Queijos baianos conquistam 57 medalhas em premiação nacional
Por Redação
A Bahia voltou a ganhar destaque no cenário nacional da produção artesanal de queijos. Na edição 2026 do Prêmio Queijo Brasil, realizada entre os dias 22 e 25 de julho, em Blumenau, Santa Catarina, produtores baianos conquistaram 57 medalhas, sendo 25 de Ouro, 21 de Prata e 11 de Bronze. O resultado colocou em evidência a diversidade e a qualidade dos queijos produzidos em diferentes territórios do estado.
Entre os destaques estão três queijarias atendidas pelo Sebrae em Jacobina, que, juntas, conquistaram nove medalhas. Os produtos premiados são elaborados com leite de vaca, cabra e búfala e incluem, além dos queijos, doce de leite. A participação reforça a presença da produção artesanal baiana em uma das principais vitrines do setor no país.
A Cooperativa Capribéee, de Jaguarari, foi responsável por cinco das medalhas conquistadas pelo grupo. O Queijo Capela Limão Siciliano e o Queijo Lajinha receberam Ouro, enquanto o Meia Cura, o Queijo Gangorra e o Queijo Poço Grande foram premiados com Prata.
Para a diretora-presidente da cooperativa, Eugênia Ribeiro Félix, o reconhecimento representa a valorização de um trabalho que reúne tradição e busca constante pela qualidade.
“Para a gente é uma satisfação muito grande poder participar e ter o reconhecimento por um queijo de qualidade. Trabalhamos com qualidade, dedicação, história e tradição, e esse resultado nos traz muito orgulho e nos impulsiona cada vez mais”, afirma.
Segundo Eugênia, a parceria com o Sebrae também tem contribuído para o aperfeiçoamento dos processos da cooperativa. “Já desenvolvemos vários trabalhos juntos de aperfeiçoamento, e essa parceria só traz resultados positivos para o desenvolvimento e crescimento da Capribé”, destaca.
Em Piritiba, a Queijaria Campo Verde conquistou duas medalhas de Prata com o Doce de Leite de Búfala e o Queijo Serra do França. Com três anos de atuação, a empresa surgiu de um projeto familiar que une a criação de búfalos no semiárido baiano à produção artesanal de queijos e derivados.
À frente do negócio estão a administradora de empresas Marielle Assis Galvão e o veterinário Raphael Galvão. Enquanto ele atua na criação e reprodução dos animais na fazenda, ela é responsável pela administração da produção.
“Receber esses prêmios pelo segundo ano consecutivo é extremamente gratificante e nos fortalece para conduzir o nosso negócio, feito com muito cuidado e dedicação, levando à mesa do consumidor um produto saudável, sem conservantes e completamente artesanal”, afirma Marielle.
A empreendedora também destaca o papel do Sebrae na trajetória da queijaria. “Através do Sebrae, participamos de eventos importantes, aprendemos e aprimoramos o nosso projeto. A nossa gratidão é muito grande pelo apoio que temos recebido”, completa.
Já a Queijaria Lácteos Boa Vista, de Nova Fátima, conquistou duas medalhas. O Queijo Flor de Alecrim recebeu Ouro, enquanto o Coalho Boa Vista foi premiado com Bronze.
Além de reconhecer a qualidade dos produtos, a premiação também evidencia a diversidade da produção queijeira baiana. Para Valdemir Matos, gestor de projetos do Sebrae em Jacobina, responsável pelo projeto Leite e Derivados e jurado do Prêmio Queijo Brasil há cinco anos, a participação em concursos do setor contribui para que os produtores aprimorem seus produtos e ampliem sua presença no mercado.
“O Prêmio Queijo Brasil é uma oportunidade ímpar para os produtores de queijo e outros derivados do leite de todo o Brasil terem seus produtos avaliados por um corpo de jurados. Os resultados, mesmo quando não recebem medalhas, são imensamente importantes para os queijeiros, pois a devolutiva aponta os pontos que merecem atenção para a melhoria da qualidade do produto”, explica.
Para Matos, o desempenho baiano também está relacionado à capacidade dos produtores de desenvolver queijos com características próprias de cada região.
“A Bahia tem se destacado nas premiações por conta da sua capacidade de produzir queijos autorais, que expressam o terroir dos diversos biomas do nosso estado. Seja ouro, prata ou bronze, a medalha tem um imenso valor porque reconhece o esforço, a criatividade e o talento de cada um desses profissionais do queijo”, afirma.
A 9ª edição do Prêmio Queijo Brasil reuniu 2.720 produtos inscritos por 583 produtores de 19 estados e do Distrito Federal. Ao todo, foram entregues 1.687 medalhas, após avaliação às cegas realizada por especialistas e jurados do setor.
Na Bahia, as 57 premiações foram distribuídas entre diferentes territórios. Vitória da Conquista liderou com 17 medalhas, seguida por Teixeira de Freitas e Irecê, com nove cada. Jacobina contabilizou sete premiações, enquanto Feira de Santana e Ilhéus conquistaram seis cada. Salvador encerrou a lista com três medalhas.
De acordo com Wagner Carvalho, coordenador de Agronegócio do Sebrae Bahia, a participação dos produtores no evento também representa uma oportunidade de aproximação com o mercado nacional.
“A missão promove a conexão dos produtores com um ambiente relevante de mercado e de reconhecimento da qualidade, proporcionando networking, prospecção comercial, troca de experiências e participação em premiações do setor”, destaca.
Além da competição, o Prêmio Queijo Brasil contou com feira de produtos lácteos e tecnologia, palestras, oficinas, rodada de negócios, formação queijista, Desafio Queijista e degustações guiadas de queijos brasileiros.
Siga o @bnhall_ no Instagram e fique de olho nas principais notícias.
