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O senador eleito e ex-governador do Maranhão, Flávio Dino, apresentou na tarde desta quarta-feira (23) o diagnóstico da segurança pública no Brasil e afirmou que o cenário de 2023 é “mais preocupante ainda”. De acordo com o senador, a falta de recurso pode comprometer até mesmo a posse presidencial.
“Nós temos problemas, concretamente, com combustível e diárias na Polícia Federal hoje, não são no futuro. Esses problemas podem, inclusive, criar constrangimentos para operações fundamentais a exemplo da posse presidencial”, afirmou Dino.
O senador é coordenador do grupo técnico de Justiça e Segurança Pública da equipe de transição do governo eleito, de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Dino se reuniu durante toda a tarde com secretários das áreas de segurança e administração penitenciária do país, além de comandantes das polícias militares de estados e alguns agentes representando da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF).
No primeiro diagnóstico apresentado, o senador afirmou que não só o cenário de 2023 é preocupante, mas também como para fechar o ano de 2022 ainda. “Não tem recurso para fechar ano. Algumas atividades essenciais estão parando”, pontuou.
Uma das atividades que estão sofrendo com o contigenciamento de recursos é a Policia Federal, que no último sábado (19) suspendeu a emissão de novos passaportes pela falta de dinheiro. De acordo com Dino, serão necessários R$ 74 milhões para retomar a normalidade da expedição de passaporte no país.
Ainda segundo ele, estão previstos no orçamento de 2023, R$ 1,2 bilhão para toda a Polícia Federal do país. “Tirando todos os custos das atividades essenciais, teremos apenas R$ 31 milhões para investimentos no ano que vem para a Polícia Federal de todo o país”, pontuou o senador.
Reestruturação da PF nos portos, readequação dos passaportes para se ter mais segurança e operações na Amazônia são alguns dos pontos considerados investimentos, que sofrerão com essa falta de recursos. “Chegamos a conclusão que esse orçamento de R$ 1,2 bi implicará num cenários de paralisar os serviços essenciais da PF”, avaliou Dino.
Além da posse presidencial, tanto a Polícia Federal (PF), quanto a Polícia Rodoviária Federal (PRF), não tem garantia de recursos para efetuar as operações de final de ano e a de Carnaval, que são consideradas grandes ações por parte da segurança pública. "Não houve anúncio de indicação de recursos até agora”, explicou o ex-governador do Maranhão.
‘COMPROMETIDOS COM A LEI’
Flávio Dino também repercutiu a fala de autoridades da segurança pública durante reunião na tarde desta terça. De acordo com o senador, houve uma significativa memória entre o clima de diálogo entre o governo eleito e as entidades de segurança pública.
“Houve a externarão de compromissos de todos em garantir a autoridade da lei. Vários comandantes disseram: estamos comprometidos com a lei e não com a ideologia política. Era tudo que queríamos ouvir”, afirmou Dino.
Ao comentar sobre a relação do governo atual, de Jair Bolsonaro (PL),que tentou tirar a autonomia de governos estaduais sobre as polícias militares, o senador se comprometeu a manter um diálogo aberto e receber as propostas da segurança no Brasil.
"Nunca o governo poderá subtrair a autoridade dos governadores com suas políticas. Isso foi fonte de conflito no contexto atual. […] As pautas nacionais terão pleno trânsito. Caminhamos para uma normalização dessa relação, discutir algumas pautas deles, como a tramitação da Lei Orgânica da Polícia Militar”, pontuou.
BLOQUEIO DE ESTRADAS
Questionado se o futuro governo trabalha com a possibilidade de lidar com os bloqueios das rodovias em 2023, Flávio Dino disse que o mais provável é de que promovidos pelos bolsonaristas, insatisfeitos com os resultados das eleições, não continuem até lá.
"Trabalhamos com cenário de reincidência, e a diretriz que a equipe indicará é um cenário inaceitável com o bloqueio de rodovias. Uma coisa é rodovia, outra é o bloqueio de direitos. Há uma estratégia sendo trabalhada nessa direção: bloqueio de estradas é inaceitável”, declarou o senador.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Léo Kret
"Estou aqui ó, com meu pai, com minha mãe, na minha casa. Dizendo que eu estou presa. Meu nome apenas foi mencionado numa investigação com um contrato que eu nem assino".
Disse a ex-vereadora de Salvador e cantora Léo Kret ao se pronunciar após ter se tornado alvo de busca e apreensão durante uma operação do Ministério Público, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).