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Artigos

Adriano Sampaio
A Pesquisa que Induz o Vencedor
Foto: Divulgação

A Pesquisa que Induz o Vencedor

Análise revela como algoritmos forçados pelo passado e a ausência de transparência estatística transformam pesquisas em ferramentas de influência sobre o eleitor brasileiro.

Multimídia

Vereador Randerson Leal fala sobre autoria do projeto da faixa azul na Bonocô: “Quando o filho é bonito, todo mundo quer ser pai”

Vereador Randerson Leal fala sobre autoria do projeto da faixa azul na Bonocô: “Quando o filho é bonito, todo mundo quer ser pai”
Em entrevista ao Projeto Prisma, nesta segunda-feira (13), o vereador Randerson Leal (PDT), ao ser questionado a respeito das diferentes versões sobre a autoria da faixa exclusiva para motocicletas na Avenida Bonocô, assegurou que a lei é sua e pontuou planos futuros.

Entrevistas

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto

Após retorno à AL-BA, Luciano Ribeiro descarta disputa pela reeleição e diz estar focado na campanha de ACM Neto
Foto: Divulgação / Agência AL-BA
De volta à Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA) desde janeiro, após assumir a vaga aberta com a morte do deputado Alan Sanches, Luciano Ribeiro (União) concedeu entrevista ao Bahia Notícias na última semana e falou sobre a produtividade do Legislativo para 2026, ano que será marcado pela disputa eleitoral, e o cenário político para a corrida ao governo da Bahia. O deputado também tratou da formação da chapa de oposição e afirmou que, neste momento, descarta disputar a reeleição. Desde o seu retorno, Luciano passou a ocupar a vice-liderança da oposição e a vice-presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa.

seguranca alimentar

Safra, Sabor e Sanfona: Tradição da mesa junina se une a ciência para garantir soberania alimentar na Bahia
Foto: Mariana Ribeiro / Bahia Notícias

O equinócio de outono representa, ao redor do mundo, a época em que o dia e a noite têm exatamente a mesma duração. Esse “equilíbrio perfeito” e a transição entre o verão e o inverno tornam essa estação o período perfeito para a colheita da plantação. O São João, como uma adaptação histórica da “festa da colheita”, celebra – além dos santos juninos – a fartura na mesa dos nordestinos logo no início do período de maior estiagem dos sertões. O braço culinário da festa é uma de suas principais marcas e dialoga com a identidade cultural, os modos de trabalho da agricultura e com a soberania alimentar das famílias. 

 

O Bahia Notícias apresenta a série de reportagens “Safra, sabor e sanfona”. O especial exibe as nuances que tornam o festejo junino uma das maiores manifestações culturais da Bahia, com destaque para as mudanças na dinâmica da agricultura, na comida que chega à mesa e nas celebrações embaladas pela música tradicional (ou não). 

 

Na reportagem desta sexta-feira (19), a segunda desta série, destacamos como a comida na mesa é resultado de um trabalho pecuário e agrícola no interior baiano, que passa por mudanças importantes, e, em meio ao avanço da indústria alimentícia, vem sendo ameaçada pelos ultraprocessados. 

 

Para conversar sobre a dimensão festiva desse período e as representações da fartura, o Bahia Notícias conversou com Sálua Chequer, educadora e mestra em Arte, Educação e Cultura; e Ricardo Elesbão Alves, agrônomo e chefe-geral da Embrapa Alimentos e Territórios. 

 


Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil

 

COMIDA, CULTURA E SOBERANIA
Para a pesquisadora Sálua Chequer, que é mestra em Arte, Educação e Gestão Cultural pela Universidade Internacional Menéndez Pelayo (Espanha), a dimensão culinária é uma das mais importantes e evidentes das festas juninas brasileiras, especialmente no Norte e Nordeste. Em um cenário onde a agricultura – seja em agronegócio, familiar ou horta produtiva –, é parte da vida cotidiana do interior baiano, a correlação desse temas com a festa começa antes de junho. 

