O simples privilégio de saber ler e escrever
No Brasil da década de 1950, mais da metade da população com 15 anos ou mais eram analfabetos. O acesso às letras era um privilégio restrito a poucos, limitando a cidadania de milhões de brasileiros.
No final dessa mesma década, um jovem estudante de Direito consegue organizar um projeto de alfabetização de adultos, tendo como professores, voluntários estudantes da Faculdade de Direito do Recife, hoje a Universidade Federal de Pernambuco. Esse grupo de estudantes construiu uma didática curiosa, simples e profundamente motivadora. Em vez das tradicionais cartilhas e livros didáticos, resolveram utilizar as palavras do vocabulário popular como base do seu projeto de alfabetização.
Esse foi o ponto de partida de uma grande virada histórica para o povo brasileiro. Aquele projeto simples e despretensioso tornou-se a base de uma verdadeira revolução educacional, conquistando o mundo com suas práticas inovadoras.
Hoje, 80 anos depois, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 4,9% é o índice de analfabetismo no Brasil. Essa é uma das muitas razões pelas quais o educador Paulo Freire é intitulado o patrono da educação brasileira.
O impacto dessa metodologia refletiu nas décadas que seguiram. Ainda segundo dados do IBGE, 4,9% de brasileiros, o que corresponde a 10,45 milhões de pessoas, ainda estão no mapa do analfabetismo.
Falar de ações de alfabetização voltadas para Jovens, Adultos e Idosos é assumir a responsabilidade social de devolver há mais de 10 milhões de pessoas o direito a uma vida plena de inserção social, de inclusão ao mundo letrado, ampliação do acesso ao mercado de trabalho.
O Instituto Yduqs abraçou o desafio de reduzir o analfabetismo na Bahia. Assim, nos últimos quatro anos, desenvolve um projeto de extensão com os estudantes do curso de Pedagogia, oferecendo semanalmente, aulas gratuitas.
Na prática, as salas de aula tornam-se espaço de conexão entre a vida e o aprender. Mais do que entender letras, conectar palavras, eles aprendem a lidar com as complexas questões da vida social como: solicitar um carro de aplicativo, ler e escrever em um grupo de Whatsapp, preencher uma ficha de matrícula no Sistema Único de Saúde (SUS) ou mesmo aprender como se locomover nas estações do metrô da cidade de Salvador.
Assim ensinamos todos os dias o valor da educação para a vida. Nas mais pequenas necessidades.
Em âmbito nacional, o Programa de Alfabetização do Instituto Yduqs é voltado à educação de jovens e adultos e está presente em 21 unidades, distribuídas pelas regiões Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Desde sua criação, a iniciativa já contribuiu para a alfabetização de mais de 2 mil pessoas. Em 2026, o programa oferece formação gratuita de 120 horas, realizada ao longo de aproximadamente quatro meses, em parceria com unidades da Estácio e da Wyden e com o Instituto Equatorial. A iniciativa também está alinhada ao Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 4, que prevê assegurar uma educação inclusiva, equitativa e de qualidade.
*Iône Ramos é pedagoga, educadora e palestrante, com experiência na área da Educação, especialmente em docência no ensino superior, gestão e coordenação educacional, orientação escolar, psicopedagogia clínica e institucional e formação de educadores. Atualmente, atua como professora do Programa de Alfabetização do Instituto Yduqs, contribuindo para iniciativas voltadas à alfabetização e ao desenvolvimento educacional
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