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"A dona é Iemanjá": Conheça a Casa da Mãe, espaço cultural que já recebeu Manu Chao, Gil e Caetano no Rio Vermelho

Por Nathalí Brasileiro

"A dona é Iemanjá": Conheça a Casa da Mãe, espaço cultural que já recebeu Manu Chao, Gil e Caetano no Rio Vermelho
Fotos: Nathalí Brasileiro / BN Hall | Acervo Pessoal

 Em frente à Casa de Iemanjá, no Rio Vermelho, em Salvador, outro espaço carrega no nome a reverência à Rainha do Mar. No número 81, a Casa da Mãe mistura música, gastronomia e acolhimento, cumprindo um papel que vai além do cultural: é um lar para artistas na capital baiana. Há 18 anos, o espaço criado pela cantora e chef Stella Maris se tornou um refúgio para quem busca experimentar, criar e compartilhar arte.  

 


Conheça a Casa da Mãe | Foto: Nathalí Brasileiro / BN Hall

 

Natural de Santo Amaro, no Recôncavo Baiano, Stella veio para Salvador estudar e ensinar música, mas sentia falta de um lugar onde pudesse expandir sua carreira e dar vazão à sua criatividade. "Precisava de um lugar para experimentar, para criar sem medo. Dar palco à minha arte", contou ao BN Hall. Foi assim que, em 2006, ela decidiu abrir as portas da Casa da Mãe.

 

O espaço, no entanto, acabou acolhendo mais outros artistas do que a própria Stella. "Coloquei meu trabalho na incubadora. Conheci muita coisa, muita gente, muitos artistas novos. E é isso, a Casa da Mãe é um projeto para isso, tornou-se um projeto para muitos", afirmou.  

 

A escolha do nome não foi por acaso. Localizada em frente ao mar, onde Iemanjá reina, a casa carrega a essência maternal da Rainha das Águas. "Quando pisei aqui pela primeira vez, antes mesmo de alugar o espaço, olhei para lá e pensei: essa é a casa da minha mãe", disse Stella, que é filha de Iemanjá. "Eu não sou dona dessa casa. Apenas administro, a dona é Iemanjá", completou.  

 


A Casa da Mãe possui obras em reverência à Rainha do Mar | Fotos: Nathalí Brasileiro / BN Hall

 

Ao longo dos anos, a Casa da Mãe se tornou um ponto de encontro para artistas consagrados e iniciantes. Nomes como Carlos Barros, Mãeana, Nara Gil, Majur, Bia Ferreira e Roberto Mendes já passaram por lá, muitos deles ainda no início de suas carreiras. O espaço influenciou a abertura de outros locais culturais em Salvador, com um formato que prioriza a experimentação e a liberdade artística.  

 

"Queria ter mais dias na semana, mais dias no ano para poder abraçar todo mundo. Todos os tipos de artistas, de instrumentistas, de gente que está começando. Este ano, estamos tentando ver um projeto que seria exatamente só para carreiras que estão começando, um dia na semana, como já fizemos antes", explicou Stella.  

 

Na Casa da Mãe, nenhum gênero musical é proibido, mas o artista que leva conceito e verdade a cada canção é sempre bem-vindo. "A música é arte, precisa ser movida a algo, ter um porquê, uma essência, não ser só para agradar ao público. Se não, vira entretenimento. O entretenimento você encontra em qualquer lugar, e na Casa da Mãe queremos oferecer aquilo que não se encontra em qualquer esquina de Salvador. A maioria dos bares tem música para entreter o público. Aqui, não queremos usar a música como um produto", ressaltou.  

 

 

 

Ao longo desses 18 anos, muitos momentos marcantes aconteceram no espaço. Um dos mais memoráveis foi a visita surpresa do cantor Manu Chao, em 2009. "Eu estava aqui com uma cantora de Camaçari, uma colega minha da escola de música, fazendo um show de voz e violão. Aí entrou um cara e perguntou: ‘Posso dar uma canja?’. Eu disse: ‘Pode’. Estavam poucas pessoas aqui. E começaram a falar: ‘É Manu Chao, é Manu Chao’. Aí começaram a ligar uns para os outros e, em pouco tempo, a casa lotou de gente", relembrou Stella.  

 

Outros grandes nomes da música brasileira, como Gilberto Gil e Caetano Veloso, também já passaram pela casa. "Mas sem puxar saco, sem estender tapete, sempre deixando a pessoa à vontade e respeitando o espaço", ressaltou a proprietária.  

 


Caetano Veloso na Casa da Mãe | Foto: Mila Cordeiro 

 

Além da música, a Casa da Mãe se destaca pela gastronomia, que resgata a culinária do Recôncavo Baiano. Stella traz ingredientes como camarão defumado, farinha, dendê, sururu, carne de sertão, folha de maniçoba e maturi (castanha de caju verde). "Tem coisa que a gente não encontra em Salvador, não tem jeito, lá é melhor", afirmou.  

 

Entre os pratos que conquistaram o paladar dos visitantes estão a casquinha de maturi, a maniçoba e o vatapá, preparados de formas diferenciadas e que se tornaram referência no cardápio da casa.  

 

Sobre o futuro, Stella mantém os pés no chão, mas não deixa de sonhar. "Eu imagino que a gente vai entrar numa nova fase. Hoje, temos uma referência no Brasil como uma casa de cultura, recebemos artistas do Brasil inteiro. Espero que a gente consiga ficar maior, sonhos não faltam. Queremos que essa casa seja perfeita, num tamanho perfeito, mas tudo ainda está em planos. Queremos continuar sendo a casa que abriga arte, que faz cultura, abraçando novas carreiras", disse.  

 

 

 

Enquanto isso, Stella se prepara para mais um passo em sua trajetória artística. No próximo dia 21 de fevereiro, ela lança o projeto "Língua das Ondas", na Casa do Comércio. A obra, inspirada na maré, fala sobre o tempo e as incertezas da vida. "Nesse lançamento, eu falo sobre a maré, sobre essas pressas e agonias que a gente tem. Mas a verdade é que nunca se sabe o tempo exato das coisas. A pessoa vai saber quando a coisa acontecer. É como a maré, ela simplesmente chega, no tempo dela. É uma coisa exata do tempo, não do humano", contou.

 

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