“Agradeço a Deus todos os dias pela pedra. Foi com a pedra que criei meus filhos. É com a pedra que hoje eles criam meus netos”, relata uma das trabalhadoras retratadas na obra.

 

No prefácio do livro, o jornalista Roberto Pompeu de Toledo destaca um detalhe simbólico presente nas fotografias. “Eloquente é o detalhe do esmalte nas unhas das trabalhadoras. O esmalte trabalha contra a lógica da pedra, da dureza e da pobreza, e berra aos céus”, escreve.

 

Entre força física e delicadeza, exaustão e resistência, Mulheres de Pedra busca lançar luz sobre uma realidade pouco visível do país e sobre mulheres que sustentam suas famílias em condições de trabalho duras e quase sempre ignoradas.

 


 

Siga o @bnhall_ no Instagram e fique de olho nas principais notícias.