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O Fluminense de Feira viveu, nos últimos anos, um dos momentos mais críticos de sua história. Sem estrutura, sem recursos financeiros e com dívidas executadas na Justiça, o clube esteve próximo da extinção.
A criação da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) foi o ponto de inflexão que garantiu a sobrevivência da instituição e deu início a um processo de reconstrução estrutural e esportiva, que hoje tem a divisão de base como principal estratégia de sustentabilidade.
Atualmente, a detentora de 90% da SAF do Touro do Sertão é a Core3 Tecnologia. A aprovação da venda ocorreu em outubro de 2023, após a realização de uma Assembleia Geral Extraordinária. A empresa, gerida pelos sócios André Oliveira e Filemon Neto, assumiu uma dívida de R$ 5 milhões e comprometeu-se com um aporte de R$ 20 milhões, a ser distribuído ao longo de 20 anos.
Em entrevista exclusiva concedida ao Bahia Notícias, o presidente da SAF do Flu de Feira, Filemon Neto, fez um balanço detalhado desde a implementação do modelo até o momento atual. Ele foi categórico ao afirmar que, sem a mudança jurídica, o clube não teria continuidade.
"Se a SAF não tivesse sido criada, não teria clube no ano posterior. O Fluminense chegou a um ponto em que não tinha mais ferramentas. Não tinha estrutura, não tinha recurso, eram dívidas intermináveis, tudo executado na Justiça. O clube realmente chegou ao fim", explicou o gestor.
Ao assumir o controle do futebol, Filemon relatou que a SAF encontrou um cenário de "abandono total", especialmente no Centro de Treinamento. Segundo o dirigente, a recuperação do clube passou, necessariamente, pela reconstrução da estrutura física, começando pelo básico.
"Assumimos o clube com muita dificuldade, sem credibilidade e sem recurso nenhum. O CT estava totalmente destruído; era praticamente um terreno baldio. Era aberto, as pessoas atravessavam por dentro como caminho, tinha animais lá dentro. A primeira coisa foi cercar o local e dizer: 'Pronto, aqui agora é a nossa casa'", relembrou.
A partir desse passo inicial, a SAF iniciou uma série de reformas para viabilizar o departamento de futebol:
- Campos e vestiários: recuperação total dos gramados e áreas técnicas;
- Saúde e Performance: reconstrução de academia, reativação do departamento médico e implementação de um setor de fisioterapia;
- Logística e Alojamento: reforma geral nos alojamentos, reativação do refeitório e a compra de um ônibus próprio para o deslocamento das equipes.
DA SOBREVIVÊNCIA AO PLANEJAMENTO
Paralelamente à reconstrução estrutural, a SAF buscou reorganizar o Fluminense de Feira sob uma lógica empresarial. Para Filemon Neto, a principal diferença entre o antigo modelo associativo e a SAF reside na busca pela sustentabilidade financeira.
"Como empresa, a primeira coisa que tivemos que pensar foi: como gerar a sustentabilidade desse negócio?", questionou. A resposta encontrada foi o investimento prioritário na divisão de base. "Um clube do interior só tem um caminho para se tornar sustentável: investir na base. Não tem como honrar o orçamento anual baseado apenas em retorno de competição e patrocínio. É por isso que os clubes fecham", pontuou.
Dentro da estratégia de fortalecer as categorias de base, a SAF também passou a investir na qualificação profissional e na troca de conhecimento com o futebol europeu. Recentemente, o clube enviou o coordenador da base para a Espanha, em um intercâmbio voltado à observação de métodos de formação e gestão de atletas.
Segundo Filemon Neto, a iniciativa faz parte da busca por referências que ajudem a aprimorar o trabalho desenvolvido em Feira de Santana.
"Entendemos que investir só em estrutura não basta; é preciso investir em conhecimento. Por isso, enviamos o nosso coordenador para a Espanha, para vivenciar outras metodologias, entender como funciona a formação lá fora e trazer isso para a nossa realidade”, explicou o dirigente.
Ele destacou, porém, que a experiência internacional não visa copiar modelos estrangeiros, mas sim absorver conceitos que possam ser adaptados ao contexto baiano. "Não é para copiar ninguém. Nosso projeto é solo, é nosso. Mas você precisa conhecer o que está sendo feito de melhor no mundo para evoluir. Esse intercâmbio faz parte desse crescimento."
No "Novo Flu", a base ocupa o centro da estratégia. Atualmente, o investimento no setor é superior ao do próprio futebol profissional, seguindo um projeto autoral desenvolvido internamente.
"A base hoje é o nosso carro-chefe. Todos os investimentos passam por ela. Hoje, tudo que o profissional tem, a base tem igual ou superior. Não seguimos projeto de nenhum outro clube; é um processo solo de 'fábrica de atletas'", revelou Filemon.