 

“É uma festa voltada quase que totalmente para a agricultura. A gente celebra lá no interior, começamos a celebrar no dia 19 de março, quando a gente canta andando pelas roças, com a imagem de São José numa caixa, pedindo chuva para plantar o milho. Então, ela [a festa junina] tem vários símbolos e as tradições que tem por trás de tudo isso [tem muita relação com a agricultura]”, explica a professora, que é natural de Ibirataia, no sul da Bahia. 

 

Sálua narra que “se canta isso [em homenagem a São João] em 19 de março, vai se estendendo, o milho colhe, você pode ver que em Salvador e nas cidades do interior, a partir de maio já tem o milho porque é o elemento básico”, destaca. 

 

Em entrevista ao BN, a educadora, com mais de 40 anos de carreira, conta que o São João é resultado da colaboração cultural dos povos indígenas, de influências portuguesas e de adaptações propostas por africanos escravizados e seus descendentes. “E aí vem a contribuição indígena do [cultivo do] aipim [mandioca], do milho, que a partir disso é feito o munguzá, pamonha, as bebidas de infusão, os licores. A gente tem uma contribuição africana do coco, que, ralado, transforma todas as comidas e Portugal entra com açúcar, com os bolos, com arroz doce, tudo isso”, ressalta. 

 

Segundo ela, “os indígenas já celebravam, não caráter religioso, mas a fartura do Brasil da colheita do universo agrícola”. E no interior, a celebração da fartura, ainda que banhada pelas devoções católicas, segue mantendo tradições de partilha. “O São João era assim, era um coletivo, é uma festa do coletivo, de se levar um prato na casa do vizinho, não se devolve vazio, esperava fazer alguma comidinha para devolver com a comida típica da época”, destaca. 

 

Acontece que, em um cenário no qual os ultraprocessados vem dominando as mesas brasileiras e a agricultura passa por um momento de adaptação iminente frente às mudanças climáticas, a luta de muitos é para manter a soberania alimentar no sertão baiano, não só no São João. 

 

Um estudo publicado na revista Lancet em novembro de 2025, liderado por pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), mostra que a participação de ultraprocessados na alimentação dos brasileiros mais que dobrou desde os anos 80, passando de 10% para 23%, ou seja, quase um quarto do total. 

 

Já no que tange à adaptação climática, é sabido - conforme publicado na primeira reportagem desta série – que as transformações climáticas e desastres naturais já afetam boa parte do território e da população baiana há alguns anos. 

 


Foto: Agência Brasil

 

Para o chefe da Embrapa Alimentos e Territórios, Ricardo Elesbão Alves, os impactos da expansão de ultraprocessados no mercado e uma possível redução ou aumento de preço de alimentos naturais devem ser sentidos na mesa e na saúde. “A troca do milho in natura, o milho fresco, por produtos ultraprocessados, acaba reduzindo o que a gente chama de densidade nutricional das refeições”, sustenta. 

 

Segundo ele, “à medida que você deixa de acessar um produto fresco e acessa a um produto ultraprocessado, você acaba impactando sobre a ingestão de açúcares de forma excessiva, sódio, aditivos, que acaba impactando, por exemplo, na síndrome metabólica e tudo que venha a vir do diabetes, de doenças do coração, colesterol e acaba empobrecendo a saúde alimentar que a gente tem, naturalmente”. 

 

Para o agrônomo, que é paraibano e vivencia o São João com esse olhar, o impacto na mesa não repercute apenas na culinária. “Do ponto de vista cultural, acaba empobrecendo também as tradições, as receitas, os saberes, o preparo, e rituais que ligam essas famílias e territórios que acabam perdendo o sentido na medida que o ingrediente central deixa de ser o milho, por exemplo”, relata. 

 

Por isso, no que diz respeito à adaptação climática na agricultura, o especialista destaca que o uso da tecnologia é uma forma de garantir a segurança e a soberania alimentar da região. A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) atua diretamente nesse setor. A entidade é uma empresa pública vinculada ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), criada em 1973. Desde então, a Embrapa é a principal responsável por adaptar e criar tecnologias para a agricultura e pecuária no ambiente tropical. Entre suas principais frentes de atuação estão o melhoramento genético, sustentabilidade, agricultura digital e bioeconomia. 

