Dia Mundial do Chocolate: Marcas baianas celebram o cacau com sabores que contam histórias
No universo dos sabores, poucos alimentos são tão populares e celebrados quanto o chocolate. Feito a partir do cacau, matéria-prima conhecida entre antigos povos da América como “alimento dos deuses”, o produto ganhou o mundo e hoje é sinônimo de cultura, história e economia. A Bahia tem papel central nessa trajetória: é um dos maiores produtores de cacau do Brasil e referência na exportação do fruto, além de abastecer o mercado nacional com amêndoas cultivadas, em grande parte, no sul do estado. Entre Ilhéus, Itabuna e região, surgem iniciativas que transformam o cacau baiano em chocolates com identidade própria, valorizando o terroir e o trabalho dos produtores.
Nesta segunda-feira (7), Dia Mundial do Chocolate, a data é um convite para conhecer algumas das marcas baianas que revelam a diversidade e a força do cacau produzido no estado.
AMMA CHOCOLATE ORGÂNICO (@ammachocolate)
A Amma Chocolate Orgânico é um dos nomes baianos que cruzaram fronteiras e conquistaram o paladar de quem valoriza chocolate de origem e sustentável. O cacau usado pela marca vem de fazendas no sul da Bahia, em áreas próximas a Ilhéus, Itabuna e Itacaré, onde o cultivo respeita práticas orgânicas e preserva a Mata Atlântica.
A marca aposta em um portfólio diverso, com chocolates que vão dos amargos mais intensos, como o 100%, 85% e 75% cacau, aos meio-amargos (60% e 50% cacau), além das opções ao leite com 45% e 30% de cacau. Para quem busca ainda mais versatilidade, a Amma também oferece nibs de cacau, que são pedacinhos da amêndoa levemente torrada e triturada, e cacau em pó, disponível nas versões 50% e 100% cacau. Os produtos podem ser encontrados na loja online da marca.
JU ARLÉO CHOCOLATES (@juarleochocolates)
A Ju Arléo Chocolates nasceu em Ilhéus, no sul da Bahia, como um desdobramento natural da tradição da família Arléo na produção de cacau fino. Já na quarta geração de produtores, a família decidiu ir além da matéria-prima e transformar o cacau cultivado na Fazenda Santa Rita em chocolate, em um processo conhecido como tree to bar, que vai desde a árvore à barra.
A marca leva o nome de Julia Arléo, que, ainda criança, demonstrou paixão pelo cacau e pediu de presente uma máquina de moer amêndoas para produzir chocolate. Hoje, ela acompanha de perto as etapas de cultivo e fabricação e compartilha o dia a dia da fazenda e da fábrica com os seguidores nas redes sociais.
Os chocolates da marca são produzidos com amêndoas certificadas com Identificação Geográfica Sul da Bahia. As opções vão de um chocolate ao leite com 36% de cacau, mais doce e cremoso, até barras 70% cacau, destinadas a quem prefere sabores mais intensos. A linha inclui combinações como banana, doce de leite e cupuaçu.
Entre os produtos premiados estão a barra 36% cacau ao leite com cupuaçu, ouro no Academy of Chocolate, em Londres, em 2024, e o 70% cacau com mel de abelha uruçu, prata na mesma premiação em 2022. Os chocolates podem ser comprados pelo site oficial da marca, com preços a partir de R$ 25.
BENEVIDES CHOCOLATES FINOS (@benevideschocolates)
Criada em Itabuna, no sul da Bahia, a Benevides Chocolates Finos nasceu do desejo da empresária Leilane Benevides de transformar o cacau local em chocolate autoral, unindo sua paixão pela confeitaria à vivência com pequenos produtores da região. Filha da terra do cacau e bancária de formação, Leilane acompanhava de perto a rotina desses agricultores, o que inspirou a criação da marca.
Com amêndoas do sul da Bahia, a Benevides desenvolve mais de 20 receitas exclusivas, com intensidades que vão de 35% a 100% de cacau, e já coleciona 16 prêmios internacionais. Os sabores vão além do tradicional: há combinações como chocolate 70% cacau com jabuticaba, 70% com pimenta, 35% chocolate branco com bolo de aipim e já se arriscou até um ousado ovo de Páscoa com sabor de acarajé.
