Jerônimo aponta "cultura de uso" e falta de clínicas no interior como principais desafios do Planserv
Por Maurício Leiro / Rebeca Menezes / Daniel Araújo
Durante a sua participação no programa Bahia Notícias no Ar nesta quinta-feira (30), na rádio Antena 1 Salvador, o governador Jerônimo Rodrigues (PT) detalhou a situação do Planserv, a assistência à saúde dos servidores públicos estaduaism que vem sendo alvo de críticas de muitos usuários. Avaliando o sistema como "equilibrado e muito competente", o chefe do Executivo baiano pontuou que os entraves do plano não estão apenas na gestão, mas também no comportamento dos usuários e na falta de interesse do setor privado em investir no interior do estado.
O governador demonstrou preocupação com a quantidade de procedimentos pagos pelo Estado que acabam sendo desperdiçados pelos próprios beneficiários. "A cultura do uso é essa: 'Eu estou pagando, eu vou usar, vou fazer exames'", explicou. Jerônimo relembrou dados da época do ex-governador Rui Costa para ilustrar o problema: "O plano paga 50, 70 mil consultas ou exames e a pessoa não vai lá buscar. [...] Isso é fato, existe uma cultura de receitas que é absurda."
Além do comportamento do usuário, o gestor indicou que o governo tem adotado uma postura firme contra abusos da rede credenciada. "[...] às vezes as clínicas filiadas faziam isso [exames desnecessários], nós estamos rigorosos sobre isso", argumentou.
Um dos maiores gargalos citados é a dificuldade de acesso à saúde em municípios menores, o que força o deslocamento de servidores (professores, policiais, agentes do Detran) para centros maiores, sobrecarregando o sistema. "Você chega, digamos, em Serrinha não tem um serviço, eu vou pra Feira de Santana, só que tá todo mundo em Feira e sobrecarrega."
Jerônimo defendeu que a ausência de infraestrutura no interior não é uma falha exclusiva do plano. "Não é culpa do Planserv, é porque o setor empresarial não tem interesse porque não tem rentabilidade para instalar ali uma clínica".
O governador também citou rapidamente o impacto financeiro da estrutura do plano, que é de baixo custo para o servidor, mas que absorve um volume grande de pessoas. "[...] os dependentes ali acabam elevando o custo do funcionamento dele."
Para mitigar a sobrecarga nos polos regionais, o governo busca formas de atrair a iniciativa privada. "Nós estamos sim revendo formatos, estimulando para ver se a gente consegue descentralizar, estimulando os empresários".
Apesar das dificuldades apresentadas, Jerônimo Rodrigues finalizou com uma avaliação positiva do sistema: "[...] eu quero dizer que o Planserv, olhando para o lado bom, é um serviço de plano de saúde muito equilibrado e muito competente".