 

Na Embrapa Alimentos e Territórios, o foco é, especialmente, integrar a inovação agropecuária à alimentação e incentivar a promoção de políticas públicas com foco na segurança alimentar e nutricional.

 

Segundo Elesbão Alves, a luta para que a tecnologia promova melhorias na agricultura brasileira não vai de encontro à tradição. “Fortalecer a tecnologia e inovação, não é substituir o saber tradicional, né? É dar a um pequeno agricultor ferramentas para que ele possa conservar [o produto], ganhar valor e competir, por exemplo, garantindo que o milho que está lá na roça, chegue limpo, seguro e com preço justo”, afirma. 

 

Ele explica que essa evolução no plantio valoriza especialmente as variedades locais “que já são adaptadas à própria área semiárida”. “Elas naturalmente demandam menos insumos e preservam essa riqueza que a gente tem de diversidade. Resgatar e multiplicar essas sementes acaba fortalecendo a autonomia desses agricultores, reduzindo inclusive risco climático os criando produto com identidade e que fortalece essa cultura de ingredientes para pratos típicos que só existem naquele território”, elucida o gestor da Embrapa. 

 

Para garantir que os impactos cheguem a quem realmente precisa, Ricardo Elesbão ressalta que é necessário democratizar o acesso a esse conhecimento e às novas tecnologias. “Ciências e políticas públicas devem caminhar juntas. A garantia, resiliência climática, preços justos para esses agricultores e infraestrutura de pós-colheita, pode transformar o São João em uma fonte contínua de alimento, cultura e renda”, completa. 

 

O gestor garante que “isso é uma coisa que é possível”. “Se aproveitando do conhecimento gerado na Embrapa e em universidades, com políticas públicas dos governos federais, estaduais ou municipais. É muito possível”, finaliza.

Safra, sabor e sanfona: mudanças climáticas acendem alerta para a segurança alimentar na Bahia
Foto: Joédson Alves/Agência Brasil

Quando o outono chega ao Nordeste, alguns elementos dão o tom da festa mais popular da região. No entanto, antes da comemoração que culmina no dia 24 de junho – e dura pelo mês inteiro –, as festas juninas são marcadas pela colheita dos principais itens da festividade, entre eles o milho, o amendoim e a mandioca. Na Bahia e em quase todo o país, a maior parte da “fartura” na mesa é fruto da agricultura e da pecuária familiar, que são as primeiras a sentir os efeitos das mudanças climáticas.

 

O Bahia Notícias apresenta, a partir desta quinta-feira (18), a série de reportagens “Safra, sabor e sanfona”. O especial exibe as nuances que tornam o festejo junino uma das maiores manifestações culturais da Bahia, com destaque para as mudanças na dinâmica da agricultura, na comida que chega à mesa e nas celebrações embaladas pela música tradicional (ou não).

 

Nesta primeira reportagem, damos destaque à agricultura e à habitação no sertão baiano, que deve passar por adaptações importantes para a garantia da preservação da vida no semiárido. Esses impactos podem ser vistos em dados e imagens disponibilizados pelo Sistema de Informações e Análises sobre Impactos das Mudanças Climáticas, o AdaptaBrasil. Na aba de segurança alimentar, alimentada com dados de 2017, é possível obter os índices de impactos dos 417 municípios da Bahia.

 

Ao analisar a segurança alimentar, o painel do MCTI se divide nos subsetores de “Disponibilidade de Alimentos” e “Acesso e Consumo de Alimentos”. A dimensão “Estabilidade” foi incorporada como mediadora dos dois subsetores, sendo utilizada para analisar a constância dos indicadores.

 

Conforme o entendimento da própria cartilha, a Disponibilidade de Alimentos é a dimensão que demonstra maior impacto direto das mudanças climáticas, já que os fenômenos naturais influenciam de maneira quase imediata a produção de alimentos. É neste subsetor que iremos nos aprofundar.