Entre as criações que chamam atenção também está a barra de 35% chocolate branco com canjica baiana. E não é aquele mugunzá chamam de canjica que por aí. A receita leva milho e é finalizada com canela, como manda a tradição.
JUPARÁ CHOCOLATES (@juparachocolates)
A Jupará é um nome que carrega a Bahia no DNA e é reconhecida nacionalmente pela produção de chocolates finos, artesanais e pensados para atender quem busca opções sem glúten, lactose ou gorduras hidrogenadas. O cacau usado vem do sul da Bahia, enquanto a finalização das barras acontece na fábrica da marca, em Salvador.
As barras da Jupará apresentam teor de cacau que varia entre 60% e 100%, onde quanto maior o percentual, maior a concentração de antioxidantes e menor a presença de açúcar. A composição padrão inclui massa e manteiga de cacau artesanal, açúcar orgânico nas versões adoçadas, além de nibs de cacau ou castanhas em algumas variações.
Com mais de sete anos de atuação, a Jupará acompanha todo o processo produtivo do cacau, da amêndoa até a barra final, adotando práticas de rastreabilidade, sustentabilidade e respeito ao sabor. A empresa valoriza a cadeia produtiva local, garantindo responsabilidade socioambiental e qualidade em cada etapa.
Os chocolates, que vão do ao leite ao zero açúcar, podem ser adquiridos pelo site da marca, com preços a partir de R$ 11.
VAR CHOCOLATE (@varchocolates)
O cacau que dá vida aos chocolates da Var vem da Fazenda Lajedo do Ouro, em Ibirataia, no sul da Bahia, onde o cultivo é feito com todo o cuidado, seguindo o conceito tree to bar, ou seja, da árvore direto para a barra de chocolate.
A marca oferece uma gama que vai de 35% a 80% de cacau, com sabores que refletem as diferentes variedades de fruto cultivadas por lá, como o Catongo, o Forasteiro Amazônico e o Trinitário. Um destaque especial vai para o Catongo, um cacau de grãos esbranquiçados que produz um chocolate com sabor mais suave e cor clara, que pode até enganar no paladar e parecer um chocolate ao leite, mesmo sem conter leite.
Esse cacau Catongo é tão especial que além de ser usado nos chocolates da Var, também é vendido para outras marcas artesanais que produzem chocolate bean to bar. Como em toda boa história, tem quem adore esse sabor delicado e quem prefira as variedades mais intensas, uma questão de gosto e descoberta.
Quem quiser conhecer mais sobre os produtos e as novidades pode acompanhar o Instagram oficial da marca.
MENDOÁ CHOCOLATES (@mendoachocolates)
Foram dez anos de pesquisa e desenvolvimento dos cacaueiros na Fazenda Riachuelo, em Ilhéus, até a Mendoá alcançar uma amêndoa de qualidade extraordinária. Foi assim que a marca conquistou seu espaço no mercado de chocolate premium, com produtos que valorizam a regionalidade e a originalidade do cacau baiano.
Surgida em 2013, a Mendoá apresentou seu chocolate premium pela primeira vez no Festival Internacional do Chocolate de Ilhéus. Desde então, coleciona prêmios e selos internacionais que reconhecem a qualidade do processo de produção e a experiência sensorial proporcionada aos consumidores. A marca investe em tecnologia para controlar sabor, textura, brilho, aroma e retrogosto, aquele sabor que permanece na boca depois da degustação.
Os chocolates são elaborados com intensidades que vão de 40% a 100% de cacau e incluem combinações com cupuaçu, castanha-de-caju, café, castanha-do-pará, gengibre, acerola e coco. A Mendoá trabalha com o conceito tree to bar, acompanhando toda a cadeia produtiva para garantir qualidade do fruto à barra.
Os produtos têm preços a partir de R$ 12,35 e podem ser adquiridos pelo site oficial da marca.
MODAKA CACAU DE ORIGEM (@modakacacau)
Na Fazenda São José, em Barro Preto, o chocolate 100% orgânico da Modaka Cacau de Origem ganha forma de maneira artesanal, em meio à floresta. As amêndoas são cultivadas, fermentadas e secas ao sol na própria fazenda. A marca oferece cinco sabores de chocolates em tabletes, além de nibs e amêndoas crocantes, todos orgânicos.
