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Uma investigação publicada pelo portal Intercept Brasil nesta quarta-feira (27) revelou que o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro reside atualmente em uma mansão avaliada em cerca de R$ 6 milhões na cidade de Southlake, localizada no estado do Texas, nos Estados Unidos. A cidade está listada entre as comunidades de maior poder aquisitivo do país norte-americano.
A residência, de acordo com anúncios imobiliários que estiveram ativos até fevereiro deste ano, possui estrutura de alto padrão e já foi oferecida para locação por aproximadamente R$ 30 mil mensais. Atualmente, Eduardo Bolsonaro tem seus bens bloqueados pela Justiça brasileira e, publicamente, afirma que "mora de aluguel" e enfrenta dificuldades financeiras.
A Polícia Federal investiga se o ex-parlamentar recebe suporte financeiro proveniente do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, conforme informações publicadas originalmente pelo portal G1.
BENS DECLARADOS
Em sua última prestação de contas entregue ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para o pleito de 2022, Eduardo Bolsonaro declarou um patrimônio total de R$ 1,76 milhão. Deste montante, R$ 1 milhão correspondia a um imóvel financiado, R$ 160 mil a uma propriedade quitada e R$ 600 mil a depósitos bancários oriundos da comercialização de um curso online.
Ainda no dia 17 de maio, em publicação no Instagram, o ex-deputado negou ser proprietário de um imóvel em Arlington (que havia sido objeto de notícias na imprensa nacional) e reiterou que reside sob regime de aluguel nos Estados Unidos, mencionando dificuldades para "honrar as parcelas" de um financiamento imobiliário de longo prazo que possui no Brasil.
Em transmissão ao vivo realizada na mesma data, Eduardo afirmou que se mantém no exterior por meio de “renda passiva” e confirmou ter recebido um repasse de R$ 2 milhões de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. A transferência, realizada via Pix, foi confirmada publicamente pelo próprio Jair Bolsonaro em junho de 2025. Na ocasião, o ex-deputado não detalhou outras fontes de renda.
Anúncios imobiliários ativos até fevereiro deste ano mostram estrutura da mansão | Foto: Reprodução / Homes.com/
O endereço em Southlake foi confirmado pelo Intercept por meio do cruzamento de registros públicos do estado do Texas, dados comerciais de inteligência, publicações da família Bolsonaro em redes sociais e verificação presencial.
Durante a apuração no local, um repórter do portal esteve na calçada da residência e solicitou uma entrevista. A influenciadora Heloísa Bolsonaro, esposa do ex-parlamentar, atendeu o profissional e recusou o pedido de pronunciamento.
Após o contato, Eduardo Bolsonaro acionou a polícia local, alegando a presença de um indivíduo suspeito ao redor da residência. De acordo com o boletim de ocorrência obtido pela reportagem, a polícia de Southlake informou que não há nenhuma investigação criminal aberta sobre o episódio, uma vez que a atividade jornalística é protegida pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) acionou as autoridades policiais dos Estados Unidos na última sexta-feira (22) após um repórter do portal Intercept Brasil bater à porta de sua residência, no Texas. Ao relatar e criticar o episódio em suas redes sociais, o ex-parlamentar alega que o jornalista poderia ter feito uma prática criminosa por bater na porta e fazer perguntas aos vizinhos.
Confira a postagem:
???? GRAVE! O que pretendem pessoas ligadas ao PCC ao invadir minha privacidade e constranger minha esposa e minha filha de apenas 5 anos??? pic.twitter.com/tYKewFa9RE
— Eduardo Bolsonaro???????? (@BolsonaroSP) May 23, 2026
MENÇÃO AO PCC
Em seu posicionamento nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro sugeriu que a abordagem do jornalista com uma facção criminosa paulista. “O que pretendem pessoas ligadas ao PCC [Primeiro Comando da Capital] ao invadir minha privacidade e constranger minha esposa e minha filha de apenas 5 anos?”, escreve.
O ex-parlamentar disse ter se sentido ameaçado e fez menção ao fato de que, no estado norte-americano onde reside autoexilado desde 2025, a posse de armamento civil é comum. Sua esposa também faz a menção em postagens nas redes.
“Aqui no Texas muitas pessoas têm armas em casa e, normalmente, as pessoas que você recebe na sua casa são pessoas que você conhece. Não estou fazendo ameaça a ninguém, estou só falando que é uma situação totalmente grave”, diz Eduardo em vídeo.
O Intercept Brasil é o veículo responsável por revelar transações financeiras de R$ 61 milhões envolvendo o empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Conforme as investigações, os recursos teriam sido supostamente intermediados pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) para financiar um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro, tendo como destino final um fundo gerido por um advogado de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.
Sede do Arlington Police Department | Foto ilustrativa: Reprodução / Google Maps
De fato, o endereço do ex-membro da Câmara dos Deputados não é de conhecimento público. O Departamento de Polícia de Arlington (Texas) não fez nenhuma manifestação pública sobre o caso.