 

No mapa de Índice de risco de impacto, onde são avaliados os riscos das mudanças climáticas (como a seca) nos sistemas socioecológicos, a maior parte dos municípios, até então, apresentava resultados otimistas: 212 municípios apresentaram risco considerado muito baixo; 113 demonstraram baixo risco; 66 cidades foram destacadas com risco médio; 22 foram registradas com risco alto e quatro com risco muito alto. Os municípios com risco muito alto foram: Matina, Malhada e Sítio do Mato, na região do Velho Chico; e Abaré, na região norte do estado.

 


Mapa com dados sobre o riscos das mudanças climáticas na Bahia. Fonte: AdaptaBrasil

 

Já no Índice de vulnerabilidade, que mede o grau de suscetibilidade de um sistema socioecológico aos efeitos da seca que pode comprometer a disponibilidade de alimentos, o cenário se complexifica e a maior parte dos municípios entra em nível médio ou alto de risco. Conforme os dados do AdaptaBrasil, seriam 27 municípios com baixo risco de vulnerabilidade; 325 – a maioria absoluta – com índice médio, e outros 64 municípios com índice alto de vulnerabilidade. Apenas um município, Rodelas, no território de Itaparica, no norte do estado, registrou índice muito alto de suscetibilidade à falta de alimentos.

 


Mapa com dados sobre a vulnerabilidade frente a disponibilidade de alimentos na Bahia. Fonte: AdaptaBrasil

 

Considerando a fragilidade dos dados, que apontam para uma realidade de quase dez anos atrás – desconsiderando mudanças cruciais de ação antrópica, urbanização dos municípios, evoluções das ocorrências de desastres e as políticas públicas voltadas para o tema –, o Bahia Notícias conversou com alguém que acompanha essa realidade de perto no tempo presente.

 

GESTÃO E POLÍTICA PÚBLICA
Débora Rodrigues, presidente do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado da Bahia (Consea-BA), é uma das representantes da sociedade civil que acompanha as políticas estaduais de promoção da segurança alimentar. Ela elucida que “temos hoje, no território do semiárido, já pesquisas caminhando para apontar questões de que nós podemos ter, sim, impacto na produção de alimentos”. “O Brasil saiu do mapa da fome, mas a fome ainda não saiu do mapa do Brasil”, porém essa projeção não é uma sentença.

 


Foto: Jonas Santos/Ascom Seades

 

“A gente consegue, a partir da experimentação, mostrar que esse território não é inabitável e improdutivo. É preciso, na verdade, aprender a conviver com esse território”, ressalta.

 

Em entrevista ao BN, a ativista explana que um primeiro fator importante para a compreensão do processo de adaptação climática é compreender que os desafios ambientais e climáticos não são novidade no semiárido baiano e nordestino.

 

Segundo ela, considerando que a maior parte dos municípios baianos está dentro do Semiárido Brasileiro – 287 deles objetivamente (68,8% do total) –, é importante deixar de lado o entendimento prévio de “combate à seca”.

 

“Nós temos um território grande da Bahia, que vai para além do Centro-Oeste e do Norte, que é considerado esse território do semiárido, certo? Por isso a gente muda o paradigma: de um paradigma de desenvolvimento de combate à seca e passa para um paradigma de desenvolvimento de convivência com o semiárido. Quando você trata do processo de convivência, você muda a perspectiva da produção de alimentos”, explica Débora.

 

Ela, que é mestra em Desenvolvimento Social pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), destaca que as medidas de adaptação são importantes justamente porque o semiárido já é uma região amplamente produtiva na Bahia e que, para além da dimensão econômica, é o lar de milhões de baianos.

 

“O El Niño e a seca são fenômenos naturais, mas o agravamento deles é aumentado pela nossa contribuição, pela ação humana, da forma como a gente lida com a exploração das terras, das matas e do ambiente do território”, afirma.