Foto: Acervo Pessoal / Bahia Notícias
Os resultados iniciais superaram o planejamento. No primeiro ano, a meta era formar cinco atletas, mas o clube encerrou o ciclo com oito jogadores distribuídos em outras equipes. As metas para os próximos anos são ambiciosas:
- Curto prazo: Formar 15 atletas por ciclo;
- Médio prazo (a partir do 3º ano): Manter uma média de 25 a 30 atletas formados anualmente, seja para negociação com grandes clubes, seja para integração ao elenco profissional do Touro.
A expectativa da SAF é que o Fluminense de Feira comece a colher os frutos financeiros e esportivos de forma consistente a partir de 2028, o quinto ano do projeto.
"A partir daí, começamos a ter uma entrada anual de valores. Com o projeto rodando dessa forma, o Fluminense será sustentado pela base 100% do tempo", concluiu o presidente.
A Sociedade Anônima do Futebol (SAF) já é uma realidade consolidada nos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro e, cada vez mais, ganha força no futebol estadual, especialmente na Bahia. Assim como Barcelona de Ilhéus, Porto Sport Club, Fluminense de Feira e Bahia, além de outros clubes que já adotaram ou planejam adotar o modelo, como Colo-Colo e o Vitória, o Atlético de Alagoinhas também vem se preparando internamente para se tornar uma SAF.
Em entrevista exclusiva ao Bahia Notícias nesta segunda-feira (21), o novo prefeito de Alagoinhas, Gustavo Carmo (PSD), revelou que o Carcará já iniciou o processo de transformação ao novo modelo de gestão. Gustavo destacou que o grande número de torcedores, a posse de um estádio próprio e a força do clube no interior baiano foram fatores determinantes para essa decisão.
“A gente já tem encaminhado os estudos de viabilidade da SAF do Atlético, que reúne algumas condições. É um time que tem torcida, está no interior do Nordeste e tem estádio para jogar. É campeão da Série B e bi-campeão da Série A do Campeonato Baiano e a gente conseguiu avançar no processo da SAF através de uma figura que é de Alagoinhas”, contou o prefeito, que também é conselheiro do clube.
Ainda dando mais detalhes, Carmo também fez questão de ressaltar que o diretor-executivo da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Alcino Rocha, é quem está auxiliando em todo o processo. Uma reunião entre o prefeito eleito, junto ao presidente do clube, Albino Leite, e o dirigente da CBF está marcada para acontecer no dia 19 de novembro, data em que membros da entidade estarão em Salvador para o duelo entre Brasil x Uruguai, pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2026.

Gustavo Carmo foi eleito prefeito de Alagoinhas no último dia 6 | Foto: Fernando Duarte/ Bahia Notícias
“Alcino Rocha, diretor-executivo da CBF e braço direito de Ednaldo Rodrigues é quem está nos ajudando. O Atlético inclusive já tem empresa contratada para fazer o estudo de viabilidade, uma consultoria. A gente fez isso em consideração à figura de Alcino sem cobrar nada. Estaremos juntos no dia 19, no amistoso entre Brasil x Uruguai. A SAF é uma realidade que vai acontecer. Estamos dialogando com o presidente Albino sobre isso”, revelou.
Apesar da alta expectativa para a concretização do processo, o clube não terá tempo para dar início à SAF na próxima temporada, ou seja, o Atlético irá jogar o Baianão 2025 ainda como associação, mas em processo de mudanças e transição interna no clube.
A reportagem do BN também entrou em contato com o diretor-executivo da CBF, Alcino Rocha, para entender como ele tem auxiliado nos processos de mudança de gestão do Atlético de Alagoinhas. Sendo alagoinhense e torcedor do clube, Alcino deu algumas pistas sobre o futuro do clube, com base no potencial econômico do município.
''Eu sou um alagoinhense e sou torcedor do Carcará. Eu sempre acreditei que o Atlético poderia ter um espaço maior no futebol. Alagoinhas é uma cidade grande e que diversificou muito a sua economia e tem uma localização maravilhosa próxima da capital. O Atlético tem torcida, você vê que nos Campeonatos Baianos o Atlético de Alagoinhas foi a segunda melhor torcida, só perdendo para o Bahia. O clube de uma cidade como essa, de um povo que gosta de futebol, não pode ficar só jogando Campeonato Baiano'', explicou.
O dirigente ressaltou ainda que o projeto de transformação já está formalizado, com o apoio de empresas especializadas. Segundo Alcino Rocha, a fase atual é de captação de investidores. No entanto, demonstrou otimismo ao revelar que já existem interessados em adquirir a SAF do Atlético de Alagoinhas.
''O que faltava era uma gestão profissional. Com a vivência das SAFs a gente conseguiu essa possibilidade. Eu trabalhei, consegui algumas empresas especializadas para fazerem o projeto, eles estudaram bem o Atlético e desenvolveram o projeto. Estamos agora nessa fase justamente de buscar os investidores. Alguns já se mostraram interessados e outros continuam em prospecção. O modelo já está definido, estou ajudando na medida que eu posso, respeitando o cube, mas com um grande apoio da cidade'', concluiu o dirigente.
COMO VEM O ATLÉTICO DE ALAGOINHAS
O Atlético de Alagoinhas busca retomar os seus recentes tempos de glória, quando conquistou a Série B do Baianão e o acesso à elite em 2018, e o bicampeonato baiano em 2021 e 2022. Desde então, a equipe tem amargado resultados abaixo do esperado, com uma oitava colocação em 2023, escapando por pouco do rebaixamento, e uma sétima colocação em 2024, com um aproveitamento de apenas 27,8% dos pontos disputados.

A última partida do Atlético de Alagoinhas foi contra o Barcelona de Ilhéus. A equipe venceu por 1 a 0 e garantiu a permanência na elite do Baianão | Foto: ASCOM AAC/Mr.Fotografia
Enquanto as mudanças não são implementadas, o Carcará já iniciou os preparativos para o Campeonato Baiano de 2025. No dia 15 de outubro, o clube anunciou em suas redes sociais uma parceria com a Prefeitura de Catu para a realização da pré-temporada.
A visita oficial contou com a presença do presidente do clube, Albino Leite, do executivo de futebol, Armando Filho, e do auxiliar técnico, Ferreira. Também participaram o secretário municipal de esportes de Catu, Adonay Silva, e o presidente da Liga de Catu, Jackson.
É esperado que novos reforços sejam anunciados em breve, uma vez que o final do ano é o período em que os clubes do interior costumam intensificar as negociações no mercado.
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