Há suspeitas de que os valores estejam sendo utilizados para custear a permanência do ex-deputado em território americano. Em uma nota enviada ao site Metrópoles, a redação do Intercept confirma que um jornalista contratado estaria atuando de forma ética sobre uma matéria do então ex-deputado Eduardo Bolsonaro e que segue acompanhando o caso.
Leia a nota na íntegra:
“Estamos acompanhando a situação envolvendo um jornalista local experiente, contratado pelo Intercept Brasil para esta cobertura, incluindo ameaças, mentiras e exposição pública relacionadas ao exercício da atividade jornalística, que cumpre todos os padrões éticos e profissionais.
No momento, seguimos acompanhando o caso e avaliando os desdobramentos relacionados à segurança do profissional envolvido", conclui o The Intercept Brasil.
Eduardo Bolsonaro assinou contrato como produtor-executivo de Dark Horse e teria poder pelo dinheiro
O deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro (PL) ocupou um papel muito mais central do que o de simples "cedente de imagem" na produção de Dark Horse, a cinebiografia sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Contratos assinados e diálogos exclusivos obtidos pelo portal The Intercept Brasil revelam que Eduardo atuou como produtor-executivo, detendo responsabilidades e poder de decisão sobre a gestão financeira e o controle orçamentário do projeto audiovisual.
Os registros desmentem categoricamente as afirmações feitas pelo próprio Eduardo em suas redes sociais na última quinta-feira (14). Na ocasião, o parlamentar cassado tentou minimizar seu envolvimento, omitindo sua conexão direta com a busca de financiamento para a obra.
Veja suas declarações nas redes sociais:
Desculpe o desabafo, mas essa gente precisa ouvir umas verdades!
— Eduardo Bolsonaro???????? (@BolsonaroSP) May 15, 2026
???? pic.twitter.com/uqHaE40q3y
No entanto, um contrato datado de novembro de 2023 coloca Eduardo e o deputado Mario Frias (PL) no comando da produção-executiva, cargo que implica o manejo direto de verbas.
NOVAS REVELAÇÕES
A influência de Eduardo não se limitava ao título no papel. Mensagens trocadas entre o empresário Thiago Miranda e o banqueiro Daniel Vorcaro, em março de 2025, expõem o deputado como um articulador financeiro estratégico. Em um dos diálogos, Eduardo orienta Miranda sobre a melhor forma de movimentar recursos para os Estados Unidos: "O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo", escreveu.
Ele demonstrou preocupação com a burocracia das remessas internacionais, sugerindo que, caso os valores não fossem enviados pelo "sistema atual" de forma célere, a operação poderia tardar até seis meses (o que prejudicaria o cronograma da produção). Esse movimento coincide com o período em que Eduardo anunciou licenciamento do mandato para se estabelecer em solo americano.
Contrato cita que Eduardo, que consta como “financiador”, se compromete a “financiar" | Foto: Reprodução / The Intercept Brasil
A reportagem teve acesso ainda a uma minuta de aditivo contratual de fevereiro de 2024, em que Eduardo Bolsonaro é qualificado especificamente como "financiador". O documento indica que ele se comprometeria a financiar parcialmente a produção, o que derruba a tese de que sua participação se restringia ao uso de sua história de vida.
O contrato foi assinado de maneira digital, e apesar de a data ser 26 de novembro de 2023, a assinatura de Eduardo Bolsonaro foi oficializada no acordo em 30 de janeiro de 2024 | Foto: Reprodução / The Intercept Brasil
A produtora do filme, a GoUp Entertainment, sediada na Flórida, compartilha sócios com o Instituto Conhecer Brasil. Esta organização está sob a lupa do Ministério Público e do STF por suspeitas de irregularidades em contratos milionários de Wi-Fi público em São Paulo e no uso de emendas parlamentares destinadas por Mario Frias. A mesma negou qualquer financiamento de Vorcaro em nota para a imprensa.
A Polícia Federal investiga agora se parte dos US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões na cotação da época) negociados pelo senador Flávio Bolsonaro com o banqueiro Daniel Vorcaro foi utilizada para custear a vida de Eduardo Bolsonaro nos EUA. Os indícios apontam que ao menos US$ 10,6 milhões foram transferidos entre fevereiro e maio de 2025 para um fundo controlado por aliados de Eduardo, incluindo seu advogado de imigração.
Eduardo e Flávio Bolsonaro foram procurados, mas não responderam até o momento. A defesa de Mario Frias nega que Eduardo tenha sido produtor ou recebido valores. Já o empresário Thiago Miranda afirmou que sua atuação limitou-se a intermediar o contato entre investidores e interessados no projeto.
Curtas do Poder
Pérolas do Dia
Manno Góes
"A festa baiana enfrenta hoje a forte concorrência de capitais como São Paulo. Consequentemente, os turistas de fora deixaram de vir com a mesma frequência, e o público atual tem sido sustentado pelo turismo interno, com moradores do interior da Bahia se deslocando para a capital".
Disse o músico e compositor Manno Góes analisou o atual cenário cultural da Bahia e fez reflexões sobre os desafios e a estagnação do Carnaval de Salvador, durante entrevista concedida ao programa Bahia Notícias no Ar, da rádio Antena 1 Salvador.