 

Mas é justamente neste ponto que surge o primeiro desafio: “Nós temos um desafio grande, que é: esse território é também objeto de um modelo de desenvolvimento predatório. Aí você tem as mineradoras e as eólicas”, cita.

 

O desafio apresentado pela presidente do Consea já é conhecido. A Bahia foi o terceiro estado com maior índice de desmatamento no ano de 2025. Ao todo, foram 110.616 hectares desmatados em todo o estado, com predominância na região oeste, onde o território integra uma fronteira de expansão agrícola ao lado do Maranhão, Tocantins e Piauí: o Matopiba. O desmatamento impulsionado pelo desenvolvimento energético também foi registrado.

 

Nesse viés, Débora Rodrigues explica que o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional do Estado da Bahia é um órgão colegiado de fiscalização de políticas públicas, vinculado à Secretaria de Assistência e Desenvolvimento Social da Bahia (Seades). Atualmente, o grupo é composto por representantes de 24 entidades da sociedade civil organizada e ONGs.

 

“O conselho tem a função de monitoramento, de fazer o controle social das políticas públicas. A legislação diz que nós temos a responsabilidade de elaborar, propor políticas e legislações, e fazer o monitoramento e o acompanhamento das políticas de segurança alimentar, aquelas que são construídas dentro do Sistema Nacional de Segurança Alimentar”, explica a presidente.

 

O Sistema Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional, o Sisan, é um sistema público brasileiro criado pela Lei nº 11.346, em 2006. Conforme dados de 2024 registrados no sistema, cerca de 37,4% da população baiana viveria em algum nível de insegurança alimentar (IA), sendo que em nível de IA leve seriam 23,6%; moderada seriam 8,4% e outros 5,4% viveriam em insegurança alimentar grave.

 

Segundo o Consea, mais de 200 municípios já teriam aderido ao Sisan no estado. No entanto, a plataforma federal não disponibilizou o acesso aos dados. Especialmente sobre a realidade estadual, Débora destaca que “a Bahia é um estado onde as pesquisas, quando a gente olha, vai ver que a insegurança alimentar moderada e grave é maior na cidade do que no campo”. Ela diz que, “nos outros estados, isso é o inverso".

 

“Os estudiosos apontam que o semiárido é capaz de produzir alimento em quantidade suficiente, inclusive para contribuir com o resto da nação, desde que mantenha a caatinga em pé”, sustenta a ativista.

 

“Na Bahia, a partir dessa luta política da sociedade, em um diálogo aberto com o governo no conselho, principalmente, nós temos avançado para ter no estado da Bahia uma legislação de convivência com o semiárido”, alega. Essa legislação é baseada no Plano Estadual de Convivência com o Semiárido.

 

Com mais de 168 ações que se articulam com o padrão nacional para garantir um direcionamento à gestão, Débora explica que o plano inclui não apenas medidas de caráter ambiental ou ações emergenciais, mas busca uma ação transversal.

 

“A política de segurança alimentar é uma política intersetorial. O programa de cisterna, por exemplo, é uma ação que começa experimentada com a sociedade civil e depois passa, a partir de 2003, a virar política pública. Há também a política de saúde, tratando as consequências da má alimentação e a obesidade, que são também problemas graves que a gente tem hoje no mundo”, exemplifica.

 


Foto: Fernando Frazão / Arquivo / Agência Brasil

 

Sobre as políticas públicas efetivamente executadas, a presidente do Consea sustenta que as ações vêm de diversas frentes, desde propostas nacionais direcionadas pelo Conselho Nacional e pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), assim como em âmbito estadual e federal.

 

Para Débora, “as políticas existem, são experimentadas e mostram que dá certo. Qual é o desafio disso? Como é que a gente fortalece isso? A gente tem que ampliar o orçamento para que essas políticas possam chegar a mais famílias, a mais territórios”.

 

É nesse sentido que, ao som de Asa Branca, de Luiz Gonzaga – música que narra a complexidade da vida no campo e o sentimento de pertencimento –, ela finaliza: “não existe segurança alimentar sem água, sem terra e sem território”.

