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uran rodrigues
O fotógrafo e DJ Uran Rodrigues, criador do movimento cultural “O Pente”, embarcou rumo à Europa para sua primeira turnê pelo continente. A estreia acontece em Paris, onde o projeto criado pelo baiano integra a programação da Lavage de la Madeleine, tradicional celebração da cultura afro-brasileira realizada na capital francesa.
No domingo (13), a partir das 11h (horário local), o DJ comandará a música na concentração do evento, na Place de la République. A programação segue com um cortejo pelas ruas de Paris, acompanhado por grupos percussivos e de dança, até a Igreja de la Madeleine. Nesta edição, a cantora Mariene de Castro assume o comando do trio. O evento também conta com a participação do cantor Jau.
A passagem pela França marca o início da temporada europeia de “O Pente”, que reúne música brasileira, cultura negra e conexões entre Brasil e diáspora. Após Paris, o baiano segue para Portugal, Espanha e Inglaterra, onde cumpre uma agenda de apresentações, encontros e articulações culturais.
A iniciativa dá continuidade à trajetória internacional do artista, que já passou por países como Colômbia, Argentina, Estados Unidos, Angola e Moçambique.
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Nascido em Ipiaú, Uran Rodrigues foi destaque na Nordestesse neste domingo (1º). Criador do baile O Pente, ele se mudou para Salvador aos 21 anos e, no último ano, passou por cidades como São Paulo, Nova York, Maputo, Johannesburgo, Curitiba, Rio de Janeiro e Belo Horizonte com o projeto.
O Pente foi lançado em 2015, na capital baiana, com a proposta de abrir espaço para jovens artistas negros. Segundo Uran, a iniciativa surgiu a partir da percepção de que faltavam oportunidades para DJs e músicos negros, especialmente os que estavam começando a carreira.
“Sonhava com um espaço acolhedor, que tocasse música preta, com artistas pretos. Mas, mesmo em Salvador, não contratavam DJs pretos, jovens músicos pretos desconhecidos também não tinham espaço”, afirmou Uran em entrevista à Nordestesse. Ele diz que a decisão de criar o próprio evento veio após anos atuando nos bastidores de festas e produções culturais. “Se os espaços não existem, que a gente os crie”.
Uran é o caçula de cinco irmãos. Cresceu em Ipiaú, onde a mãe trabalhou como doméstica e feirante. O pai se mudou para São Paulo. “Minha mãe trabalhou como doméstica, foi feirante, eu vendia picolé. Na infância, nem sonhava com palcos, festas”.
Formado em Letras pela Universidade Estadual de Santa Cruz, em Ilhéus, ele conta que começou a atuar na produção cultural após procurar a promoter Licia Fabio, quando soube que ela lançaria uma revista. Passou a trabalhar como fotógrafo e relações-públicas em eventos. “Foi lá que formei meu mailing, conheci artistas e personalidades”.
Ao longo dos anos, O Pente ampliou o formato e passou a reunir apresentações musicais, performances e outras expressões artísticas. Na pista, ritmos como samba, afrobeat, kuduro, brega, funk, pop e trap fazem parte da programação. “É música para dançar com a alma, sem se importar com quem está ao lado”, finalizou.
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