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trotes
Nos primeiros meses de 2026, o serviço de emergência da Secretaria da Segurança Pública recebeu mais de 18,9 mil trotes através dos dígitos 190,193 e 197. O dado representa 10% do total de ligações recebidas entre o período de janeiro e fevereiro de 2026, no Centro Integrado de Comunicações.
De acordo com o tenente-coronel Luciano Jorge, diretor da Superintendência de Telecomunicações da SSP, o número representa mais de 7,5 mil ocorrências reais. “Quando analisamos o ano de 2025, esse dado é ainda mais alarmante, pois foram realizados 115 mil trotes no último ano”, revelou o oficial.
No ano passado, as ligações representaram cerca de 4 mil horas com as linhas ocupadas, impedindo assim o acionamento de pessoas que realmente precisavam do serviço. “Nesse tempo, seria possível o atendimento de 57 mil ocorrências reais”, frisou o oficial.
O oficial revelou que as chamadas aconteceram, em sua maioria, na parte da manhã e tarde e, principalmente, durante o período de férias escolares, praticadas por crianças e adolescentes. À noite, as ligações são realizadas por adultos, com destaque para conversas inapropriadas e assédios aos atendentes.
Com base no Código Penal, trote é considerado crime e quem o pratica pode responder criminalmente pelo ato. “As falsas chamadas ocupam a linha e tiram atendimento de alguém que realmente precisa das forças policiais”, finalizou.
O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192) registrou 436.644 ocorrências em Salvador em 2025. Desse total, 61.708 foram trotes, o que representa cerca de 14% dos chamados recebidos no período. O Samu 192 é um serviço destinado exclusivamente a situações de urgência e emergência, com risco iminente de morte, comprometimento de órgãos ou membros, ou casos de sofrimento intenso que exigem resposta imediata.
Quando uma equipe é acionada para atender um falso chamado, outra ocorrência legítima pode ficar sem assistência no tempo necessário.
Para o gerente geral do Samu Salvador, Ivan Paiva, o enfrentamento aos trotes deve ser um compromisso de toda a sociedade. “Cada ligação recebida na nossa central é tratada como prioridade. Quando se trata de um trote, além de mobilizar equipes e viaturas de forma desnecessária, colocamos em risco quem realmente precisa de atendimento urgente. O Samu é um serviço que salva vidas, estruturado para atender situações graves como infartos, acidentes com múltiplas vítimas e crises respiratórias agudas, por exemplo. Um minuto pode fazer toda a diferença”, pontua.
Criado para garantir atendimento pré-hospitalar ágil e qualificado, o Samu atua em ocorrências clínicas, cirúrgicas, traumáticas, obstétricas, pediátricas e psiquiátricas. O serviço também é acionado em casos como acidentes de trânsito com vítimas, crises convulsivas, quedas com suspeita de fratura e outras situações que podem evoluir para sequelas graves ou morte.
COMO FUNCIONA
O acesso ao serviço é feito pelo número 192. Ao ligar, o cidadão é atendido inicialmente por um telefonista, responsável por coletar as primeiras informações.
Em seguida, a chamada é direcionada ao médico regulador, que avalia o caso e define a conduta mais adequada: orientação por telefone, encaminhamento para uma unidade de saúde ou envio de ambulância, nos casos mais graves.
WHATSAPP
Desde 2025, o serviço também passou a contar com atendimento via WhatsApp em Salvador, pelo número (71) 3143-5630. Basta enviar uma mensagem com “oi” para receber um link de chamada online com a central. O canal digital funciona de forma integrada ao 192 e amplia o acesso da população, especialmente em situações em que a ligação telefônica não é possível.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Jerônimo Rodrigues
"Os extremos não servem para nós. Nem uma polícia que não dê conta do seu papel, nem uma polícia que possa entrar no exagero e fazer ações fora do conceito de um servidor público. A polícia tem que garantir a segurança das pessoas e não ameaçá-las".
Disse o governador Jerônimo Rodrigues ao ser sabatinado na TV Aratu, nesta terça-feira (4) e abordou um dos temas mais sensíveis de sua gestão: a segurança pública e a atuação da Polícia Militar. Respondendo a questionamentos do jornalista Maurício Leiro, editor de política do Bahia Notícias, sobre a implementação das câmeras corporais nos fardamentos e suspeitas de excessos policiais, Jerônimo afirmou que "não passa a mão na cabeça" de quem atua fora dos padrões.