 

Apenas 12 prefeituras baianas contam com restaurante popular e 9 têm cozinha comunitária, revela IBGE
Foto: Reprodução / Prefeitura de Paulo Afonso

O Suplemento de Segurança Alimentar da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2024 divulgado pelo IBGE nesta sexta-feira (7) apontou baixa cobertura de equipamentos públicos voltados à segurança alimentar em prefeituras da Bahia.

 

No ano passado, apenas 12 dos 417 municípios baianos, ou 2,9% do total, contavam com restaurante popular mantido pela gestão municipal. No total, eram 22 restaurantes populares no estado, sendo que 18 serviam apenas uma refeição por dia.

 

As cidades que dispunham do serviço eram Alagoinhas, Brumado, Dom Basílio, Feira de Santana, Itabuna, Juazeiro, Lauro de Freitas, Paulo Afonso, Ribeira do Amparo, Salvador, São Félix do Coribe e Vitória da Conquista.

 

A proporção baiana é inferior à média nacional (3,8%), equivalente a 212 cidades em todo o país. Entre os estados, a Bahia ocupa a 14ª posição no ranking. O Maranhão (14,7%), o Rio de Janeiro (12%) e o Amazonas (9,7%) lideram a lista. Já Rondônia, Roraima e Mato Grosso do Sul não contam com o serviço.

 

COZINHAS COMUNITÁRIAS MAIS RARAS

O número de municípios com cozinhas comunitárias é ainda menor. Em 2024, nove cidades baianas (2,2%) mantinham o serviço, em um total de 11 unidades em funcionamento — apenas cinco delas serviam três ou mais refeições por dia.

 

Os municípios com cozinhas comunitárias eram Biritinga, Lauro de Freitas, Malhada de Pedras, Maraú, Nova Canaã, Nova Redenção, Paulo Afonso, Santa Inês e Santo Estêvão. A Bahia também ficou abaixo da média nacional (5,1%), com a 13ª maior proporção entre os estados. O ranking é liderado por Pernambuco (67,6%), Ceará (19%) e Alagoas (6,9%). Rondônia, Acre, Roraima, Amapá e o Distrito Federal não têm cozinhas comunitárias.

 

BANCO DE ALIMENTOS

O levantamento aponta que apenas 16 municípios baianos (3,8%) contavam com Banco de Alimentos sob responsabilidade da gestão municipal. As cidades que tinham o equipamento eram Belo Campo, Bom Jesus da Lapa, Brotas de Macaúbas, Camaçari, Carinhanha, Cocos, Ibotirama, Juazeiro, Lauro de Freitas, Paratinga, Paulo Afonso, Piatã, Salvador, Serra do Ramalho, Sítio do Mato e Teixeira de Freitas.


A proporção baiana é ligeiramente menor que a nacional (4,1%), mas o estado ocupa a 9ª posição no país. Minas Gerais (10,1%), São Paulo (8,5%) e Ceará (7,3%) lideram. Já Amazonas, Roraima, Amapá e Alagoas não têm o serviço.

 

MERCADOS PÚBLICOS 

Apesar dos baixos índices nos programas de alimentação, a Bahia se destaca na gestão de mercados públicos. Mais da metade das cidades do estado (213 municípios, ou 51,1%) têm mercado público administrado pela gestão municipal, um total de 345 mercados, dos quais 327 (94,8%) estão sob responsabilidade exclusiva das prefeituras.

 

A proporção é superior à nacional (29,2%), mas coloca a Bahia apenas na 12ª posição entre os estados. O Acre (77,3%), o Amazonas (74,2%) e o Ceará (73,9%) lideram o ranking. Além disso, nove municípios (2,2%) têm mercados públicos estaduais, e sete (1,7%) contam com mercados mantidos por entidades privadas.

 

SACOLÕES E QUITANDAS PÚBLICAS AINDA SÃO EXCEÇÃO

Em 2024, apenas Paulo Afonso tinha um sacolão ou quitanda pública mantida pela gestão municipal, em parceria com entidades privadas.