A família Viana Lima cultiva cacau na região desde 1896, preservando a floresta por meio do sistema cabruca, que mantém o cacau sob a sombra de árvores nativas. Desde 2012, a Modaka transforma esse fruto em chocolates de origem garantida e qualidade reconhecida, com compromisso social e ambiental.
Entre as opções estão barras com 70% de cacau nas versões crocante, com nibs, café e sal rosa. A linha também inclui chocolates em tabletes, amêndoas crocantes e nibs, que são pedaços da amêndoa com sabor intenso e natural.
A produção é certificada pelo Instituto Biodinâmico e segue práticas sustentáveis que respeitam a natureza e a tradição artesanal.
TOMBADOR CACAU (@tombadorcacau)
A Bahia abriga uma "fantástica fábrica de chocolate", mais especificamente no povoado de Tombador II, na Região da Beira do Rio Jiquiriçá, na cidade de Valença. Se trata do Tombador Cacau, empresa que produz chocolate, desde o colhimento do cacau, principal ingrediente, até a finalização do doce, já em barra. Os produtos comercializados são diversos, entre eles, chocolates com 56,6%, 70% e 100% cacau, chocolates zero açúcar, ovos de páscoa, chocolates com café e com castanha, além de Mel de Cacau e Licor de Mel de Cacau para o São João.
Os produtos da marca podem ser encontrados em lojas espalhadas por diversas diversas regiões do estado. Na capital baiana, os produtos estão disponíveis em lojas como a Cesol do Salvador Shopping e do Salvador Norte Shopping.
BAIANÍ CHOCOLATES (@baianichocolates)
No Vale Potumuju, em Arataca, nasce o cacau que dá vida às criações da Baianí Chocolates. A tradição vem de longe: as famílias Pinheiro e Aquino cultivam o fruto no sul da Bahia desde o fim do século XIX. O cacau é produzido no sistema cabruca, no coração da Mata Atlântica, respeitando o equilíbrio da floresta e ajudando a preservar um dos biomas mais ricos em fauna e flora do planeta.
O chocolate da Baianí é todo artesanal, feito com o cuidado de quem conhece o cacau desde a raiz. E as combinações não deixam por menos: tem barra 65% com crocante de maracujá, 100% cacau para os fãs do amargor puro, opções com raspas de laranja, nibs de limão com pimenta e até uma versão caipirinha, que mistura chocolate e cachaça artesanal envelhecida em barril de jequitibá. Para completar, há também sabores como o 65% com tapioca e coco, entre outras surpresas.
Os produtos podem ser encontrados na loja online da marca, prontos para levar um pouco da Mata Atlântica e do sabor baiano para qualquer canto do país.
BEM CACAO (@bemcacao)
Direto de Ilhéus, no sul da Bahia, a Bem Cacao transforma o cacau fino em chocolates e derivados que já ganharam reconhecimento mundo afora. A marca soma duas medalhas de bronze no prestigiado Academy of Chocolate Awards, uma das principais premiações do setor: em 2023, com o chocolate branco com baunilha e amêndoas, e em 2024, com o chocolate ao leite 52% com baunilha.
A produção segue os princípios da cabruca, mantendo o cultivo do cacau sob a sombra da Mata Atlântica e valorizando ingredientes da sociobiodiversidade brasileira. A marca é familiar e aposta em chocolates com alto teor de cacau, sempre com mais nibs e com aquele cuidado típico de quem respeita o fruto e a floresta.
Entre os sabores estão o chocolate intenso 70% cacau sem lactose, o 60% amazônico com jujuba de cupuaçu, o ao leite 52% com fava de baunilha e o branco 36% com baunilha e amêndoas. A linha de gotas também traz essas versões, ideais para quem gosta de colocar a mão na massa ou só beliscar aos pouquinhos. E para quem busca algo diferente, vale conhecer o melaço de mel de cacau, feito em parceria com a Fazenda Caminho Feliz, no Rio do Engenho: uma redução adocicada com aquele toque cítrico único do cacau baiano.
Os produtos estão disponíveis na loja online da marca e em pontos parceiros.
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