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via metropolitana
O senador Jaques Wagner (PT-BA) declarou nesta sexta-feira (24) que perdeu parte de um terreno de sua propriedade com a construção da Via Metropolitana, rodovia projetada durante seu governo, e que abriu mão de receber indenização pela área.
"Sobre o terreno, dá até vontade de rir, porque o terreno talvez tenha sido a única obra feita na Bahia para benefício dos baianos que não teve paga desapropriação. A estrada passou pelo traçado que os engenheiros acharam melhor, cortou lá um pedaço do terreno e eu digo, não vou cobrar nenhuma desapropriação", disse o senador em entrevista à rádio Andaiá FM.
O terreno fica nas margens da Via Metropolitana, rodovia criada para ser um eixo de expansão da Grande Salvador e contratada durante a gestão do próprio Jaques Wagner à frente do governo do estado.
A área, comprada em 2000, quando Wagner ainda era deputado federal, foi vendida pelo senador em 2025 por R$ 15 milhões. O contrato previa o pagamento antecipado de R$ 2 milhões, enquanto os outros R$ 13 milhões seriam pagos em permuta física em um empreendimento futuro.
O terreno tinha 51 mil metros quadrados, tamanho equivalente a sete campos de futebol, e havia sido adquirido na época por R$ 28 mil, o equivalente a cerca de R$ 130 mil em valores corrigidos. Passados 25 anos, a área foi vendida com valorização de 11.400%, já descontada a inflação do período.
Durante a entrevista, o senador minimizou a valorização do terreno ao longo do tempo. "É óbvio que tudo valoriza em 26 anos", disse.
A transferência do terreno vendido foi barrada em 25 de junho por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, como parte da nona fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades relacionadas ao Banco Master. Mendonça determinou restrições a atividades econômicas de Wagner, incluindo o bloqueio de contas, bens e valores do senador.
O governo estadual, o município de Lauro de Freitas e a Concessionária Bahia Norte terão 15 dias para encaminhar ao Ministério Público Federal (MPF) uma resposta sobre o restabelecimento da política de isenção da taxa do pedágio aos moradores da comunidade quilombola Quingoma.
A Defensoria Pública da União (DPU), a Defensoria Pública do Estado da Bahia (DP-BA) e o Ministério Público Federal (MPF) enviaram, nesta terça-feira (16), recomendação ao órgãos referente à tarifa cobrada pelo pedágio administrado pela Bahia Norte que está localizado na Via Metropolitana, que liga a BA-526 (Estrada CIA-Aeroporto) à BA -099 (Estrada do Coco), na Região Metropolitana de Salvador. As menores tarifas são para motocicletas e motonetas, R$ 3,50. Para os carros de passeios o valor cobrado é de R$ 7.
No documento, as instituições destacam a ausência de vias alternativas gratuitas que viabilizem a livre circulação dos moradores às áreas adjacentes ao seu território, em razão da existência de outras praças de pedágio nas estradas do entorno. Além disso, pontuam as consequências sociais e econômicas negativas para as comunidades, como dificuldade no acesso a bens e serviços essenciais, como saúde e educação, assim como o desempenho de suas atividades laborais.

Fonte: DPU, DP-BA e MPF
A DPU, DP-BA e MPF ressaltam, ainda, ser fundamental que os órgãos municipais, estaduais ou federais, em quaisquer projetos, obras e atividades que possam impactar territórios tradicionais, independentemente da fase do processo de certificação ou titulação, observem, respeitem e assegurem consulta prévia, livre e informada aos povos e comunidades tradicionais, como prevê a Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT) , a Política Nacional de Desenvolvimento Sustentável dos Povos e Comunidades Tradicionais (Decreto 6.040/2007), entre outras normas nacionais e internacionais.
Em nota enviada ao Bahia Notícias, a Concessionária Bahia Norte esclareceu que “as isenções de pedágios em rodovias sob sua gestão são previstas em contrato de concessão e deferidas exclusivamente pelo Governo do Estado da Bahia, através da AGERBA, Agência Reguladora responsável pela regulação dos serviços prestados”.
“A possível isenção aos moradores residentes em comunidades quilombolas ao longo do Sistema Rodoviário BA-093 foi indeferida pelo Estado, sendo somente prevista, por força do contrato de concessão, aos veículos de Corpo Diplomático e os veículos oficiais, devidamente identificados - assim entendidos aqueles que sejam de propriedade da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal, seus respectivos órgãos, departamentos, autarquias ou fundações públicas”, diz o texto.
A Concessionária Bahia Norte informou ainda que mantém um diálogo constante com as comunidades quilombolas e segue cumprindo com todos os acordos e parcerias firmados para a preservação do patrimônio material e imaterial das áreas associadas às rodovias.
Assinaram a recomendação o defensor regional de direitos humanos na Bahia, Gabriel César; a defensora pública estadual Aléssia Tuxá; a procuradora da República Marília Siqueira; e o procurador da República Marcos André Carneiro.
A Comunidade de Quingoma foi certificada como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em julho de 2013 e teve o relatório antropológico finalizado em 2017. Apesar disso, o processo de demarcação ainda não foi finalizado. Além da questão territorial e do problema relacionado à cobrança do pedágio e de melhorias e sinalização das vias que dão acesso à comunidade, a DPU também vem atuando para evitar a implantação de um aterro sanitário, um centro de treinamento esportivo e a criação do Bairro Novo na área quilombola sem a anuência e efetiva participação da comunidade nos processos decisórios.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Flávio Bolsonaro
"Hoje o Metrópoles fez uma matéria criminosa querendo marginalizar a advocacia. Eu fiz um trabalho para uma empresa, fui contratado para isso, prestei serviços advocatícios. Tudo certo. Relação completamente legal e privada".
Disse o senador e presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ) negou, em vídeo publicado nesta quarta-feira (22), ter prestado serviços à Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., empresa apontada como de fachada no esquema de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.