 

Em todo o país, apenas 27 cidades abrigavam esse tipo de equipamento, distribuídas em 12 unidades da Federação. Já os sacolões privados estavam presentes em dez municípios baianos.

Bahia tinha 61,4% de prefeituras com alguma estrutura de segurança alimentar em 2024, aponta IBGE
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

A Bahia registrou, no ano passado, 256 dos 417 municípios (61,4%) com algum tipo de estrutura de gestão na área de segurança alimentar e nutricional. A informação foi divulgada nesta sexta-feira (7) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e faz parte do Suplemento de Segurança Alimentar da Pesquisa de Informações Básicas Municipais (Munic) 2024. O dado é superior à média nacional, que foi de 50,7% (2.826 dos 5.570 municípios).

 

Segundo o IBGE, as estruturas municipais variam entre secretarias exclusivas, setores subordinados a outras pastas ou vinculados diretamente ao Executivo local. Entre os estados, a Bahia ocupou a 10ª posição nacional (excluindo o Distrito Federal) em proporção de municípios com esse tipo de estrutura.

 

O ranking foi liderado por Amapá (93,8%), Ceará (85,9%) e Maranhão (80,2%), enquanto Goiás (22,0%), Acre (22,7%) e Mato Grosso do Sul (27,8%) apresentaram os menores índices. Ainda segundo o levantamento, entre 2023 e 2024, o número de cidades baianas com estrutura na área de segurança alimentar aumentou 6,2%, passando de 241 para 256.

 

No mesmo período, o avanço nacional foi de 0,9%, de 2.799 para 2.826 municípios. Na Bahia, acrescenta a pesquisa, apenas 14 cidades (5,5%) tinham uma secretaria municipal exclusiva voltada ao tema. A maioria (222 municípios, ou 86,7%) tinha o setor subordinado a outra secretaria, sendo que, em 185 deles, se vinculava à área de assistência social.

 

Ainda conforme o suplemento, o problema ainda atingia 2,1 milhões de residências (37,8%), onde moravam 5,8 milhões de pessoas (39,1% da população), apesar da redução em relação a anos anteriores. Em 2023, por exemplo, 321 municípios baianos (77%) realizaram ações de promoção do acesso da população a alimentos, proporção superior à média nacional de 71,5% (3.985 municípios).

 

CESTAS BÁSICAS

Com esse índice, a Bahia ficou em 9º lugar no ranking nacional, liderado por Alagoas (89,2%), Espírito Santo (85,9%) e Ceará (85,9%). O IBGE ainda informou que a distribuição de cestas básicas foi a ação mais comum, presente em 315 municípios.

 

Outras iniciativas incluíram a oferta de refeições prontas (41 cidades), benefícios monetários (18 cidades) e ações diversas (50 municípios). Ainda em 2023, 342 municípios baianos (82%) ofertaram o Benefício Eventual da Assistência Social a famílias em situação de insegurança alimentar — também acima da média nacional, de 78,3% (4.363 municípios).

 

O estado ocupou a 12ª posição no ranking, liderado por Sergipe (93,3%), Espírito Santo (91,0%) e Paraíba (89,7%). Entre os municípios baianos que ofereciam o benefício, 98% (335) distribuíam cestas básicas aos beneficiários.

 

Em 85 cidades, o auxílio incluía distribuição de alimentos in natura, e em 22, benefício monetário. No total, 247,5 mil famílias receberam o Benefício Eventual da Assistência Social na Bahia, o 5º maior contingente entre os estados. No Brasil, 3,3 milhões de famílias foram contempladas.

 

Em julho passado, um relatório da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU) informou que o Brasil tinha deixado o Mapa da Fome. Com isso, o país ficava abaixo do patamar de 2,5% da população em risco de subnutrição ou de falta de acesso à alimentação suficiente.

 

O Brasil já tinha alcançado o patamar em 2014, mas retornou ao Mapa da Fome entre 2018 e 2020. (Atualizado às 12h36)

Estudo da Uesb alerta para contaminação em tilápias vendidas em feiras livres no interior da bahia
Fotos: Reprodução / Ascom - Uesb

Uma pesquisa realizada pela Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb) identificou a presença de bactérias perigosas em todas as amostras de tilápias vendidas nas feiras livres de Itapetinga. O resultado do estudo, conduzido pelo Programa de Pós-Graduação em Engenharia e Ciências de Alimentos, acende um alerta sobre a segurança alimentar na região.

 

Para Ícaro Bastos, mestrando e um dos autores da pesquisa, as análises detectaram a presença de Salmonella, Escherichia coli e Staphylococcus nos peixes. "A presença de Salmonella, que pode causar infecções intestinais graves, representa um alerta sério para a saúde pública", explica o pesquisador. Ele reforça que, mesmo com o cozimento, o calor não é suficiente para eliminar todas as toxinas e esporos produzidos por essas bactérias.

 

A contaminação representa um risco maior para crianças, idosos e pessoas com a imunidade comprometida, podendo causar desde diarreia e vômitos a casos mais graves que exigem hospitalização.

 

O estudo aponta a necessidade urgente de medidas para garantir a higiene e a refrigeração do pescado, do transporte à comercialização. A pesquisa destaca que a contaminação generalizada sinaliza uma falha sistêmica nas boas práticas sanitárias. Os pesquisadores recomendam a implementação de políticas públicas mais eficazes, fiscalização rigorosa e programas de conscientização para comerciantes e consumidores.

Ai Weiwei cria obra para denunciar problemas de segurança alimentar na China
A fim de denunciar os problemas de segurança alimentar na China, o artista dissidente chinês Ai Weiwei criou uma obra composta de mais de 1.800 latas de leite em pó. Os escândalos vinculados à indústria de alimentos são numerosos no país, principalmente no que se referem à fabricação do leite em pó. Em 2008, produtos lácteos foram contaminados com melamina, uma substância que imita a presença de proteínas, o que matou seis bebês e provocou doenças crônicas em outros 300 mil.
 
Com o crescimento da demanda, a cidade de Hong Kong chegou a limitar a quantidade de caixas de leite que os turistas podem levar do território. De acordo com o governo, os chineses podem comprar leite em pó em Hong Kong, mas desde 1º de março a quantidade está limitada a 1,8 quilos por viagem. A obra de Ai Weiwei, "Baby Formula 2013" (Leite em pó para bebês 2013), está composta de 1.815 caixas de sete marcas de leite diferentes. "Esta obra trata de vários problemas", disse o artista. "Um deles é a recente proibição dos habitantes do continente de comprar leite em pó em Hong Kong e levar para casa, e a pergunta é por quê os chineses do continente vão para Hong Kong para comprar leite em pó".

Curtas do Poder

Ilustração de uma cobra verde vestindo um elegante terno azul, gravata escura e língua para fora
Quando eu disser, me ouçam. De há muito que eu aviso sobre a Miss CNAE, e ela só se espalhava. Tava num ponto que até o Ferragamo respirou aliviado. Enquanto isso, a política baiana virou gincana. A questão é que o povo tem que ficar atento às provas. O Missionário mesmo atirou a pedra esquecendo que tinha teto de vidro. Eu até entendo quem tá querendo fugir pra roça... Saiba mais!

Pérolas do Dia

Lore Improta

Lore Improta
Foto: Instagram

"Não consegui controlar o emocional por uns dois dias". 

 

Disse a dançarina e influenciadora Lore Improta ao fazer um forte desabafo nas redes sociais sobre o puerpério vivido com Levi, seu segundo filho com Léo Santana. 

Podcast

Vereador Randerson Leal é o entrevistado do Projeto Prisma nesta segunda-feira

Vereador Randerson Leal é o entrevistado do Projeto Prisma nesta segunda-feira
Foto: Projeto Prisma
O vereador Randerson Leal (Podemos) é o entrevistado do Projeto Prisma desta segunda-feira. O podcast é transmitido ao vivo a partir das 16h no YouTube do Bahia Notícias.

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